blog do Hudson


02/07/2008 00:24

AS FALÁCIAS DA DIREITA

Incrível como a ditadura do pensamento único, o PIG e demais partidos de direita se aliaram mais uma vez, desta feita no Rio Grande do Sul – onde a governadora Yeda Crusius (PSDB) está atolada num mar de lama e corrupção – para não só criminalizar o Movimento dos Trabalhadores Sem Terra, o que na verdade já fazem há muito tempo, mas para declararem, macumunados com o Ministério Público, a ilegalidade do movimento. Esquecem esses representantes do atraso e do farisaísmo que a luta pela terra é mais antiga que a própria propriedade privada e que o movimento é legal e legitimo. A decisão do Ministério Público não procura em nenhum momento esconder seu viés autoritário assemelhando-se a uma direita degradante e um fascismo rococó. Não basta o Brasil ser exceção por nunca ter realizado aquilo que quase todos os países já fizeram, ou seja, uma reforma agrária, agora querem enquadrar na Lei de Segurança Nacional – ainda não a ressuscitaram, mas pelo andar da carruagem estão bem próximos disso – aqueles que a defendem.

Nos Estados Unidos a reforma agrária deu-se através da ocupação de amplo território onde as famílias que por mais de cinco anos trabalhassem na terra garantiam o direito de posse. A pequena propriedade foi sem dúvida um dos alicerces para o vigoroso crescimento econômico do Uncle Sam durante o século XIX . No Japão despedaçado e humilhado do pós II Guerra Mundial, os donos de terra doaram toda a propriedade privada rural ao Estado afim desse realizar a reforma agrária e isso somado a outras medidas contribuiu para um drástico salto tornando a “Terra do Sol Nascente” uma pujança econômica capaz de fazer frente ao seu antigo algoz, os EE.UU. Outro exemplo é a reforma agrária realizada no Chile por Salvador Allende. Nesse país sul-americano a pequena propriedade gerou emprego, robusteceu a pequena indústria e funcionou como mola para o crescimento de toda a economia até então baseada no extrativismo e mineração – mas claro, é pedir demais para nossa direita reconhecer tais avanços no Chile de Allende, preferem dizer que Pinochet sim, desenvolveu o país sem explicar como e os métodos utilizados –. Até Israel já fez uma reforma agrária, se bem que dividiu terras que nunca lhe pertenceu.

O setor conservador de nossa sociedade ao mesmo tempo que cultiva horror e ódio pelo MST joga loas de elogios para o famigerado agronegócio baseado no binômio concentração de renda e destruição do meio-ambiente. Ademais o agronegócio hoje em dia mostrasse mais aliado do que nunca aos interesses do grande capital internacional e disposto a entregar a soberania do Brasil desde que isso lhe garanta encher as burras.

Curioso a diferença de tratamento dispensado aos grandes latifundiários e aos sem-terra. Quando os primeiros correm a Brasília para pedir perdão das dívidas – o termo usado por eles não é esse e sim “renegociação”, o que na pratica não passa de eufemismo – boa parte da imprensa, os partidos da direita farisaica e até alguns setores proclamados de esquerda, defendem essa “renegociação” sob pena de ao contrário a agricultura brasileira quebrar e ser esse um setor essencial para a economia e a sociedade com um todo. No entanto ao mesmo tempo em que correm a pedir auxílio ao Estado evocam o direito sob a propriedade privada e seu controle além de se ajoelharem frente ao deus Mercado. Paradoxal essa relação entre latifundiários e Estado no Brasil. Se são empresários liberais – e é o que são em última estância – deveriam resolver seus problemas de forma a não precisar do guarda-chuva do Estado. Vivem num dilema. Quando o “mercado” está bom não querem saber de nenhuma regulação por parte do Estado, mas ao primeiro sinal de crise correm para este lhe salvar do mau tempo prenunciado. Diferentemente do que ocorre na França ou em alguns outros países europeus, onde justamente pela agricultura ser um setor essencial à sociedade, o Estado regula e subsidia a produção de alimentos e produtos agrícolas.

Já quando é o MST que reivindica mais verba ao governo federal é acusado de pegar dinheiro público para gastança, de não saber administrar os recursos que lhe são repassados, de desvios e financiamento de grupos armados no campo. Não passam de um bando de baderneiros e vagabundos acostumados a viver de esmolas dos sucessivos governos. Esse é o discurso dominante e maniqueísta de hoje em dia, tentando provar ser o agronegócio o mocinho da história e o MST o vilão. Triste sina a de um país que se deixa levar por tal maniqueísmo.

enviada por hudson






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