blog do Hudson


10/06/2008 17:55

O JEITINHO TUCANO DE GOVERNAR

Nos últimos anos, especificamente após a primeira vitória de Lula e a chegada de alguns grupos do PT – nunca o partido como um todo – ao governo – nunca ao poder – a grande imprensa brasileira – que algum tempo depois ganharia o codinome de PIG – passou a tratar o governo federal como antro de corrupção, ineficiência e irresponsabilidade. Na visão conservadora dos principais meios de comunicação do Brasil, essa chegada ao governo se configurou como uma das sete pragas do Egito. Travestidos numa rude fantasia carnavalesca de isenção, imparcialidade e apartidarismo, Organizações Globo, Folha de São Paulo, Estado de São Paulo e as secundarias redes privadas de TV – não cito o panfleto de lutas anti-populares Veja dentre o espectro de veículos que se dizem isentos, porque verdade seja dita, o Grupo Abril pode ser acusado de tudo, menos de hipocrisia nesse tema, pois desde sempre deixou clara sua postura oposicionista – proclamaram uma cruzada contra o presidente Lula, cruzada que pouco a pouco se mostrou inglória dada à popularidade e o carisma do ex-líder sindical.

Esses veículos passaram a ditar os rumos da oposição partidária institucional num caso de simbiose complexa onde levam e deixam se levar por uma postura reacionária, farisaica e udensita – é bom lembrar que o PT enquanto oposição, por diversas vezes também recorreu a um udenismo requentado, coisa que o PSOL parece adorar. Ficou sempre a escanteio debates mais profundos sobre questões de interesse nacional e irregularidades surgidas nas esferas estadual ou municipal se o mandatário em questão for de alguma forma oposição ao governo federal. Algumas personalidades antes tratadas pelo PIG como aliados, tornaram-se como que por encanto da noite para o dia em adversários, no mesmo instante que se aliaram ao Palácio do Planalto. Dois exemplos são Renan Calheiros e Paulinho Pereira da Silva. A imprensa até então leniente e permissiva, não havia se ocupado com a atuação nada ilibada de nenhum dos dois ou com sua carreira política pregressa enquanto se mantiveram ao lado dos tucanos. Mas como sempre esteve no DNA de ambas personalidades ser governo independentemente do governo que for – desde que mantenha seus interesses –, tornaram-se figuras defenestradas. A imprensa só descobriu a podridão existente por trás de cada um deles depois que se aliaram ao governo Lula, ato que se consumou como pior crime a ser cometido, com pena de se tornar alvo preferencial do PIG. Curiosamente só assim a imprensa trouxe a tona o “mar de lama” – xô Carlos Lacerda – em que Calheiros e Paulinho sempre chafurdaram.

Mas estarrecedor mesmo, a ponto de acabar de vez com a pouca credibilidade desses veículos, é a atitude similar que adotaram na tentativa de abafar os escândalos recentes envolvendo governadores tucanos, ao passo que acendem todos os holofotes para o desfecho da CPI dos Cartões Corporativos e a instalação de uma CPI da Variglog – utilizando-se do velho roteiro denuncista, dessa vez protagonizado por funcionários exonerados da Anac, exoneração pedida à exaustão pelo próprio PIG.

Em 2006 o PSDB elegeu seis governadores. Vejamos quem são eles e o que mídia esconde sobre cada um – ou tenta esconder ao máximo.

1- Cássio Cunha Lima, Paraíba: Reelegeu-se no segundo turno de 2006, todavia permanece no cargo desde meados do ano passado graças a liminares concedidas pelo TSE. Aguarda o julgamento de seu recurso uma vez que teve o mandato cassado por “duas” vezes pelo TRE-PB. A primeira cassação de Cássio Cunha Lima Cunha Lima foi em 30 de julho de 2007 por distribuição de 35 mil cheques da Fundação de Assistência Comunitária no período eleitoral de 2006, quando disputou a reeleição.

O motivo da segunda cassação é a condenação após ser acusado pelo Ministério Publico Eleitoral de abuso de poder político, por meio do jornal estatal "A União", durante a campanha eleitoral de 2006. O TRE determinou a inelegibilidade de Cunha Lima por três anos e multa de R$100 mil. A condenação vale também para o vice-governador, José Lacerda.

2- José de Anchieta Júnior, Roraima: Assumiu após a morte do governador eleito Ottomar Pinto, também tucano. É no mínimo conivente – para não dizer incentivador – com crimes perpetrados contra a União, o estado de direito e atentados aos direitos humanos praticado por rizicultores liderado por Paulo César Quartieiro, prefeito de Paracaima. A resistência ao cumprimento do decreto de homologação da Reserva Raposa Serra do Sol é uma afronta ao Estado Brasileiro que durante três anos tentou de todas as maneiras possíveis um acordo para a solução do impasse, oportunizando inclusive, o direito ao contraditório a todos os envolvidos, especialmente aos arrozeiros. Mas não é o que pensam os grileiros convertidos ao terrorismo e enaltecidos por Anchieta Júnior.

A resistência organizada por um grupo de apenas seis rizicultores tomou contornos de uma verdadeira guerrilha. Ações terroristas como o bloqueio de estradas, fabricação de bombas caseiras, pontes queimadas e cárcere privado, com o objetivo declarado de impedir o cumprimento de uma decisão judicial.

Tudo isso com o aval, nem tão velado assim, do governador.

3- Teotônio Vilela Filho, Alagoas: O ex-senador se elegeu no primeiro turno de 2006. Seu mandato vem sendo marcado pelo “choque de gestão”. Choque de gestão na visão tucana não passa de eufemismo para o fim de qualquer política pública e morte por inanição do estado que vem sendo acometido por sucessivas paralisações e greves em setores essenciais como saúde, educação e segurança.

O estado de Alagoas encontra-se sucateado e Teotônio Vilela Filho conseguiu em pouco tempo virá-lo de pernas para o ar, lançou mão de uma medida inconstitucional, arbitrária e autoritária para através de um decreto revogar leis, algumas com quase um ano de vigência, que concediam aumentos salariais amplamente discutidos com os Sindicatos de várias categorias de servidores públicos. Passou o calote nos fornecedores do Estado e nas mães do bolsa escola além da própria Assembléia Legislativa.

4- Aécio Neves, Minas Gerais: O campeão de votos do ninho tucano, se reelegeu com mais de 60% dos votos validos e é expert no que tange silenciar a imprensa. Aécio raramente aparece na mídia em situações desconfortáveis ou constrangedoras. Quando isso acontece, como no caso do “Mensalão Tucano”, a imprensa mineira é a última tocar no assunto.

Via de regra, a imprensa mineira espera um sinal de fumaça do Palácio da Liberdade para entrar na pauta, sempre na esteira da defesa do governador. Nos bastidores do Palácio da Liberdade, sede do governo mineiro, existe uma azeitada máquina de comunicação e propaganda trabalhando a todo vapor para manter a imagem de Aécio intacta e em alta até as eleições de 2010.

Esse projeto de poder, que começou a ser gestado em 2002, é baseado no binômio truculência e dinheiro. Casos de jornalistas que ousaram quebrar essa regra e foram demitidos ou ameaçados existem aos borbotões. O resultado, em muitos casos, é a opção pela auto-censura como forma de sobrevivência.

Esse consenso tem sido financiado através de farta publicidade estatal. Não é a administração direta, mas as estatais que mais gastam em comunicação e publicidade. Com isso fica mais difícil a fiscalização da Assembléia Legislativa, que ainda por cima conta com uma oposição pouco coesa. “Minas é um estado com alto grau de censura. A imprensa, aqui, é porta-voz do governo Aécio.

5- José Serra, São Paulo: Embora Aécio seja o expert em calar a imprensa, é Serra o “namoradinho” dela. Na verdade a imprensa paulista parece ter um enorme “apreço” pelos governadores do estado, sobretudo se forem tucanos acostumados a engavetar CPIs como é o caso do ex-ministro da educação e ex-prefeito da capital paulista. Recentemente estourou na Europa o escândalo da Alstom, multinacional de origem francesa investigada na Suíça e na França por subornar autoridades de vários países para obter contratos lucrativos.

A Polícia Federal cita quadros importantes da hierarquia tucana, envolvidos em facilitações para obras do Metrô. As falcatruas teriam ocorrido nas gestões Covas e Alckmin. A base aliada tenta instalar uma CPI sobre o caso no Congresso Nacional, já que todas as tentativas de investigação iniciadas na Assembléia paulista são abortadas pela força da maioria serrista.

Até o momento foram lembrados David Zylberstajn, secretário de Energia do governo Covas e genro de FHC; Robson Marinho, conselheiro do Tribunal de Contas do Estado, coordenador da campanha de Covas e ex-chefe da Casa Civil de seu governo; Mauro Arce, que foi secretário de Energia, presidente da Sabesp e do Dersa (governos Covas e Alckmin) e atualmente comanda a pasta de Transportes do governo Serra; Andréa Matarazzo, o todo-poderoso secretário municipal de Subprefeituras (gestão Kassab), outro ex-secretário de Energia.

6- Yeda Crusius, Rio Grande Do Sul: essa é a cereja do bolo. A até 2006 deputada federal, conseguiu sobrepujar o então governador Germano Rigotto e o ex Olívio Dutra nas eleições daquele ano para surpresa de quase todos. Agora está a um passo de sofrer processo de impeachment. Caso sobreviva terá mais de dois anos de um governo cadavérico – Pedro Simon, aquele que a mídia tradicional chama de reserva moral do Senado, proferiu frase semelhante sobre o governo Lula em 2005, hoje é um dos aliados da governadora e não toca no assunto.

A Procuradoria Geral da República no Rio Grande do Sul apresentou denúncia contra 44 pessoas envolvidas na fraude do Detran. Entre elas, estão políticos do PP, PSDB, PMDB e PTB e um dos coordenadores da campanha eleitoral de Yeda Crusius, Lair Ferst. Segundo o procurador da República, Ivan Cláudio Marques, as investigações revelaram a existência de uma superestrutura criminosa que desviou cerca de R$ 44 milhões do Detran, entre julho de 2003 e novembro de 2007 (uma média de aproximadamente R$ 1 milhão por mês).

“Não estamos falando de algo ilusório”, disse o procurador ao defender a riqueza de provas levantadas pela investigação iniciada em maio de 2007 a partir de suspeitas sobre os contratos firmados pelo Detran com as fundações Fatec e Fundae, ligadas à Universidade Federal de Santa Maria (UFSM). Além da descoberta da fraude, destacou o procurador, as investigações conseguiram estancar uma hemorragia de aproximadamente R$ 1 milhão/mês. Desde novembro de 2007, quando foi desencadeada a Operação Rodin, deixaram de ser desviados pelo menos R$ 6 milhões.

Quando ainda estava tentando absorver esse duro golpe, o governo gaúcho sofreu um novo baque nesta última quinta-feira (5/6/2008) com a divulgação da carta que o empresário e lobista tucano Lair Ferst escreveu para a governadora (em 2007, antes da ação da Polícia Federal, que ocorreu em novembro) denunciando uma suposta campanha difamatória contra ele e a ação de um grupo mafioso com a participação de integrantes do governo.

A carta é explosiva. Lair Ferst diz que, em virtude da visibilidade adquirida durante a campanha eleitoral de Yeda (na CPI, ele assegurou que não teve nenhum papel importante na mesma), passou a ser vítima de uma campanha difamatória por parte de um grupo de pessoas corruptas chefiadas por José Fernandes, da empresa Pensant, um dos pivôs da fraude no Detran.

Quando a situação parece ruim ainda pode piorar. No sábado o vice de Yeda, Paulo Feijó (DEMO), afirmou em escuta gravada por ele mesmo da conversa com o chefe da Casa Civil do Estado, Cézar Busatto, em 26 de maio, saber da existência de uma quadrilha no Banrisul e no Detran desde 2003. Segundo o presidente da CPI do Detran-RS, Fabiano Pereira (PT), Feijó entregou o CD para a deputada Estela Farias (PT) para que fosse ouvido em sessão da CPI – Os Demos estão discutindo qual a punição a ser imposta ao vice-governador por tal atitude!!!

Bem, se governando apenas seis das 27 unidades da federação, o PSDB consegue fazer tanto, imaginemos sua volta ao poder central – ou apenas lembremo-nos os sombrios oito anos de FFHH no limite de sua irresponsabilidade. Pena que o PIG não goste de discutir esses “assuntos”. Ocupa-se demais com garrafas de uísque cheias de dólares ou com a compra de “uma” tapioca com cartão corporaivo. Os casos envolvendo governadores tucanos não passam de “mera banalidade", ou, como diz o governador paulista José Serra, "kit PT pré-eleitoral”.








enviada por hudson






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