blog do Hudson


15/05/2008 21:14

RESPOSTA AO AMIGO HUDSON

Por Morani

Li na íntegra o comentário também inteligente desse cidadão que é diretor de uma entidade de nome AMERICA XXI. Creio que o numeral romano diga respeito ao nosso século, e o nome AMÉRICA se refira a nossa América do Sul. Trata-se de um casamento perfeito. Será essa entidade mais uma ONG? Quais os objetivos, se confirmada a suspeita de que possa ser uma dessas muitas entidades que grassam Brasil afora? Além de Diretor da América XXI, de que se ocupa o referido senhor Luis Bilbao? Por ventura, um sociólogo? Um cientista político? Ou um cidadão voltado aos interesses tão desejados por todos os países do Cone Sul de uma trajetória de paz, de autodeterminação, de liberdade de ação e da predominância dos Direitos inalienáveis de seus governos tomarem os rumos mais adequados às suas economias e aos seus desenvolvimentos?

As nações poderosas e interessadas, através de comunicados verbais dos seus dirigentes maiores, não venham opinar e até intervir, seja política ou economicamente. Boicotes e outras medidas sujas, nos moldes característicos às suas intervenções, não devem ser aceitas, mas repudiadas. Repudiadas, sim, o com vigor autoritário que deva ter uma Nação livre. Mas a persistirem as dúvidas devemos nunca esquecer de que a ONU – a Entidade maior que congrega todos os interesses heterogêneos dos países que lhe dão corpo jurídico e físico – não tem mais forças morais a impedir tais possíveis intervenções, sejam de quais naturezas se apresentem aos olhos do mundo.

Penso que as "OLIGARQUIAS" há muito deveriam ser motivo de acalorados debates num Congresso Internacional patrocinado por Entidades que conjuguem todos os interesses comerciais de todos os países. Essa situação nos remete aos tempos primevos os das relações comerciais das Nações como o Brasil, por exemplo, ao tempo dos seus primeiros passos na direção da autonomia industrial, comercial e econômica, e, ainda, das suas relações diplomáticas com os países interessados em nossos produtos.

Agora, falando da Bolívia de Evo Morales: será bom para o país irmão a autonomia que se desejam os departamentos de Santa Cruz de La Sierra, no topo daquelas intenções, mais Beni, Pando e Tarija? Se há um "Plano" diabólico, patrocinado pelos EUA através da CIA, para fragmentar o país, então todos os demais países da periferia deverão dar a resposta convincente de que aqui como em Cuba, onde não puderam intervir diretamente, mas economicamente, não será diferente.

Há muito venho sentindo que além da Bolívia com suas riquezas, a Venezuela de Hugo Chávez e o Equador serão alvos do poderio dos imperialistas norte-americanos e, quiçá, dos seus sócios europeus. O Paraguai que se cuide, mas contando com a ajuda de todos os outros.

Essas nações, acostumadas a invadir territórios estrangeiros (Iraque), agora se voltarão contra o Irã – promessa de qualquer dos dois que forem eleitos Presidente dos Estados Unidos. Serão três frentes: Iraque, onde está sendo derrotado lentamente; Irã, país em que o fanatismo religioso não permitirá facilmente uma intromissão estrangeira, venha de onde vier.

A liderança verdadeiramente indígena de Evo Morales da Bolívia explicita a autoridade do Presidente. Infelizmente, no nosso país não há uma liderança como a que existe no país vizinho. Os nossos índios são "liderados" por religiosos estrangeiros, que existem muito mais na região do que as autoridades militares tão necessárias nas fronteiras imensas desse nosso Brasil.

CAPITALISMO – A implantação do capitalismo na maior parte das nações do mundo se deve exclusivamente ao "fracasso" da ideologia comunista naqueles países que poderiam fazer face à arrogância capitalista. Este sistema "pariu" um filho "bastardo" e "monstrengo" – a globalização – gestado nos subterrâneos dos entendimentos havidos na Reunião de um grupo de "doutos" da economia mundial na Suíça.

Realmente o mundo capitalista não pode prescindir de fazer guerra, e como diz diretor do América XXI, Luis Bilbao: "A economia capitalista não pode respirar sem ela" e eu acrescento, nos limites da minha ignorância, sobre o assunto em pauta, que a prova foi dada no ataque às forças da FARC fora dos limites de fronteira colombiana, tudo arquitetado por "FORÇAS ESTRANHAS", num verdadeiro acinte de desrespeito a esses limites fronteiriços.

Diz-se haver em nosso território grupos desse exército acantonados ao abrigo de nossas florestas, facilitando o tráfico de entorpecentes dos quais subsistem essas forças armadas paralelas. Admitamos isto! Em que pode afetar o poderio da nação "estrelada" ao norte do nosso continente a presença desses soldados em nosso território? Compete a nós, somente a nós tomar as devidas providências dentro dos trâmites diplomáticos a serem usados.

O capitalismo tem que ser imposto às nações do Cone Sul, como foi no tempo de Fulgêncio Batista, esbirro dos norte-americanos, dentro de Cuba. Em Cuba havia um líder jovem e destemido que com um pequeno exército destituiu o imperialismo dominador naquela ilha, a Princesa das Antilhas. E aqui?

Faltam ao "Grupo dos 4" juntarem-se a eles lideranças políticas de outros países da América do Sul, principalmente as do Brasil tendo à frente o Presidente LULA. Parece-me ser também péssimo parceiro, e só o sendo quando os seus interesses sobrepujem àqueles dos países irmãos, que batem de frente aos poderosos à caça de desestabilizar governos eleitos pela vontade e soberania populares, como o dele.

Por que não podem as nações "democráticas" (Oh termo!) se unir com o objetivo precípuo de por um basta nessas intromissões, já de anos e anos, levadas de roldão pelas chamadas nações do Primeiro Mundo? A América do Sul não serve como "LATRINA" a essas outras "democracias globalizadas". Há que serem respeitados os esforços ingentes dos que aqui desejam "crescer" mantendo distribuição de renda real e direta; pagarem suas dívidas (para mim impagáveis); manterem o equilíbrio social abrindo as portas aos investidores que cheguem para aumentar o número de empregos, e não para se locupletarem apenas dos juros mais altos do mundo pagos ao "capital viajor", que aqui vem "dormitar" para no dia imediato, ou na semana imediata levantar vôo como a Phenix saída das cinzas.

A Paris do século XVIII, com seu povo miserável, que deveria comer "brioche", no dizer da indigitada rainha Maria Antonieta, pegou em armas, fez derramar muito sangue, decepou cabeças que só tinham "merde" dentro, impondo um regime de Igualdade, Fraternidade e Liberdade. A "Comuna" saiu vitoriosa, impôs-se, mas os seus principais líderes subiram ao cadafalso onde perderam igualmente suas cabeças. Podemos permitir isto aqui onde às revoltas foram poucas e sem muita influência nas amizades dos países desse mesmo Continente? E se houve, sempre tiveram as "mãos sujas" de interesses diversos e estranhos.

Senhor Luis Bilbao sou um eterno preocupado aos problemas de nosso Continente, e não só aos do Brasil. Aqui ficam minhas impressões e minhas simpatias aos povos indígenas da Bolívia, porque tendo ascendência indígena, por parte de pai (minha bisavó era índia de vida tribal), não posso me subtrair ao apoio, mendigo e capenga, que vejo necessitar o governo do Líder Evo Morales. É preciso, sim, fecharmos as nossas portas aos cães de guerra açulados por Washington.

Morani é escritor, radicado em Nova Friburgo, RJ


enviada por hudson






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