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03/04/2008 23:58
WITH GOD ON OUR SIDE
O titulo do post é plagio de outro titulo, o de uma canção de Bob Dylan que me veio à lembrança semana passada ao saber que John McCain invocou Harry Trumman aquele que autorizou o despejo das bombas atômicas contra Hiroshima e Nagazaki repetindo sua celebre frase ao final da II Grande Guerra: "Deus nos criou e nos colocou na atual posição de poder e força por alguma grande razão".
Na verdade a frase proferida por Trumman e repetida por McCain, pode ser posta ao lado de outras de Tom Paine ou qualquer ideólogo do nacionalismo anglo-americano que sempre acreditou ser os Estados Unidos da América a nação ungida por Deus para guiar as demais nações rumo a civilização, não importando os métodos que os wasp adotassem nessa árdua tarefa. Através da força e da violência, levaram a dita civilização aos povos ameríndios que ocupavam desde os Grandes Lagos até o Rio Grande, do Maine a Califórnia. E após a conquista do Oeste e o esbulho do México demarcarem os limites geográficos do nascente país, aplicariam os limites da economia de mercado e do seu imperialismo por quase todo o globo.
O imperialismo ianque só não foi maior durante a Guerra Fria, porque esbarrou no pacto de Varsóvia e em algumas nações
autoproclamadas não alinhadas Cuba e a antiga Iugoslávia à frente. Com a Europa destruída e mutilada pelos 6 anos de guerra vendo sua economia não em frangalhos, mas inexistente a ponto de depender dos norte-americanos para tudo que fosse industrializado tornou-se campo fértil para Washington impor seu imperialismo ora travestido de laissez fair, ora travestido de Wellfare State. Nesse período o Plano Marshal foi peça fundamental para a cooptação da Europa e consolidação dos interesses do além Atlântico. Cooptação que as elites europeu-ocidentais se agarraram por medo do crescimento dos movimentos democráticos-populares no Velho Continente.
Agora, enquanto os democratas digladiam entre si de forma tão acirrada a ponto de parte significativa dos eleitores de Obama dizerem preferir McCain a Hilary Clinton, e eleitores da ex-primeira-dama afirmam ter serias objeções ao senador de Ilinois, o herói do Vietnam, anuncia, para deleite de alguns meios de comunicação e
(des)informação tupiniquins, que é seu desejo excluir a Rússia e incluir Brasil e Índia no chamado G8. Os motivos para exclusão duma e inclusão de outros seria: "...garantir que o G8, o grupo de oito nações altamente industrializadas, se torne novamente um clube das principais democracias de mercado em vez de uma Rússia revanchista....
Não satisfeito com os danos diplomáticos que tal declaração pode acarretar, continuou: "...em vez de tolerar a chantagem nuclear da Rússia ou os seus 'cyberataques', as nações ocidentais deveriam deixar claro que a solidariedade da Otan, do Báltico ao Mar Negro, é indivisível e que as portas da organização permanecem abertas a todas as democracias comprometidas com a defesa da liberdade...".
Depois de tanto preconceito e desequilíbrio, vai por água abaixo a esperança que numa possível vitória de McCain, a truculência imposta pelo cinzento período Bush fosse coisa do passado. Já escrevi aqui mesmo nesse espaço a dificuldade de McCain, embora um republicano mais liberal que seus pares, em livrar a Casa Branca dos falcões de plumagem mais densa, no entanto por mais que o candidato queira parecer confiável diante os fundamentalistas do seu partido, tal declaração surpreendeu até mesmo analistas mais experientes.
O senador do Arizona, que pode tornar-se o presidente mais velho dos EEUU, ainda teve o desplante de citar como democracias lideres capazes de se colocar ao lado do Império do Norte na construção de um mundo livre, a Turquia sempre condenada por organismos de defesa dos direitos humanos pela falta de liberdade política e perseguição aos curdos, agravantes que contribuíram no impedimento de sua entrada para União Européia a Índia que mantêm inalterado o sistema de castas , e ainda por cima, para dor nos ouvidos de quem estava presente, o estado de Israel legitimo praticante dum terrorismo tão descarado que sequer se dá ao trabalho de negá-lo. Um terrorismo que trucida famílias inteiras, que confina palestinos a guetos, privando-os de água, comida, remédios, higiene ou qualquer assistência internacional.
Quanto a nós, pobres tupiniquins, vivemos num país onde grassa todo o tipo de injustiça, onde falta o mínimo de equanimidade social fator impreterível para que se possa chamar uma sociedade de democrática e ainda violamos repetidamente os direitos humanos e a dignidade de uma classe de excluídos como nos tristes exemplos mostrados pela obra de ficção Tropa de Elite, ou no mundo real com as invasões perpetradas pelo BOPE as favela cariocas com as benções do Estado e os aplausos da classe média.
Voltando aos EEUU, embora o chefe do executivo daquele país tenha uma margem de manobra estreita e delicada delicada por não poder infringir as regras impostas por quem realmente detêm o poder e aparelha o estado, ou seja, as grandes corporações , os presidenciáveis tanto do lado republicano, quanto do lado democrata, sejam autóctones dessa plutocracia e eu particularmente nunca tenha alimentado grandes ilusões sobre o rumo que as políticas ianques tomarão a partir de janeiro de 2009 , as declarações de McCain não só me surpreenderam como, soam de aviso para as pretensões da Rússia de Putin em se firmar como potencia mundial ocupando parte da lacuna deixada pela antiga URSS. Um aviso de que os EEUU estão dispostos a defender o papel de única superpotência e policia global.
Por qual razão estou defendendo uma Rússia guiada por um populista de direita, sádico e com vocação autoritária? Não estou defendendo-a, apenas preocupado com a perseverança anglo-americana em achar que devem civilizar o mundo a todo o custo e mantê-lo sob sua tutela. O mundo só estará a salvo da brincadeira mocinho X bandido e da guerra sem fim ao terrorismo caso a hegemonia estadunidense seja quebrada. Enquanto isso, somos todos alvo em potencial da barbárie prenunciada por Washington.
A declaração de McCain não é apenas um afago para os falcões, mas a confirmação que manterá a mesma estratégia na política internacional adotada pelo cawboy Bush em relação à Europa Oriental. Ou seja, minar a influência da Rússia para depois isolá-la. Estratégia essa que nos últimos anos nos brindou com o recente apoio irrestrito a declaração unilateral de independência da província kosovar, o estimulo à derrubada de Eduard Shevardnadze na Geórgia, a hostilidade ao governo da Bielorrússia, além do amparo a Victor Yuschenkona Ucrânia.
Fácil assimilar esses fatos, juntar as peças do quebra-cabeça e ver o jeito como os falcões determinam a política externa e que, McCain reza da cartilha deles.
enviada por hudson
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