blog do Hudson


06/04/2008 19:07

UM ACHADO NO VI O MUNDO

Tivemos uma semana daquelas em Brasília, onde a oposição farisaica meteu os pés pela cabeça e o governo continua sua estratégia de “política da inércia”. Semana em que os governistas no senado ficaram, sem esperar, com a faca e o queijo na mão, podendo de uma vez só, levarem a Comissão de ética da casa, Álvaro Dias por participação em complô contra um ministro de Estado e Mão Santa por quebra – clara, claríssima e transmitida ao vivo – de decoro parlamentar.

Agora nesse domingo sou agraciado com a oportunidade de ler um verdadeiro “achado” no Vi o Mundo do Luiz Carlos Azenha. Um achado tão grande, que não pude resistir e pedi sua autorização para publicá-lo também nesse espaço. O texto apesar de curto é assertivo e objetivo sobre a atual conjuntura da política nacional sem apelos ou clichês do tipo... é um governo de merda, mas é meu governo...

Espero que meus parcos leitores gostem tanto quanto eu.

A ESTRANHA SIMBIOSE ENTRE TORTURADOR E TORTURADO, PATROCINADA COM A FARTURA DO DINHEIRO PÚBLICO

Por Luiz Carlos Azenha

Apesar das políticas sociais elogiáveis, dos avanços na distribuição de renda e de sucessos aqui e ali, o governo Lula, depois de quase seis anos no poder, ainda é eminentemente antenado no triângulo Rio-São Paulo-Brasília. Posso estar errado, mas fico com a impressão de que o presidente da República é prisioneiro de sua própria insegurança e de uma profunda necessidade de ser aceito pela elite - que o trata como excrescência, um acidente político conjuminado pelos beneficiários de uma versão repaginada do pai-dos-pobres.

Basta olhar as revistas semanais, os jornais, as emissoras de TV. O governo gasta milhões de reais em propaganda em órgãos que se dedicam a enredá-lo em crises, sejam elas verdadeiras ou falsas - enquadrando-se nesta última categoria a famosa epidemia de febre amarela que não houve, mas causou prejuízo a mihares de pessoas.

Eu não acho que a propaganda oficial deva ser usada como arma política. Acredito que os recursos públicos - portanto, que saem de seu bolso - poderiam ser melhor empregados em um sem-número de atividades socialmente mais relevantes. Mas a quê assistimos? A um governo que torra milhões e milhões de reais fazendo publicidade institucional enquanto fecha rádios comunitárias, ou permite que rádios e TVs educativas continuem sendo usadas ilegalmente por políticos ou apadrinhados de políticos.

Dia desses fui jantar com um integrante de um partido de esquerda, o que automaticamente elimina o Partido dos Trabalhadores - na minha opinião, um partido social democrata quando acorda disposto.

O colega jornalista tem a sensação de que falta apetite ao governo para lidar com uma mídia verdadeiramente independente, capaz de trazer à tona temas realmente espinhosos e que nem entram na agenda da mídia corporativa: a Monsanto, os desertos verdes, a decadência dos rios brasileiros, o barragismo no rio Madeira, a ênfase no agronegócio, a falta de ferrovias e dezenas de outras questões realmente essenciais para o futuro do país.

Pensando bem, não é que uma mídia como essa poderia abrir um flanco à esquerda da coalizão liderada pelo PT?

Lula planta os dois pés no centro, molha a mão da mídia tradicional com dinheiro público, faz com que ela se deite com os partidos de oposição e garante apoio em toda uma faixa do espectro político com a mera ameaça de que amanhã "pode ser pior".

Temos uma oposição sem projeto político e um governo que se atira com vigor nas falsas polêmicas, nas discussões inúteis, nos debates desnecessários. Nisso eles concordam: é um jeito de evitar os assuntos que realmente importam. Ou de deixar que eles sejam decididos nos bastidores, enquanto os eleitores se esgoelam debatendo o dossiê do momento.

Fonte:

http://www.viomundo.com.br/opiniao/a-estranha-simbiose-entre-torturador-e-torturado-patrocinada-com-a-fartura-do-dinheiro-publico/

enviada por hudson






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