blog do Hudson


30/04/2008 15:25

O FUTURO DOS POVOS DO ALTIPLANO

Como ando sem muito tempo para falar sobre o referendo de domingo na Bolívia – que possuí relevância para toda a América Latina e é uma faceta de um perigo real de guerra civil que ronda o país – , e espero ainda hoje findar um outro artigo sobre as eleições em BH, fisguei esse artigo no Vi o Mundo do Azenha. Lá já estava em forma de reprodução, uma vez que seu autor é Luis Bilbao, jornalista, correspondente do Le Monde Diplomatique na Argentina e diretor da Revista América XXI.


NA BOLÍVIA SE JOGA O FUTURO

por Luis Bilbao, na Bolpress*

Toda pessoa consciente deveria preocupar-se com o que ocorre na Bolívia. Os Estados Unidos estão a ponto de deflagrar ali uma guerra que sacudiria a região e que logo levaria um estado de comoção e beligerância a toda a América do Sul.

A desculpa é a autonomia de quatro departamentos (Santa Cruz, Beni, Pando e Tarija); o instrumento, a oligarquia; a mídia, corpo mercenário financiado, treinado e comandado pelo Departamento de Estado através da CIA e outras agências; o objetivo, fragmentar a Bolívia, deter o processo revolucionário encabeçado por Evo Morales, introduzir uma cunha de fogo no Cone Sul e criar as condições para atacar a Venezuela e o Equador. Desde domingo passado, o Paraguai também está ameaçado. Os Estados Unidos necessitam a guerra.

A economia capitalista já não pode respirar sem ela. Erram os que crêem que o pântano do Iraque impede outras frentes de combate. É o inverso: só resta a eles seguir adiante. Mas buscam fazê-lo na diagonal, espelhando a linha de ação do Oriente Médio: abrir fissuras objetivas nas formações econômicas, sociais, étnicas e religiosas; aguçar conflitos latentes; desatar a guerra entre facções, colocar-se acima delas e cavalgar sobre a destruição mútua dos povos.

A diferença com aquela zona devastada pela invasão, pelas lutas intestinas e o constante alimento da guerra (os candidatos a suceder George W. Bush já anunciaram sua disposição de "arrasar o Irã"), é que na América Latina existe um germe de um centro político continental.

Os governos de Cuba, Venezuela, Nicarágua e Bolívia assumiram a necessidade de enfrentar o imperialismo nas condições do mundo contemporâneo, ou seja, atacando a raiz do capitalismo. A reunião de emergência realizada na madrugada do último dia 23 por Hugo Chávez, Evo Morales, Daniel Ortega e Carlos Lage - como representante de Raúl Castro - e as decisões adotadas nela, são indicativas de que esse bloco começa a atuar como direção política internacional.

Mas não é o suficiente. Os partidos e organizações com que contam estes quatro governos são a vanguarda revolucionária do continente, mas não alcançam reunir o conjunto dos trabalhadores, camponeses, jovens e dos povos desde o rio Bravo até a Patagônia. Essa é uma tarefa pendente.

A única via para atingí-la é que essas vanguardas, em toda a sua diversidade, encontrem o caminho das grandes maiorias e consigam explicar e persuadir a milhões do que está ao mesmo tempo claro mas às vezes tão obscuro: o imperialismo e as oligarquias que se subordinam a ele e os que vacilam em enfrentar a Casa Branca estão nos levando ao abismo da guerra.

É preciso detê-los. É preciso somar vontades, no mais amplo espectro possível, a partir da simples compreensão da ameaça. Não se poderá impedir a violência pedindo a Evo, como faz a OEA, que negocie com os cães de guerra atiçados por Washington. Trata-se de defender incondicionalmente ao legítimo governo indígena da Bolívia. E por todos os meios necessários.

Urge convocar reuniões em cada cidade da América Latina para explicar e debater esta conjuntura dramática. Destas milhares de assembléia deverão surgir ações de mobilização e formas de união nacional e regional. Devem estar prontas para enviar delegações a La Paz, fazer atos, concertos, encontros de todo tipo, em todas as partes, com todos e todas que entendem a gravidade do momento e com o único objetivo de amarrar as mãos assassinas do imperialismo.

*Luis Bilbao é diretor do América XXI

enviada por hudson






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