blog do Hudson


31/03/2008 18:09

O GOVERNO NA BERLINDA

O Brasil vive hoje em torno duma enorme contradição. Contradição explicitada na guerra travada entre o PIG – Partido da Imprensa Golpista – e o governo neoliberal de Luis Inácio Lula da Silva. Essa é uma tese que venho formulando e carece de maiores reflexões. O neoliberalismo não é apenas um conjunto especifico de políticas econômicas, mas sim um paradigma flexível que comporta diversos tamanhos de Estado e diferentes dosagens de fiscalismo e política monetária, como escreve em ensaio publicado na revista Margem Esquerda, em 2004, o economista e professor da PUC-SP, Carlos Eduardo Machado. Já PIG, é a alcunha que a grande mídia brasileira recebeu por pousar como imparcial enquanto age despudoradamente contra um governo legitimo eleito por sufrágio universal e ratificado quando da reeleição. PIG por trazer no seu âmago o desejo de alijar do poder aqueles que o detêm por direito e têm obrigação de governar. Mas essa tese será o tema central de outro artigo.

Por hora será apenas pano de fundo para outro tema, a tentativa da oposição em sangrar o governo utilizando-se da sua aliança tácita com o PIG criador de factóides. A oposição tenta desavergonhadamente, desde o primeiro mandato de Lula, derrubar peças que circundem o presidente e afastá-lo dos movimentos populares – numa lembrança do 18 Brumário –. O objetivo central da oposição encabeçada pelos fariseus tucano-demos, que escolheram como mentor intelectual FFHH, não é fazer oposição nos parâmetros estabelecidos pela democracia, é derrubar o governo apostando no quanto pior melhor.

A nova investida desses fariseus é expurgar da Esplanada dos Ministérios a chefe da Casa Civil, Dilma Roussef. Não venho aqui para defender a ministra ou o governo – mesmo porque me encontro ideologicamente em posição distinta do presidente e do PT, digo isso como membro do PCB –, contudo a forma canalhesca como os tucano-demos – dignos representantes do que existe de mais retrogrado e reacionário na sociedade brasileira – vêm agindo com o intuito claro de desmoralizar o atual governo, é um disparate para qualquer cidadão que acredite que uma democracia de fato ainda possa construída nesse país.

Não por acaso é no âmbito do senado federal que esses fariseus formam o graúdo dos participantes e consegue impor o quanto pior melhor. O senado não só é a casa mais obsoleta do nosso sistema bicameral, como foi instituído com o objetivo claro de resguardar os interesses das oligarquias, e após quase 120 anos da proclamação da Republica continua firme nesse propósito. É hora da sociedade brasileira discutir o verdadeiro papel do senado e a sua necessidade ou não. Todavia enquanto o debate não vem, o governo, que em primeira instância representa a sociedade e não as oligarquias, se vê acossado diante de uma oposição criminosa que usa como arma a chantagem política de obstrução das votações na Câmara Alta.

Se Lula ceder novamente como já o fez durante o primeiro mandato demitindo José Dirceu e outros auxiliares de sua confiança, o Brasil caíra na ingovernabilidade que tanto almeja os fariseus. Chegou à vez de Lula reconhecer que não tem e nunca teve a grande imprensa ao seu lado, que embora pratique políticas neoliberais e a burguesia nacional esteja enchendo as burras ela é preconceituosa e não se satisfará nunca em ver um pau-de-arara, metalúrgico, sem diploma superior ocupando o cargo de mandatário da nação, sempre preferirá um dos seus.

O discurso proferido por Lula nos últimos dias acusando os tucano-demos de destilarem ódio no senado pode ser um sinal de enfrentamento, mas será incipiente se o governo não ousar numa postura mais radical e menos conciliadora, aprofundar as políticas sociais e reformar o Estado. Mais do que ressuscitar a antiga retórica do PT é preciso colocá-la em prática. Lula e o PT, presidente e partido têm que – como se diz aqui em Minas – botar a banda na rua. E essa banda é o povo que na sua maioria apóia o governo. Trazer CUT, MST e outros movimentos sociais para marchar em defesa do governo e pressionar pela prometida mudança que não se realizou após 6 anos.

Mesmo sabendo que o PIG e a oposição conservadora darão a esse ato uma denotação populista – “o PT está pondo fogo no país” com certeza será uma de suas manchetes – não há no horizonte muitas alternativas.

Se resta dignidade ao governo Lula e ao PT, está na hora de encontrarem munição onde existe com sobra e de capitalizarem o grande apoio popular do qual goza o presidente. Isso para as pretensões de Lula de ainda ter um país governável e as do PT de ser agente ativo nas próximas eleições estaduais e federais. Caso contrário à oposição conseguirá sangrar o governo e transformá-lo naquilo que os estadunidenses chamam de “pato manco”, sem condições concretas de se quer terminar o governo conferido e confirmado pelo povo e ter um candidato de peso ao Planalto em 2010.




enviada por hudson






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