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23/03/2008 23:34
CONVERSA AFIADA
Há pouco tempo descobri na Grande Rede um espaço dedicado aos mais diversos assuntos tais como política nacional e internacional, história, filosofia, artes e música popular, entre tantos outros temas que de forma ou outra despertam a atenção do responsável pelo espaço um blog muito parecido com o que me propus a fazer, com certeza vem daí a identificação imediata entre a minha pagina na internet e aquela. A saber, esse primeiro aceso veio por conta dum artigo sobre os shows do bardo estadunidense, Bob Dylan, no Brasil.
Esse espaço pertence ao historiador e escritor Guilherme Scalzilli. Como leitor mensal da revista Caros Amigos, já conhecia, tem um bom tempo, o signatário do blog.
Pois muito bem, agora durante essa pendenga envolvendo o iG de um lado e do outro o Jornalista Paulo Henrique Amorim, foi justamente no blog do Scalzilli que me deparei com a melhor abordagem da questão. Então tomei a liberdade de republicar o post que acredito trazer uma visão lúcida, não só sobre a censura imposta ao Jornalista, mas também sobre quem é e o que significa Paulo Henrique Amorim e suas contradições.
Antes gostaria apenas de reafirmar o meu repudio pela forma canalhesca com que PHA e o Conversa Afiada foram tratados pelo iG. Repudio não muito distinto do que sinto por aqueles que preferiram se esconder, se omitir ou se acovardarem diante dum gesto grotesco e nitidamente autoritário. Que o digam, ou melhor, ou pior, que não digam nada, Nassif e Dines.
E embora tenha alguns pontos no pequeno artigo de Scalzilli com os quais não concordo plenamente, os pontos de convergência entre o citado artigo e minha linha de pensamento formam maioria.
Segue:
Quinta-feira, 20 de Março de 2008
A mudança do Conversa Afiada
A saída do blog Conversa Afiada, de Paulo Henrique Amorim, do iG provocou burburinho exagerado. Seus muitos desafetos parecem fanáticos dançando sobre caixões inimigos, como se uma simples troca de hospedagem significasse um vexame coletivo. E os defensores do jornalista enxergam censura e violências numa atitude previsível, inevitável e corriqueira, embora não seja positiva ou louvável. Até Mino Carta, diretor da Carta Capital, anunciou a retirada de seu blog dos domínios do iG, num exemplo raro de protesto levado às últimas conseqüências.
Nunca fui muito fã do Conversa, embora continue sugerindo-o aqui. Aquela telinha com a cara do PHA falando Olá, tudo bem? toda vez que a gente abria a página já me levou a instintivamente fechar tudo, sem ler qualquer postagem. Ele também desenvolveu uma persona um tanto contraditória, misturando Igreja Universal e michaelmoorismo de extrema esquerda. É difícil saber, entre a denúncia da mídia e uma luta incomodamente pessoal contra Daniel Dantas, qual é o real objetivo de PHA.
Sua acepção do PIG (Partido da Imprensa Golpista) parece-me exagerada, embora, para públicos vastos e condescendentes, a simplificação venha a calhar. Tampouco me satisfaço com seus textos, truncados em tópicos. Talvez sua participação televisiva supra essa lacuna (nego-me a assisti-lo na Record), mas no blog sinto falta de mais informações conexas e análises fundamentadas.
Idéias como as de PHA são divulgadas há décadas por outros informadores, sem a mesma repercussão. Claro, ele é famoso. Mas desconfio que amealhe tantos apoiadores por simbolizar um herói reabilitado, espécie de Robin Hood da Verdade, que decidiu escancarar os podres da mídia depois de conhecê-la por dentro. E é exatamente esse personagem que afasta importantes nomes do jornalismo atual, desconfiados de visionários que não rasgam dinheiro e acomodados numa imparcialidade mais proferida que praticada.
Agrada-me particularmente a desavergonhada exposição de parcialidade que PHA utiliza para confrontar a hipocrisia da imprensa hegemônica.
Aparentemente, a rescisão foi empreendida segundo as prerrogativas do contrato com o iG. Seria estéril divagarmos sobre os motivos da decisão. Provavelmente houve pressões de interesses pessoais ou corporativos atingidos pela cruzada anti-Dantas, gente da pesada, alheia a qualquer falatório ideológico. Talvez tenha influído também a possibilidade do iG ser condenado solidariamente numa enventual ação cível contra as acusações de PHA. Ou a proximidade fonética e visual entre o tal PIG e o nome do provedor.
Dizem que Caio Túlio Costa (diretor do iG e antigo ouvidor da Folha de São Paulo) justificou sua decisão por insuficiência comercial do blog. Ou seja, os 475 mil acessos únicos recebidos no ano passado seriam insuficientes para honrar o investimento do iG. Isso sim é bobagem, e demonstra que a rescisão não obedeceu a princípios puramente técnicos. Quando alguém precisa inventar mentiras para explicar suas atitudes, tem coelho na tuba. Os ferozes inimigos de PHA argumentam que 475 mil acessos individuais não significam grande coisa. Mentira. Esse índice pode não ter gerado dividendos (e, a propósito, como saber?), mas, nos padrões brasileiros, para um blog pessoal, sobre política, é respeitabilíssimo e igualado por poucos.
A direção do iG não procurou conferir transparência à rescisão: os leitores do blog foram privados de avisos prévios (a página foi simplesmente desativada) e PHA teve de recorrer à Justiça para recuperar os arquivos de suas postagens (leia mais aqui). Mesmo com toda a polêmica que se seguiu à medida, Costa nega-se a prestar maiores esclarecimentos. Não tem essa obrigação, mas seria um gesto de, digamos, boa vontade, em se tratando de um assunto com certa repercussão pública. Aliás, pelo menos os usuários do iG mereciam tal satisfação.
De escândalo irrelevante em escândalo irrelevante, para o bem do debate político nacional, inconformistas como Paulo Henrique Amorim vão conquistando popularidade menos por atributos próprios que pela inabilidade canhestra de seus adversários.
Fonte: http://www.guilhermescalzilli.blogspot.com/
Guilherme Scalzilli: Historiador e escritor, colabora regularmente com a revista Caros Amigos, o Observatório da Imprensa e outros veículos.
enviada por hudson
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