blog do Hudson


08/02/2008 10:00

PROJETO E UNIDADE X ELEIÇÕES QUADRIENAIS

Por Lucas Rafael Chianello


Meu grande amigo de militância e convivência diária Hudson Luiz, responsável por esse blog, abordou num texto bem escrito a questão colocada pelo Professor Emir Sader no site da Carta Maior. Entretanto, após a autorização para usar o espaço, haja vista que o blog de minha responsabilidade tem uma finalidade mais específica, de combate à mídia, coloco aqui algumas considerações.

Além do candidato, é preciso debater qual o projeto será colocado para vencer as eleições de 2010. Esse projeto, obviamente, terá um nome a sua frente. Ambos devem ser de peso para ganhar. Do contrário, o retrocesso neoliberal (mesmo que o governo Lula não tenha rompido com o neoliberalismo) seria um desastre para a população e para a esquerda brasileira.

Com a direita no governo e no poder (Lula não chegou ao poder, apenas ao governo), teríamos um retrocesso na integração latino-americana, os programas sociais do governo que o PIG chama de meros assistencialistas deixariam de operar, as secretarias especiais dos ministérios, como a de direitos humanos, por exemplo, não seriam mais pastas. Logo, com todas as críticas em geral que se fazem contra o governo Lula, uma eleição de algo à direita dele somente nos levaria ao retrocesso histórico.

Se Lula não tem um projeto de socialismo para o país e mudou de ideologia, isso, de certa forma, não é somente culpa do campo majoritário, tendência que durante anos se apoderou do PT por ter no diretório nacional uma maioria absoluta. A esquerda brasileira precisa ser humilde e ter a consciência que é fragmentada e não sabe se organizar. Enquanto ela for assim, criticar um governo que faz alianças com a direita para ter maioria no Congresso e que faz concessões de rodovias federais não passará de mera retórica. A esquerda precisa ser mais pró-ativa, ir às bases, compor bases, promover debates e cursos de formação política, enfim, se organizar.

O MST, o movimento social mais organizado do Brasil, é um modelo de organização. Trata-se, sem dúvidas, de um movimento justo, coerente e LEGÍTIMO POLITICAMENTE de trabalhadores rurais. Mas a grandíssima maioria das camadas brasileiras excluídas está na cidade e não no campo, e essas não estão organizadas, muito pelo contrário, sequer estão politizadas e conscientes de que a prosperidade individual vá um dia resolver o problema de todos.

Já dizia Lênin: “cada povo com a sua revolução”. Por sua vez, Chávez, no FSM de Caracas dizia que não se pode exigir que Lula faça igual a Chávez, ou que Chávez faça igual a Morales e assim em diante. Precisamos construir o modelo socialista brasileiro e este não está pronto.

Além disso, também precisamos ser marxistas de fato. Quando a esquerda brasileira reclama de governos municipais, estaduais e do governo Lula, seu discurso é hegeliano, pois parte da situação que se coloca em sua cabeça para fazê-la acontecer na prática. É justamente o contrário o que deve ocorrer. Primeiro compreende-se a situação para depois se tomar a medida adequada de acordo com o nosso objetivo.

Por isso, é dever da esquerda brasileira fazer a autocrítica, corrigir seus erros, construir a unidade num projeto e ousar lutar pela hegemonia-maioria da sociedade. Do contrário, restará a ela escolher de quatro em quatro anos o nome e o projeto que lhe for menos prejudicial.

Lucas Rafael Chianello é companheiro de lutas populares aqui em Poços de Caldas, estudante do curso de Direito da PUC-MG e presidente da ACJC. Também é o responsável pelo blog Além da Grande Mídia.(www.alemdagrandemidia.blogspot.com)


enviada por hudson






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