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26/02/2008 17:08
A HISTÓRIA O ABSOLVERÁ
Difícil escrever em meio a tempestade de informações que nos chegam de Cuba à todo o momento sobre da decisão de Fidel Castro. Decisão de não mais se candidatar aos cargos de Presidente dos Conselhos de Estado e de Ministros da Ilha. Sim Fidel não irá mais se candidatar, abriu mão de uma futura postulação, não renunciou simplesmente como o PIG, a nossa mídia entreguista e mazombeira e a imprensa internacional atrelada ao grande capital tanto alardeiam desde 19 de fevereiro.
Alguns jornalões, sem o menor pudor de esconderem sua satisfação, chegaram ao cúmulo ou seria ridículo? de dar em manchete: o futuro de Cuba começou a partir daquele momento profetizavam tal qual o historiador estadunidense Fukuyama profetizou o fim da História em 1989 após a queda do Muro de Berlim.
Se esquecem esses profetas dos seus anseios, que para haver de fato o débâcle de uma nação ou sociedade é impreterível que a população o queira, deseje e lute para isso. Não basta a premissa e o desejo externo se isto estiver alheio à vontade do próprio povo em questão.
Da boca de Bush já saiu inúmeras vezes que Cuba pertence ao eixo do mal e que é dever dos EE.UU. acelerarem o processo de democratização de Cuba. Talvez a Pérola do Caribe passe pelo mesmo tipo de democracia que os ianques soberbamente implantam a cada santo dia no Iraque. Ou a democracia que utilizam contra seus prisioneiros (sic) de guerra (contra quem?) em Guantánamo. Ou quem sabe Cuba possa voltar a ser bordel dos estadunidenses quem já assistiu a obra-prima do ítalo-americano Francis Ford Copolla, o Poderoso Chefão, teve a oportunidade de ver esse bordel bem representado quando a família Corleone fazia seus negócios na ilha. Claro que se trata de uma obra de ficção, no entanto é um bom retrato da realidade pré janeiro de 1959.
Tenho certeza de que o povo cubano, e não os gusanos que moram em Miami, têm por natureza uma consciência política, cultural e nacional que não deixará que se levem pelas promessas do capitalismo. Ainda mais quando se olha ao seu redor e vêem o que esse mundo de oportunidades, regido pelo onipresente deus Mercado, é capaz de fazer. Cuba é um país latino-americano com uma economia fraca e sufocada pelo bloqueio comercial imposto pelos EE.UU, entretanto seu IDH se destaca em todo o continente. Na verdade alguns indicadores sociais de Cuba são melhores que os dos paises escandinavos.
Para se entender melhor a consciência política do povo cubano, recorro ao Professor Osvaldo Coggiola:
... em Cuba quando chegaram as idéias do marxismo no final do século XIX, já existia um pensamento nacional e uma nacionalidade constituída e já havia uma tradição de Felix Varela e José Martí de ética na política , de defesa dos valores nacionais, de abandono da política de custo-benefício que ainda hoje predomina no mundo, mas não em Cuba ... (1).
E afigura de Fidel é a própria personificação desse pensamento. Fidel não cria esse pensamento, mas é criado por ele e de forma dialética o põe em pratica e constrói uma nova sociedade. Mostra que é possível uma alternativa ao capitalismo, mas sobretudo é o condutor de uma política onde a dignidade e a auto-determinação de todo um povo pode se sobrepor ao imperialismo por mais forte que ele seja e mais baixos sejam os seus truques e artimanhas. Ou será que alguém defenderá o terrorismo de estado perpetrado pelo Uncle Sam contra, não um regime, mas sim contra toda a população de uma nação soberana. Como exemplo maior cito o já falado bloqueio comercial e os ataques de aviões particulares carregados de venenos contra as lavouras cubanas.
Fidel é a última grande lenda viva do século XX, contudo isso não quer dizer que se trate um político pré-histórico ou que suas idéia e posições não tenham lugar nesse novo século. Tampouco de mistificar sua figura e absolvê-lo de eventuais erros que tenham sido cometidos durante as cinco décadas que esteve à frente do processo de revolução. Como bem diz o professor Emir Sader: Só mesmo quem não conhece as condições concretas de luta pode questionar o fato de Fidel ter se mantido à cabeça do processo revolucionário e de Cuba ter mantido um Estado forte. Entretanto até o mais reacionário de seus críticos é obrigado a reconhecer, ainda que apenas para os seus botões, os avanços ocorridos nesse período e a luta desse povo contra o maior império da história bem debaixo das barbas desse.
Prova da atualidade de Fidel é que, justamente na América Latina os movimentos anti-neoliberais ganham força e lutam para se impor diante da força do capital internacional. Portanto Fukuyama estava errado, a História não acabou em 1989. Assim como o capitalismo não é propósito final para a humanidade e nem a mão invisível do mercado pode reger todas as relações de poder.
Valter Pomar assim descreve Fidel Castro:
Fidel combina, latinoamericanamente, as características de chefe-de-partido, chefe-de-Estado e líder de massas. Ele não é um teórico como outros dirigente das revoluções socialistas ocorridas após 1917, Fidel foi basicamente um agitador e um organizador, não um propagandista ou um formulador. Apesar disso é provável que seus textos, entrevistas e discursos continuem a ser estudados por muito tempo, qualquer que seja o desfecho imediato de sua vida. Isto porque a trajetória de Fidel é a expressão individual e concentrada da história recente cubana. E Cuba foi mais longe que uma nação atrasada pode ir: transformou suas aspirações nacionais, sociais e democráticas em força motriz de uma revolução antiimperialista e anticapitalista (2).
A soberania e a auto-determinação do povo cubano é o maior legado conquistado pela revolução ao qual esse pequeno país do Caribe passa desde 1959. E é exemplo singular para os e para as nações latino-americanas e para os trabalhadores de todo o mundo.
(1) e (2) Revolução Cubana Historias e Problemas Atuais São Paulo Xamã 1998.
enviada por hudson
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