blog do Hudson


28/01/2008 17:41

Quem são os terroristas?

Após a libertação de duas reféns que há anos estavam em poder das FARC, a nossa mídia volta todo o seu rancor e preconceito de classe tentando desqualificar o gesto de Chávez e das FARC e enaltecendo a postura de Uribe – um de seus heróis e tido repetidamente ao lado da presidente chilena Michele Bachelet como contra-ponto aos movimentos anti-neoliberais que se espalham e inflamam pela América Latina, sobretudo na parte meridional do continente.

Álvaro Uribe costuma usar da sua enorme força de persuasão – que a violência avalizada por Washington lhe garante – para impor seus próprios métodos de negociação com grupos políticos e militares distintos ou movimentos sociais. A Colômbia nos últimos anos com a implantação do chamado Plano Colômbia, torna-se gradativamente uma enorme base do império ianque na América do Sul. Com um discurso de combate ao narco-tráfico o governo colombiano financiado pelo Departamento de Estado dos EE.UU. se utiliza de grupos para-militares para calar a população e cortar qualquer tipo de diálogo com as FARC.

Hoje não existe processo de paz graças à intransigência de Uribe, o guardião da democracia e paladino da justiça, imbuído de tão grande espírito público que não se permite negociar com terroristas. São justamente essa intransigência e sua postura de lacaio perante os EE.UU. que lhe garantem o apoio desse e conseqüentemente a sua sustentação no poder.

A sua postura de combate ao narco-tráfico não deixa de ser irônica quando nos recordamos que a família de Uribe ter no passado mantido forte relação com os responsáveis pelos cartéis de droga, e o próprio presidente enquanto encarregado pela agência colombiana de aviação civil ter facilitado os negócios do falecido mega-traficante Pablo Escobar.

Entre o final de 2007 e o início desse ano, durante o processo de libertação de Clara Rojas e Consuelo González, os jornalões e a tv brasileira mal conseguiam esconder sua torcida para o fracasso. Pois nitidamente o déspota Chávez sairia com uma imagem invertida daquela que esses meios de comunicação nos passa, enquanto o paladino da justiça Uribe, teria suas fraquezas expostas. Ademais o presidente colombiano também tinha conhecimento disso, tanto que tratou mesmo de sabotar as negociações bombardeando acampamentos das FARC, enquanto se desenrolavam as negociações.

Interessante e didático ver nesse caso todo o quanto o tratamento que a nossa – a “nossa” aqui é força de expressão – mídia mazombeira e entreguista dá as FARC chamando-a de terrorista, se opõe frontalmente ao tratamento dado por exemplo ao Estado de Israel, esse sim verdadeiro praticante de terrorismo. E o que é pior um terrorismo de estado. Ou transformar a Faixa de Gaza num enorme “gueto”, deixando milhares de palestinos confinados sem água, comida, remédios e na mais absoluta falta de condições básicas de sobrevivência, utilizando-se da violência para legitimar essa afronta aos direitos humanos não é terrorismo?

Ou então quando George "Cawboy" Bush invade países cuja discrepância entre o seu poder militar, bélico e tecnológico é tão monstruoso que não dá sequer para fazer comparações e lança sobre o povo afegão e iraquiano o seu arsenal - que já estava na hora de ser atualizado - é um atentado terrorista contra toda a humanidade ou não?

Sem parecer leviano, mas como a nossa mídia não se ocupa desses assuntos ao passo que busca de todas as formas defenestrar o "Eixo do Mal" propagado pelos EE.UU, além de governos populares, fico pensando, será que agora como antes, tem jornalista levando um por fora da CIA para escrever de acordo com a cartilha da Casa Branca, ou seria apenas gosto pela submissão e subserviência?


enviada por hudson






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