blog do Hudson


15/01/2008 20:19

FEBRE DO PIG (PIG FEVER) OU FEBRE SUÍNA(SWINISH FEVER)

Por Chico Hugo

A Lei de Imprensa jamais é bem lembrada. Leva o No 5.250, a data 9 de fevereiro de 1967 e a assinatura do marechal Humberto de Alencar Castelo Branco e a de Carlos Medeiros Silva, à época respectivamente presidente da República e ministro da Justiça.

Tempos de ditadura militar.

Veio para intimidar a imprensa livre uma vez que os grandes empresários ainda não se tinham dado conta das intenções da direita da Direita.

Quando as cassações começaram a atingir expoentes do pensamento conservador, políticos "amigos" e figuras como Carlos Lacerda, foi um deus-nos-acuda.

Veio o golpe dentro do golpe, o Ato Institucional nº5.

Então, não mais era preciso Lei de Imprensa.

Os patrões fecharam com a ditadura e o trabalho dos censores era mera figuração. Para fazer de conta que lutava pela liberdade de imprensa, visto que os Mesquitas se destacavam na AII - Associação Interamericana de Imprensa, o Estadão colocava versos de Camões nos espaços das notícias que não interessavam à ditadura; o vespertino Jornal da Tarde colocava receitas de bolo. E ambos se esmeravam na transcrição de versões mocinho versus terroristas elaboradas pelo DOI-CODI e pela Operação Bandeirantes - Oban; e na divulgação da Doutrina de Segurança Nacional.

Relatórios em papel com timbre de órgãos envolvidos na repressão informavam que 1.200 pessoas foram submetidas a interrogatórios, com choques elétricos, espancamentos e afogamentos pela Oban. Os mortos sob tortura eram largados em lugares ermos e a imprensa divulgava que haviam morrido resistindo à prisão, após troca de tiros.

Mas, por que, passados 40 anos, não se mexe na Lei de Imprensa? Não deveria estar na berlinda?

É dever de ofício do jornalista se reportar à verdade factual e criticar. E isso é tudo o que o Partido da Imprensa Golpista, o PIG, NÃO tem feito.

Os mesmos grupos empresariais que patrocinaram a Marcha da Família com Deus pela Liberdade e o golpe que derrubou João Goulart; que conviveram carnalmente com a ditadura e ajudaram a justificar ou acobertar suas perversões; e que não pouparam esforços para derrotar Lula em todas as suas tentativas de, na melhor democracia, chegar à presidência pelo voto do povo; os mesmos agora tentam derrubá-lo insidiosamente da Presidência.

Continuemos com a Lei de Imprensa. Ela diz:
Art. 1º É livre a manifestação do pensamento e a procura, o recebimento e a difusão de informações ou idéias, por qualquer meio, e sem dependência de censura, respondendo cada um, nos termos da lei, pelos abusos que cometer.

§ 1º Não será tolerada a propaganda de guerra, de processos de subversão da ordem política e social ou de preconceitos de raça ou classe.

Art. 12. Aqueles que, através dos meios de informação e divulgação, praticarem abusos no exercício da liberdade de manifestação do pensamento e informação ficarão sujeitos às penas desta Lei e responderão pelos prejuízos que causarem.

Art. 16. Publicar ou divulgar notícias falsas ou fatos verdadeiros truncados ou deturpados que provoquem:

I - perturbação da ordem pública ou alarma social;

II - desconfiança no sistema bancário ou abalo de crédito de instituição financeira ou de qualquer empresa, pessoa física ou jurídica;

III - prejuízo ao crédito da União, do Estado, do Distrito Federal ou do Município;

IV - sensível perturbação na cotação das mercadorias e dos títulos imobiliários no mercado financeiro.

Os textos destacados falam por si: as notícias falsas, "plantadas", creditadas a "fontes confiáveis"; os fatos truncados e deturpados; a pauta única têm procurado provocar perturbação da ordem pública e alarma social.

O alarmismo explícito adotou em suas manchetes a palavra "caos", escolhida a dedo para passar a idéia de desgoverno.

Os "caos" foram se sucedendo nas manchetes mas ninguém – graças a Deus! – os levou a sério. Quer dizer, a classe média que não votou no Lula correu aos aeroportos para ter piti diante das câmeras-plantão-24-horas esperançosa de gozar da glória de aparecer no jornal das oito.

Quando até o jornalista do New York Times que já tentou passar ao mundo a imagem de um Lula pinguço e irresponsável o trata agora como o líder que está ajudando "as Américas a se tornarem uma", nossa mídia totalmente tresloucada desde o fracassado golpe da pilha de dinheiro insiste no terrorismo editorial.

Quando se espera de um jornalismo responsável e esclarecido uma atitude de acalmar e orientar a população, eis mais um "caos":

EPIDEMIA DE FEBRE AMARELA

Epidemia, segundo o Aurélio, quer dizer: doença que surge rapidamente num lugar e acomete, a um tempo, grande número de pessoas; surto de agravação duma endemia.

Como até o momento os números estão longe de caracterizar uma ou outra acepção do verbete epidemia, fica claro o que as manchetes pretendem: ALARMAR A POPULAÇÃO!

Como vida não é brincadeira, milhões de pessoas correram aos postos para vacinação sem a mínima necessidade.

Se esclarecidos fossem pela mídia de que não ocorreu um único caso de febre amarela urbana, a corrida aos postos seria evitada e não faltariam vacinas para imunizar as populações das áreas onde a febre amarela é endêmica e os macacos hospedeiros têm aparecido mortos.

Imprensa responsável, nesses casos, sai na frente do Governo em campanha de esclarecimento:

•NÃO É NECESSÁRIO CORRER AOS POSTOS DE VACINAÇÃO.

•SÓ QUEM VAI TRANSITAR EM REGIÕES ONDE A FEBRE AMARELA É ENDÊMICA PRECISA SER VACINADO.

•A VACINA LEVA 10 DIAS PARA IMUNIZAR O ORGANISMO.

As manchetes da febre amarela escancararam o que todos os homens de boa vontade já sabem: a mídia não é digna de confiança e seus servis profissionais são de baixo coturno e maus-caracteres.

Se em boa hora o congresso resolver mexer na Lei de Imprensa, os mesmos que em 1967 fingiram insurgir-se contra ela vão acusar Lula de querer calar a boca da mídia.

Na Venezuela, Chávez esperou terminar a concessão do canal de tevê que articulou o golpe que o tirou do governo por um dia e não a renovou.

Se bem que estivesse apenas exercendo um direito constitucional, porque lá como aqui as empresas de rádio e de televisão operam por concessão do governo eleito pelo povo; e embora NÃO houvesse agido contra os demais canais de tevê aberta e a cabo que batem nele 24 horas por dia, foi acusado de "atentar contra a liberdade de imprensa".

E a nossa mídia repercutiu esta versão.

Retornemos à Lei de Imprensa!

A notícia truncada ou deturpada pode causar desconfiança ou abalo de crédito de instituição financeira ou de qualquer empresa, pessoa física ou jurídica; prejuízo ao crédito da União, do Estado, do Distrito Federal ou do Município; e perturbação no mercado financeiro.
Não é tudo que tucanos-demos e PIG desejam?

Quando a lei, na sua melhor interpretação, fala em crédito, estará se atendo à cessão de mercadoria, serviço ou dinheiro para futuro ressarcimento? À importância cedida? À facilidade de obtenção de empréstimos? À compra a prazo? À autorização de despesa nas finanças públicas?

Com certeza, a lei vai além.

Crédito quer dizer confiança, boa reputação, boa fama, consideração,
autoridade, influência, importância. E "segurança de que alguma coisa é verdadeira".

Para desespero do PIG e dos que por ele se fazem representar, o governo vem se saindo bem.

Com o barril de petróleo oscilando na faixa dos 20 dólares, a qualquer reunião da OPEP o governo FHC aumentava o preço dos combustíveis até duas vezes na semana. No governo Lula, o barril chegou a 100 dólares e não tivemos aumento em 2007.

Isso traz confiança no governo e o PIG não gosta dessa notícia.

O salário mínimo de 51 dólares ao fim do governo FHC (R$200, dólar a 3,86), no governo Lula vai a 230 dólares (R$408, dólar a 1,77). O PIG perdeu a calculadora.

As exportações aumentam e lá vem o PIG: "Isso não vai durar, o dólar tem de subir!"

O PIG já decretou a falência do agronegócio, da indústria de calçados, da construção civil... Todos vão bem, obrigado!

Ao repercutir nacional e internacionalmente notícias truncadas ou deturpadas, o PIG está cometendo crime.

Não apenas crime tipificado na Lei de Imprensa.

Crime de lesa-pátria!

Quantos turistas deixarão de vir ao Brasil amedrontados pelas manchetes da febre amarela?

Na cidade de Pirenópolis, Goiás, vazia de turistas, placas enormes avisam que a cidade não registrou um único caso de febre amarela. Os hoteleiros estão dispensando garçons e arrumadeiras. Isso é bom para o noticiário do PIG porque a criação de novos empregos é mais um dos recordes positivos do governo Lula.

Por conta dessa mídia golpista e irresponsável, quantos aviões a Embraer deixou de vender?

Quantas toneladas de carne não foram exportadas malgrado o esforço do governo de convencer países compradores de que a aftosa estava sob controle? De quanto sofrimento teria sido poupado o povo carioca se a tempestiva intervenção federal nos hospitais do Rio de Janeiro tivesse sido levada em frente?

O PIG defende a invasão da Bolívia por tropas brasileiras. Que a Venezuela – seu povo e seu petróleo – fique fora do Mercosul.

Isso é um paradoxo: televisões e rádios recebem do povo concessão para desinformar o povo. Deseducar o povo. Televisões abertas e rádios FM se multiplicaram no governo FHC e têm em comum uma coisa: o desserviço ao povo brasileiro. Apresentam programação de péssima qualidade e noticiosos tendenciosos produzidos por jornalistas mal preparados ufanos do perfil do radiouvinte ou do telespectador que traçaram: para eles, somos todos homer simpsons!

Se há alguém ardendo em febre é o pessoal do PIG -- políticos tucanos, os do PPS que renegaram sua antiga sigla, os neoliberais ex-pefelistas que preferem ser tratados por "demos" e seus porta-vozes jornalistas.

São numerosos o bastante para, conforme o Aurélio, caracterizar uma epidemia.
Se este fato ganhar repercussão internacional, o translator oferece duas opções para manchetes em língua inglesa: PIG fever ou swinish fever. Lá fora, o leitor desavisado vai traduzir por febre dos porcos!

Chico Hugo, colaborador do Blog do Hudson. É educador em Santos – SP

chicohugo@superig.com.br

enviada por hudson






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