blog do Hudson


21/08/2008 20:31

Mudança de endereço

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enviada por hudson



03/07/2008 20:40

Dúvidas na Colômbia

Ainda é muito cedo e pretendo evitar tirar conclusões apressadas, mesmo porque as notícias que nos chegam da Colômbia estão em sua maioria nas mãos da midiazona mazombeira em versão PIG e não passam de mero repetidor das agências internacionais. No entanto existe uma complexidade na libertação da senadora Ingrid Betancourt que ainda não consegui decifrar e vem me encabulando desde a tarde de quarta-feira (02/07/2008). Qual teria sido o acordo firmado entre desertores das Farc, governo colombiano e talvez, insisto talvez, a senadora a fim de garantir a soltura dessa e mais alguns outros reféns? Qual o real interesse (repentino) de Uribe em resgatar Betancourt uma vez sabido que há muito tempo ele vem usando de todas as artimanhas para boicotar negociações visando justamente essa libertação?

A ilação mais certa subtraída do recente acontecimento é que as Farc indubitavelmente estão no seu pior momento, em menos de seis meses perderam seu principal negociador (Raul Reyes), um homem-chave (Ivan Ríos) e seu fundador (Manuel Marulanda), além de ver vários desertores e ter ficado no epicentro de uma crise entre Colômbia, Equador e Venezuela. Agora perde sua moeda de troca mais preciosa. Os guerrilheiros das Farc hoje estão encurralados e com força de reação diminuta em relação a poucos anos atrás. Pode-se usar dum ditado bem popular aqui em Minas, “estão num mato sem cachorro”, pois insistindo continuar em armas, fatalmente serão trucidados pelo exército colombiano amparado por Washington e subserviente aos interesses do imperialismo estadunidense. Por outro lado depondo armas e firmando uma trégua qualquer, têm consciência que se tornarão alvo de grupos paramilitares incentivados e com ligações estreitas com o atual governo. Na prática isso já ocorreu na década de 1980 com a importunação e assassinato de vários simpatizantes e integrantes das Forças Revolucionárias e a certeza da repetição de atos tão hediondos faz recair sobre os principais nomes da guerrilha o medo da “legalidade”.

No desenrolar dessa história, embora o fantoche e lacaio de Bush apareça como o grande triunfador no episódio, fica de certa forma exposto o momento de atribulações pelo qual vem passando o governo colombiano. Inegavelmente olhando pela ótica conservadora Álvaro Uribe logrou êxito em alguns pontos com sua virulenta política de combate as Farc, a recusa em qualquer forma de negociação com o grupo e o recrudescimento da perseguição a líderes populares – quantos sindicalistas são mortos por ano na Colômbia? No entanto as recentes denúncias recaídas sobre sua administração e seus aliados – importantes membros da base de sustentação do governo no Congresso e homens próximos ao presidente já foram cassados e encontram-se na cadeia ou fugiram para Miami, enquanto outros enfrentam processos por envolvimento com narcotráfico, chacinas e grupos paramilitares de direita – põem em xeque a condição de paladino da justiça galgada junto à opinião pública interna e externa. Adota-se então como medida de contra-ponto, mas sem nenhuma inflexão, a libertação da líder carismática, o próprio marido de Betancourt acusou Uribe por diversas vezes de dificultar o diálogo para libertação da agora ex-refém.

Além do mais está sendo levado a cabo pelo próprio presidente um projeto de re-reeleição já dado como inconstitucional pela Suprema Corte daquele país, fato que levou Uribe a convocar um plebiscito para consultar o povo colombiano sobre tal alteração na Carta Magna – vale lembrar que a Constituição colombiana não previa a execução de reeleições e o atual presidente a alterou e não teve pudor algum em se beneficiar diretamente de tanto. A taxa de rejeição ao atual mandatário e as instituições políticas anda em baixa no país vizinho, como revelam pesquisas recentes, portanto já que a guerra contra Equador/Venezuela não veio, melhor encontrar outro fato que una a nação, em especial algo bem comovente.

Ficará no ar a dúvida sobre o que realmente motivou a ação do Exército colombiano libertando a senadora e o que move o chefe-do-executivo nesse episódio. O tempo ajudará a elucidar essa dúvida, sobretudo após acompanharmos a postura de Ingrid Betancourt enquanto o lacaio se empenha numa provável campanha por um terceiro mandato.

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enviada por hudson



02/07/2008 00:24

AS FALÁCIAS DA DIREITA

Incrível como a ditadura do pensamento único, o PIG e demais partidos de direita se aliaram mais uma vez, desta feita no Rio Grande do Sul – onde a governadora Yeda Crusius (PSDB) está atolada num mar de lama e corrupção – para não só criminalizar o Movimento dos Trabalhadores Sem Terra, o que na verdade já fazem há muito tempo, mas para declararem, macumunados com o Ministério Público, a ilegalidade do movimento. Esquecem esses representantes do atraso e do farisaísmo que a luta pela terra é mais antiga que a própria propriedade privada e que o movimento é legal e legitimo. A decisão do Ministério Público não procura em nenhum momento esconder seu viés autoritário assemelhando-se a uma direita degradante e um fascismo rococó. Não basta o Brasil ser exceção por nunca ter realizado aquilo que quase todos os países já fizeram, ou seja, uma reforma agrária, agora querem enquadrar na Lei de Segurança Nacional – ainda não a ressuscitaram, mas pelo andar da carruagem estão bem próximos disso – aqueles que a defendem.

Nos Estados Unidos a reforma agrária deu-se através da ocupação de amplo território onde as famílias que por mais de cinco anos trabalhassem na terra garantiam o direito de posse. A pequena propriedade foi sem dúvida um dos alicerces para o vigoroso crescimento econômico do Uncle Sam durante o século XIX . No Japão despedaçado e humilhado do pós II Guerra Mundial, os donos de terra doaram toda a propriedade privada rural ao Estado afim desse realizar a reforma agrária e isso somado a outras medidas contribuiu para um drástico salto tornando a “Terra do Sol Nascente” uma pujança econômica capaz de fazer frente ao seu antigo algoz, os EE.UU. Outro exemplo é a reforma agrária realizada no Chile por Salvador Allende. Nesse país sul-americano a pequena propriedade gerou emprego, robusteceu a pequena indústria e funcionou como mola para o crescimento de toda a economia até então baseada no extrativismo e mineração – mas claro, é pedir demais para nossa direita reconhecer tais avanços no Chile de Allende, preferem dizer que Pinochet sim, desenvolveu o país sem explicar como e os métodos utilizados –. Até Israel já fez uma reforma agrária, se bem que dividiu terras que nunca lhe pertenceu.

O setor conservador de nossa sociedade ao mesmo tempo que cultiva horror e ódio pelo MST joga loas de elogios para o famigerado agronegócio baseado no binômio concentração de renda e destruição do meio-ambiente. Ademais o agronegócio hoje em dia mostrasse mais aliado do que nunca aos interesses do grande capital internacional e disposto a entregar a soberania do Brasil desde que isso lhe garanta encher as burras.

Curioso a diferença de tratamento dispensado aos grandes latifundiários e aos sem-terra. Quando os primeiros correm a Brasília para pedir perdão das dívidas – o termo usado por eles não é esse e sim “renegociação”, o que na pratica não passa de eufemismo – boa parte da imprensa, os partidos da direita farisaica e até alguns setores proclamados de esquerda, defendem essa “renegociação” sob pena de ao contrário a agricultura brasileira quebrar e ser esse um setor essencial para a economia e a sociedade com um todo. No entanto ao mesmo tempo em que correm a pedir auxílio ao Estado evocam o direito sob a propriedade privada e seu controle além de se ajoelharem frente ao deus Mercado. Paradoxal essa relação entre latifundiários e Estado no Brasil. Se são empresários liberais – e é o que são em última estância – deveriam resolver seus problemas de forma a não precisar do guarda-chuva do Estado. Vivem num dilema. Quando o “mercado” está bom não querem saber de nenhuma regulação por parte do Estado, mas ao primeiro sinal de crise correm para este lhe salvar do mau tempo prenunciado. Diferentemente do que ocorre na França ou em alguns outros países europeus, onde justamente pela agricultura ser um setor essencial à sociedade, o Estado regula e subsidia a produção de alimentos e produtos agrícolas.

Já quando é o MST que reivindica mais verba ao governo federal é acusado de pegar dinheiro público para gastança, de não saber administrar os recursos que lhe são repassados, de desvios e financiamento de grupos armados no campo. Não passam de um bando de baderneiros e vagabundos acostumados a viver de esmolas dos sucessivos governos. Esse é o discurso dominante e maniqueísta de hoje em dia, tentando provar ser o agronegócio o mocinho da história e o MST o vilão. Triste sina a de um país que se deixa levar por tal maniqueísmo.

enviada por hudson



24/06/2008 00:15

QUOCIENTE ELEITORAL, UM MAL NECESSÁRIO

Soube há pouco tempo que o TSE está discutindo a hipótese de alterar as regras sobre o quociente eleitoral. A discussão se trava no pedido de Mandado de Segurança 3.555 do candidato a deputado federal nas eleições de 2006 João Caldas (PR). O quociente eleitoral necessário para ocupar vaga de deputado em 2006, em Alagoas, foi de 154,3 mil votos. A sua Coligação Alagoas Força do Povo obteve apenas 152 mil votos, o correspondente a 10,9% dos votos válidos do estado, mas abaixo do quociente eleitoral. Por isso, a coligação não participou da distribuição da sobras. Caldas foi candidato mais votado da coligação, com 34,3 mil, mas não teve direito a mandato. Foram eleitos deputados com menos votos, mas cujo partido atingiu o quociente eleitoral.

Faz sentido o ex-parlamentar entrar na justiça para obter seu mandato? Na minha opinião – e não sou jurista – não, não faz sentido. Pois Caldas concorreu com outros candidatos sabendo de antemão da existência do quociente eleitoral em eleições proporcionais, além do que já havia sido eleito em outras eleições com o mesmo formato.

Nunca morri de amores pelo voto proporcional em lista aberta como o é no Brasil. No meu entender ele transforma cada unidade federativa – estado, Distrito Federal e municípios, – em enormes e desiguais distritos eleitorais fazendo com que os maiores adversários não estejam fora do partido, ao contrario dentro da própria agremiação, personaliza o voto e desvirtua o programa partidário – se é que existe. Consegue ser ainda mais nefasto se conjugado a coligações que na suma não respeitam a vontade do eleitor, pois esse vota em vários candidatos e partidos de uma só tacada.

Um debate aberto e que se encontra no horizonte das possibilidades reais mas ainda carece de maior amadurecimento por parte da sociedade, é uma reforma política – ainda que simplória pois manteria inalterado o quadro da divisão federativa – com introdução do voto em lista, financiamento público, regras claras para determinação da lista partidária eleitoral e adoção do voto único em cada esfera federativa, onde o eleitor não poderia optar por mais de um partido ou coligação no âmbito municipal, estadual ou federal.


No entanto enquanto tal debate apenas amadurece, acredito que o voto proporcional em lista fechada seria o mais adequado na atual conjuntura que obviamente não é ad eternum. A dinâmica atual da correlação de forças entre movimentos progressistas, democráticos e populares versus movimentos conservadores, a constituição da sociedade civil organizada, a divisão clássica dos três poderes, o bicameralismo e a volúpia do mercado e do poder econômico sobre o Estado, somados a cultura brasileira de pouca democracia participativa, nos leva a uma conjuntura onde as oligarquias políticas se mantêm por gerações no poder.


Todavia pior do que insistir no voto proporcional como está é modificar o quociente eleitoral – único instrumento existente hoje capaz de balizar a disputa política sem transformá-la em jogo puramente individual e personalista, dando algum sentido a instituição partido político – de forma que o deturpe.

A deturpação desse instrumento na prática tornará toda eleição em majoritária.

Particularmente nós agrupados ideologicamente na esquerda, devemos nos opor a tanto, pois o poder legislativo, um dos poucos canais que consegue exprimir algum tipo de representação popular – ainda que muito pequeno – e trazer a tona debates que fujam da mesmice e da ditadura do pensamento único, estará fadado a sucumbir de vez ao poder econômico. Se hoje alguns poucos representantes de movimentos sociais populares e sindicais conseguem se eleger na “rabeira” de uns puxadores de votos – na maior parte das vezes financiados pelo grande capital –, isso será abolido, pois apenas aqueles políticos adestrados pelo sistema receberão “doações” volumosas o suficiente para garantir a eleição, uma vez que dependerão exclusivamente de seus próprios votos.

Ademais sem o quociente eleitoral as eleições para deputados e vereadores ganhariam tom de disputa pessoal e seria incoerente com a decisão do STF do ano passado que definiu o mandato como do partido e não do ocupante da cadeira. Essa decisão é coerente com todas as bases do pensamento liberal que pressupõem os partidos como pilar para existência da democracia representativa. Nesse caso pior que a democracia representativa é a personalização das instituições burguesas. Uma mudança profunda nas regras do quociente eleitoral tornaria os partidos mera formalidade, mais uma vez se perderia um debate, dessa vez o interno de cada agremiação, restando apenas os caciques de cada como detentores exclusivos do poder.

enviada por hudson



19/06/2008 19:03

O DECRETO DE LUCIA HIPPOLITO

A data é 8 de julho de 1990, no Estádio Olímpico de Roma é disputada a grande final da Fifa World Cup. Com um gol de pênalti convertido pelo ala Andreas Brehme, a seleção de futebol da Alemanha Ocidental bate a seleção da Argentina e chega de forma invicta, com o melhor ataque e saldo de gols da competição, ao seu terceiro título mundial.

Por que afinal de contas estou escrevendo sobre futebol, uma vez não ser do meu feitio utilizar esse espaço para um assunto que embora eu até goste, acho, ou melhor, mais do que simplesmente achar, tenho certeza, existem coisas muito mais interessantes e relevantes a serem discutidas? Explicarei.

No início da semana a “analista política” – dizem também ser cientista política, no entanto só a vejo como analista – Lucia Hippolito, que vende sua força de trabalho à família Marinho, decretou com todas as palavras que a eleição de Lula fez um mal danado ao Brasil, por ele não ter tido antes experiência administrativa e comparava o governo do Presidente Lula a seleção brasileira de futebol comandada pelo técnico Dunga.

Leiam o que ela disse ao vivo na segunda-feira de manhã na rádio CBN após a ressaca da derrota do Brasil por 2 X 0 para o Paraguai:

“...Uma das coisas que talvez o presidente Lula tenha feito mal para o país, porque as pessoas acham que podem, de repente, se candidatar presidência da República sem nunca ter feito nada. Olhe o Dunga, nunca foi técnico nem do time da esquina da rua dele. Agora já virou técnico da seleção brasileira e acha que sabe tudo. Olhe a ministra Dilma [Roussef], nunca administrou nada a não ser a Casa Civil, com esses problemas todos que ela está tendo, já acha que pode ser presidente da República. Dureza, hein??...”

Ora!!! motivos para criticar o governo Lula existem aos borbotões, mas como redundaria em reconhecer o papel direitista e neoliberal desse, Dona Lucia prefere apelar para a simploriedade. Ao dizer tamanha “asneira”, a “analista” deixa de lado qualquer análise aprofundada sobre o governo Lula, seja empírica ou teórica e adentra pela vereda do simples preconceito social e de classe.

Lembro-me dessa mesma analista em 2005 dizendo no Programa do Jô (argh!!!) que a melhor lição a se extrair da série de denúncias que pairavam sobre o governo Lula, seria o povo aprender a não votar em “aventureiros” sem cacife e experiência para administrar a máquina pública e o Estado brasileiro. Na opinião de Dona Lucia, nós brasileiros deveríamos esquecer tudo o que aprendemos sobre democracia e os políticos darem seu lugar a tecnocratas bem preparados e tarimbados para governar esse país . Será que ela enquanto cientista política compreendeu bem o pensamento do alemão Max Weber? Será essa a forma de Dona Lucia interpretar as características da Teoria Burocrática?

Fica ainda outra dúvida no ar. Por que a analista não citou em sua analogia o ex-presidente Fernando Henrique Cardoso? Afinal de contas FFHH não tinha experiência nenhuma à frente do executivo antes de tornar-se presidente da República em 1995?

Ademais após os militares saírem do Palácio do Planalto quem ocupou o cargo e tinha a tal experiência, foram José Sarney (governou o Maranhão entre 1965-1970), Fernando Collor de Mello (prefeito biônico de Maceió entre 1979-1982 e governador de Alagoas entre 1986-1989) e Itamar Franco (prefeito de Juiz de Fora por duas oportunidades nos períodos de 1967-1971 e 1973-1974), no entanto se alguém ousar dizer que foram grandes governantes, por favor tragam rapidamente esse alguém do mundo da Lua.

Ah!!! Ia me esquecendo. O que a declaração de Dona Lucia tem a ver com a final da Copa do mundo de 1990? É que o técnico alemão-ocidental era Franz Beckenbauer, que antes não havia treinado sequer o time de futebol da esquina da rua dele.

enviada por hudson



13/06/2008 10:24

CARTA ABERTA AO SENADOR PEDRO SIMON

Caro Senador Pedro Simon

Há tempos que acompanho vossa trajetória política como representante desse grande estado da federação, o Rio Grande do Sul. Estado de uma tradição política impar no Brasil, capaz de se levantar e indignar muitas vezes na Historia desse país.

Quanto ao senhor me lembro bem de vossas declarações e atitude firme durante vários escândalos que se abateram sobre nossa jovem democracia. Durante o “mensalão” lembro me de diversas frases proferidas pelo senhor, dando conta que o governo Lula não tinha mais condições de se sustentar, que havia se transformado num morto vivo, num governo cadavérico (não exatamente essas frases, mas com sentido similar).

Muito me espanta agora o vosso silêncio sobre a verdadeira máfia que se instalou no Palácio do Piratini e fico me perguntando qual seria o motivo de tamanho silêncio. Teria o senhor se rendido à pequena política, a política de bastidores? Será que o senhor sempre jogou para a torcida e agora a máscara veio a cair? Será que o senhor considera sem importância as denúncias contra a governadora Yeda Crusius? Será que o senhor só é contra a corrupção se essa for praticada por adversários políticos?

São indagações que eu e muitos outros cidadãos estamos fazendo e nos deixando perplexos.

Gostaria muito de receber uma resposta vossa, nem que fosse para apenas afirmar que quem está equivocado e deveria ser punido é o vice-governador Paulo Feijó, assim como pensa vosso companheiro de Casa, Heráclito Fortes.

Hudson Luiz Vilas Boas, sociólogo

Poços de Caldas - MG



enviada por hudson



10/06/2008 17:55

O JEITINHO TUCANO DE GOVERNAR

Nos últimos anos, especificamente após a primeira vitória de Lula e a chegada de alguns grupos do PT – nunca o partido como um todo – ao governo – nunca ao poder – a grande imprensa brasileira – que algum tempo depois ganharia o codinome de PIG – passou a tratar o governo federal como antro de corrupção, ineficiência e irresponsabilidade. Na visão conservadora dos principais meios de comunicação do Brasil, essa chegada ao governo se configurou como uma das sete pragas do Egito. Travestidos numa rude fantasia carnavalesca de isenção, imparcialidade e apartidarismo, Organizações Globo, Folha de São Paulo, Estado de São Paulo e as secundarias redes privadas de TV – não cito o panfleto de lutas anti-populares Veja dentre o espectro de veículos que se dizem isentos, porque verdade seja dita, o Grupo Abril pode ser acusado de tudo, menos de hipocrisia nesse tema, pois desde sempre deixou clara sua postura oposicionista – proclamaram uma cruzada contra o presidente Lula, cruzada que pouco a pouco se mostrou inglória dada à popularidade e o carisma do ex-líder sindical.

Esses veículos passaram a ditar os rumos da oposição partidária institucional num caso de simbiose complexa onde levam e deixam se levar por uma postura reacionária, farisaica e udensita – é bom lembrar que o PT enquanto oposição, por diversas vezes também recorreu a um udenismo requentado, coisa que o PSOL parece adorar. Ficou sempre a escanteio debates mais profundos sobre questões de interesse nacional e irregularidades surgidas nas esferas estadual ou municipal se o mandatário em questão for de alguma forma oposição ao governo federal. Algumas personalidades antes tratadas pelo PIG como aliados, tornaram-se como que por encanto da noite para o dia em adversários, no mesmo instante que se aliaram ao Palácio do Planalto. Dois exemplos são Renan Calheiros e Paulinho Pereira da Silva. A imprensa até então leniente e permissiva, não havia se ocupado com a atuação nada ilibada de nenhum dos dois ou com sua carreira política pregressa enquanto se mantiveram ao lado dos tucanos. Mas como sempre esteve no DNA de ambas personalidades ser governo independentemente do governo que for – desde que mantenha seus interesses –, tornaram-se figuras defenestradas. A imprensa só descobriu a podridão existente por trás de cada um deles depois que se aliaram ao governo Lula, ato que se consumou como pior crime a ser cometido, com pena de se tornar alvo preferencial do PIG. Curiosamente só assim a imprensa trouxe a tona o “mar de lama” – xô Carlos Lacerda – em que Calheiros e Paulinho sempre chafurdaram.

Mas estarrecedor mesmo, a ponto de acabar de vez com a pouca credibilidade desses veículos, é a atitude similar que adotaram na tentativa de abafar os escândalos recentes envolvendo governadores tucanos, ao passo que acendem todos os holofotes para o desfecho da CPI dos Cartões Corporativos e a instalação de uma CPI da Variglog – utilizando-se do velho roteiro denuncista, dessa vez protagonizado por funcionários exonerados da Anac, exoneração pedida à exaustão pelo próprio PIG.

Em 2006 o PSDB elegeu seis governadores. Vejamos quem são eles e o que mídia esconde sobre cada um – ou tenta esconder ao máximo.

1- Cássio Cunha Lima, Paraíba: Reelegeu-se no segundo turno de 2006, todavia permanece no cargo desde meados do ano passado graças a liminares concedidas pelo TSE. Aguarda o julgamento de seu recurso uma vez que teve o mandato cassado por “duas” vezes pelo TRE-PB. A primeira cassação de Cássio Cunha Lima Cunha Lima foi em 30 de julho de 2007 por distribuição de 35 mil cheques da Fundação de Assistência Comunitária no período eleitoral de 2006, quando disputou a reeleição.

O motivo da segunda cassação é a condenação após ser acusado pelo Ministério Publico Eleitoral de abuso de poder político, por meio do jornal estatal "A União", durante a campanha eleitoral de 2006. O TRE determinou a inelegibilidade de Cunha Lima por três anos e multa de R$100 mil. A condenação vale também para o vice-governador, José Lacerda.

2- José de Anchieta Júnior, Roraima: Assumiu após a morte do governador eleito Ottomar Pinto, também tucano. É no mínimo conivente – para não dizer incentivador – com crimes perpetrados contra a União, o estado de direito e atentados aos direitos humanos praticado por rizicultores liderado por Paulo César Quartieiro, prefeito de Paracaima. A resistência ao cumprimento do decreto de homologação da Reserva Raposa Serra do Sol é uma afronta ao Estado Brasileiro que durante três anos tentou de todas as maneiras possíveis um acordo para a solução do impasse, oportunizando inclusive, o direito ao contraditório a todos os envolvidos, especialmente aos arrozeiros. Mas não é o que pensam os grileiros convertidos ao terrorismo e enaltecidos por Anchieta Júnior.

A resistência organizada por um grupo de apenas seis rizicultores tomou contornos de uma verdadeira guerrilha. Ações terroristas como o bloqueio de estradas, fabricação de bombas caseiras, pontes queimadas e cárcere privado, com o objetivo declarado de impedir o cumprimento de uma decisão judicial.

Tudo isso com o aval, nem tão velado assim, do governador.

3- Teotônio Vilela Filho, Alagoas: O ex-senador se elegeu no primeiro turno de 2006. Seu mandato vem sendo marcado pelo “choque de gestão”. Choque de gestão na visão tucana não passa de eufemismo para o fim de qualquer política pública e morte por inanição do estado que vem sendo acometido por sucessivas paralisações e greves em setores essenciais como saúde, educação e segurança.

O estado de Alagoas encontra-se sucateado e Teotônio Vilela Filho conseguiu em pouco tempo virá-lo de pernas para o ar, lançou mão de uma medida inconstitucional, arbitrária e autoritária para através de um decreto revogar leis, algumas com quase um ano de vigência, que concediam aumentos salariais amplamente discutidos com os Sindicatos de várias categorias de servidores públicos. Passou o calote nos fornecedores do Estado e nas mães do bolsa escola além da própria Assembléia Legislativa.

4- Aécio Neves, Minas Gerais: O campeão de votos do ninho tucano, se reelegeu com mais de 60% dos votos validos e é expert no que tange silenciar a imprensa. Aécio raramente aparece na mídia em situações desconfortáveis ou constrangedoras. Quando isso acontece, como no caso do “Mensalão Tucano”, a imprensa mineira é a última tocar no assunto.

Via de regra, a imprensa mineira espera um sinal de fumaça do Palácio da Liberdade para entrar na pauta, sempre na esteira da defesa do governador. Nos bastidores do Palácio da Liberdade, sede do governo mineiro, existe uma azeitada máquina de comunicação e propaganda trabalhando a todo vapor para manter a imagem de Aécio intacta e em alta até as eleições de 2010.

Esse projeto de poder, que começou a ser gestado em 2002, é baseado no binômio truculência e dinheiro. Casos de jornalistas que ousaram quebrar essa regra e foram demitidos ou ameaçados existem aos borbotões. O resultado, em muitos casos, é a opção pela auto-censura como forma de sobrevivência.

Esse consenso tem sido financiado através de farta publicidade estatal. Não é a administração direta, mas as estatais que mais gastam em comunicação e publicidade. Com isso fica mais difícil a fiscalização da Assembléia Legislativa, que ainda por cima conta com uma oposição pouco coesa. “Minas é um estado com alto grau de censura. A imprensa, aqui, é porta-voz do governo Aécio.

5- José Serra, São Paulo: Embora Aécio seja o expert em calar a imprensa, é Serra o “namoradinho” dela. Na verdade a imprensa paulista parece ter um enorme “apreço” pelos governadores do estado, sobretudo se forem tucanos acostumados a engavetar CPIs como é o caso do ex-ministro da educação e ex-prefeito da capital paulista. Recentemente estourou na Europa o escândalo da Alstom, multinacional de origem francesa investigada na Suíça e na França por subornar autoridades de vários países para obter contratos lucrativos.

A Polícia Federal cita quadros importantes da hierarquia tucana, envolvidos em facilitações para obras do Metrô. As falcatruas teriam ocorrido nas gestões Covas e Alckmin. A base aliada tenta instalar uma CPI sobre o caso no Congresso Nacional, já que todas as tentativas de investigação iniciadas na Assembléia paulista são abortadas pela força da maioria serrista.

Até o momento foram lembrados David Zylberstajn, secretário de Energia do governo Covas e genro de FHC; Robson Marinho, conselheiro do Tribunal de Contas do Estado, coordenador da campanha de Covas e ex-chefe da Casa Civil de seu governo; Mauro Arce, que foi secretário de Energia, presidente da Sabesp e do Dersa (governos Covas e Alckmin) e atualmente comanda a pasta de Transportes do governo Serra; Andréa Matarazzo, o todo-poderoso secretário municipal de Subprefeituras (gestão Kassab), outro ex-secretário de Energia.

6- Yeda Crusius, Rio Grande Do Sul: essa é a cereja do bolo. A até 2006 deputada federal, conseguiu sobrepujar o então governador Germano Rigotto e o ex Olívio Dutra nas eleições daquele ano para surpresa de quase todos. Agora está a um passo de sofrer processo de impeachment. Caso sobreviva terá mais de dois anos de um governo cadavérico – Pedro Simon, aquele que a mídia tradicional chama de reserva moral do Senado, proferiu frase semelhante sobre o governo Lula em 2005, hoje é um dos aliados da governadora e não toca no assunto.

A Procuradoria Geral da República no Rio Grande do Sul apresentou denúncia contra 44 pessoas envolvidas na fraude do Detran. Entre elas, estão políticos do PP, PSDB, PMDB e PTB e um dos coordenadores da campanha eleitoral de Yeda Crusius, Lair Ferst. Segundo o procurador da República, Ivan Cláudio Marques, as investigações revelaram a existência de uma superestrutura criminosa que desviou cerca de R$ 44 milhões do Detran, entre julho de 2003 e novembro de 2007 (uma média de aproximadamente R$ 1 milhão por mês).

“Não estamos falando de algo ilusório”, disse o procurador ao defender a riqueza de provas levantadas pela investigação iniciada em maio de 2007 a partir de suspeitas sobre os contratos firmados pelo Detran com as fundações Fatec e Fundae, ligadas à Universidade Federal de Santa Maria (UFSM). Além da descoberta da fraude, destacou o procurador, as investigações conseguiram estancar uma hemorragia de aproximadamente R$ 1 milhão/mês. Desde novembro de 2007, quando foi desencadeada a Operação Rodin, deixaram de ser desviados pelo menos R$ 6 milhões.

Quando ainda estava tentando absorver esse duro golpe, o governo gaúcho sofreu um novo baque nesta última quinta-feira (5/6/2008) com a divulgação da carta que o empresário e lobista tucano Lair Ferst escreveu para a governadora (em 2007, antes da ação da Polícia Federal, que ocorreu em novembro) denunciando uma suposta campanha difamatória contra ele e a ação de um grupo mafioso com a participação de integrantes do governo.

A carta é explosiva. Lair Ferst diz que, em virtude da visibilidade adquirida durante a campanha eleitoral de Yeda (na CPI, ele assegurou que não teve nenhum papel importante na mesma), passou a ser vítima de uma campanha difamatória por parte de um grupo de pessoas corruptas chefiadas por José Fernandes, da empresa Pensant, um dos pivôs da fraude no Detran.

Quando a situação parece ruim ainda pode piorar. No sábado o vice de Yeda, Paulo Feijó (DEMO), afirmou em escuta gravada por ele mesmo da conversa com o chefe da Casa Civil do Estado, Cézar Busatto, em 26 de maio, saber da existência de uma quadrilha no Banrisul e no Detran desde 2003. Segundo o presidente da CPI do Detran-RS, Fabiano Pereira (PT), Feijó entregou o CD para a deputada Estela Farias (PT) para que fosse ouvido em sessão da CPI – Os Demos estão discutindo qual a punição a ser imposta ao vice-governador por tal atitude!!!

Bem, se governando apenas seis das 27 unidades da federação, o PSDB consegue fazer tanto, imaginemos sua volta ao poder central – ou apenas lembremo-nos os sombrios oito anos de FFHH no limite de sua irresponsabilidade. Pena que o PIG não goste de discutir esses “assuntos”. Ocupa-se demais com garrafas de uísque cheias de dólares ou com a compra de “uma” tapioca com cartão corporaivo. Os casos envolvendo governadores tucanos não passam de “mera banalidade", ou, como diz o governador paulista José Serra, "kit PT pré-eleitoral”.








enviada por hudson



08/06/2008 19:20

COMO A MÍDIA DE MINAS GERAIS ESCONDEU CRÍTICAS A AÉCIO NEVES

Por Vilmar Berna, do Portal do Meio Ambiente

“Jornalismo é publicar o que alguém não quer que seja publicado; todo o resto é publicidade.” – George Orwell

Colegas, todos sabemos que um novo modelo de desenvolvimento e de consumo, mais sustentável e responsável e também mais justo depende fundamentalmente da sociedade saber escolher melhor seus governantes e adotar novos hábitos de consumo. Entretanto, só é possível escolher melhor se a população tiver acesso às informações democráticas e adequadas sobre o comportamento e a gestão dos seus governantes e sobre o real impacto dos produtos que consome.

Se a sociedade só tem acesso às informações positivas sobre seus governantes, e se as informações negativas lhe são negadas, então não pode ser responsabilizada pelas más escolhas que faz ao manter no poder governantes que não deveriam ter sido sequer eleitos.

Quando governantes compram a mídia para que só divulgue o que for positivo e oculte o que for negativo, quando as empresas sonegam informações sobre os reais impactos e sobre as externalidades do que produzem, fazem com que a sociedade prossiga escolhendo eleger os mesmos donos do poder e perseguindo um modelo de produção e consumo que acha o único bom e verdadeiro capaz de gerar progresso e atender às necessidades de todos.

Todos sabem das relações ocultas entre o poder e a imprensa (sempre com as raras exceções, para não sermos injustos), entretanto, também sabemos que é muito difícil comprovar essas relações e mais difícil ainda é conseguir dar divulgação adequada sobre os reais impactos do atual modelo de produção e consumo, numa mídia dependente do poder econômico dos governantes e das empresas para continuar existindo.

O impacto dessas relações ocultas na vida dos profissionais é sufocante, pois sem saber exatamente que tipo de conluio os donos dos veículos, seus patrões, estabeleceram com os donos do poder e com os patrocinadores, colocam o emprego em risco todas as vezes em que ousam mostrar o lado negativo de algum poderoso.

Existe algo de muito podre em nossa imprensa eufemisticamente chamada de livre e, pior, parece que ninguém está dando muita bola para isso, no estilo de ‘me engana que eu gosto’.

Cito dois exemplos que evidenciam essas relações ocultas. O primeiro é o episódio mostrado pela imprensa estrangeira envolvendo o potencial futuro presidente da República Aécio Neves, a TV Globo e os jornais de Minas Gerais.

O segundo exemplo é revelado pela pesquisa do EPCOM (Instituto de Estudos e Pesquisas em Comunicação) que ao cruzar os dados da Agência Nacional de Telecomunicações (Anatel) com a lista de prefeitos, governadores, deputados e senadores de todo o país comprovou que os políticos de direita são os "donos da mídia" nacional.

No total, 271 políticos são sócios, proprietários ou diretores de emissoras de rádio e TV. Este número, porém, corresponde apenas aos políticos que possuem vínculo direto e oficial com os meios de comunicação – não estão contabilizadas as relações informais e indiretas (por meio de parentes e laranjas), que caracterizam boa parte das ligações entre os políticos e os meios de comunicação do país.

Vilmar Sidnei Demamam Berna é escritor e jornalista

Extraído de:

[http://www.viomundo.com.br/voce-escreve/como-a-midia-de-minas-gerais-escondeu-criticas-a-aecio-neves-publicadas-no-le-monde/]

enviada por hudson



02/06/2008 18:19

FALTA DE TEMPO

Ultimamente ando ocupado com diversos afazeres, que além de me tomarem um tempo precioso vêm me impedindo de dedicar a temas que considero importantes para a sociedade brasileira e gostaria de debatê-los nesse espaço. Na verdade a cada dia me deparo com mais e mais temas que gostaria de esmiuçar e discorrer. Mas como o tempo é finito, tenho várias outras obrigações e não quero deixar meus parcos – porém fiéis – leitores sem nada para ler e refletir por esses dias, recorrerei novamente ao blog de Guilherme Scalzilli.

O Historiador assina um belo artigo sobre a tendência velada do STF de se tornar legislador, atropelando a proclamada independência entre os três poderes e o seu mal disfarçado apelo midiático em uma questão que ainda deixou patente o conservadorismo dogmático – e maléfico – de alguns fundamentalistas cristãos.


A EVOLUÇÃO É INEVITÁVEL

Por Guilherme Scalzilli



A Lei nº. 11105/2005, que permite a pesquisa com células-tronco, é restritiva e atrasada em relação às similares vigentes em outros países. Ela representa um gesto acanhado do Congresso Nacional, cujo notório conservadorismo foi vencido a custo por lobbies mais ou menos confessáveis.

Tribunais não legislam. O STF só encenou sua pantomima porque foi consultado para determinar a constitucionalidade da lei. As intermináveis ponderações normativas e os atrasos regimentais deram aspecto revolucionário a uma decisão que, em tese, já havia sido escrutinada por esferas competentes do Legislativo. Esse espetáculo um tanto soberbo do Tribunal reitera seu apego pelo vício “legislatório”, que contamina certos debates de vasto apelo midiático. Numa situação de completo desapego ideológico e ausência de vaidades, o julgamento seria rápido, desinteressante e previsível.

As pressões do fundamentalismo cristão revelam quão distantes as instituições religiosas encontram-se da realidade histórica, e o grau de malefício coletivo que estão dispostas a provocar para impor seus dogmas. O apoio recebido por elas de setores importantes da sociedade, inclusive magistrados e congressistas, demonstra uma preocupante força mobilizadora do espírito retrógrado.

A manipulação de embriões permanece uma abstração científica, ainda subjetiva e de resultados incertos. Há outros temas fundamentais e urgentes escondidos sob a polêmica. O mais imediato é a criminalização do aborto, baseada na tese de que a concepção origina um ser humano completo, independentemente do estágio celular. No campo simbólico desenvolve-se um conflito entre fé e ciência para determinar que esfera deve prevalecer em decisões envolvendo o corpo e a saúde, a intimidade e o livre-arbítrio – e que atingem, no limite, sexo, drogas, casamento, homossexualidade e outros tabus.

Em nível macro-histórico, as pressões do atraso são desimportantes, porque fadadas ao limbo. As liberdades individuais e o progresso científico estão no cerne da tumultuosa e dramática evolução humana. Eventuais ondas retroativas sempre originam, inevitavelmente, avanços ainda maiores. A luta possível (e necessária) é para viabilizá-los enquanto parecem utópicos.

A dificuldade de superar certos paradigmas ultrapassados talvez ilumine um novo caminho para a militância político-partidária, calcada em programas ainda menosprezados pelas cartilhas ortodoxas. As esquerdas tradicionais têm muito a aprender em tais circunstâncias.


Extraído de:

[http://www.guilhermescalzilli.blogspot.com]


enviada por hudson



28/05/2008 21:33

REPARAR ANTES TARDE DO QUE NUNCA

O mais belo quando idealizamos a democracia – não enquanto conceito absoluto, mas sim enquanto forma de governo, governo da "comunidade de cidadãos" – sem adjetivos, sem máscara e com objetivos claros de atender a todos os seus cidadãos, consiste na isonomia e equanimidade entre esses. A declaração dos direitos do homem e do cidadão durante a Revolução Francesa é peremptória nesse sentido. Imbuídos da filosofia iluminista, seus idealizadores vislumbravam abranger todos os homens na mesma esfera, ou seja a de entes com direitos e deveres iguais como principio universal da Democracia Moderna.

Todavia já passados mais de 200 anos da chegada de Napoleão Bonaparte ao poder e o epílogo da Revolução Francesa – curiosamente a chegada de Napoleão ao poder consolidou os avanços da Revolução ao mesmo passo que a findou – ainda nos debatemos sobre a igualdade de nossos cidadãos cá no Brasil. Não conseguimos ainda estruturar uma sociedade equânime e nem reconhecer os direitos dos povos historicamente oprimidos e marginalizados. O debate suscitado sobre o sistema de cotas para afrodescendentes e índios nas universidades públicas e privadas no mês de comemoração(?) dos 120 anos de abolição da escravatura no Brasil, mostra de forma patente, e patética, o quanto estamos despreparados para um debate de tal magnitude e concomitantemente atrasados no que tange a promoção social de grupos étnicos distintos dos europeus.

É obvio que a escravidão é um ato ignóbil em qualquer lugar ou tempo, mas como Caio Prado Júnior já salientava, na América o caráter da escravidão foi pior que na escravidão romana, pois na colonização das Américas foi considerado apenas o esforço físico quer do homem escravo quer da mulher escrava; e desta além do mais seu uso sexual. Ressaltando que em Roma o escravo não foi simples máquina de trabalho bruto e inconsciente, mas também contribuinte ativo da cultura dessa civilização. (1)


Analisemos alguns mitos que hora ou outra surgem com o intuito de desqualificar uma política pública séria e com fundamentos localizados exatamente na reparação histórica, na promoção social e no direito de grupos étnicos sem de maneira alguma ser percuciente a Constituição ou direitos de outros grupos. Um direito nunca antes reconhecido pelo Estado brasileiro. Um Estado que apenas agora desperta de séculos de apatia e inércia em relação a grupos historicamente marginalizados.

Os 10 mitos sobre as Cotas (2)

1- as cotas ferem o princípio da igualdade, tal como definido no artigo 5º da Constituição, pelo qual “todos são iguais perante a lei sem distinção de qualquer natureza”. São, portanto, inconstitucionais.

Na visão, entre outros juristas, dos ministros do STF, Marco Aurélio de Mello, Antonio Bandeira de Mello e Joaquim Barbosa Gomes, o princípio constitucional da igualdade, contido no art. 5º, refere-se à igualdade formal de todos os cidadãos perante a lei. A igualdade de fato é tão somente um alvo a ser atingido, devendo ser promovida, garantindo a igualdade de oportunidades como manda o art. 3º da mesma Constituição Federal. As políticas públicas de afirmação de direitos são, portanto, constitucionais e absolutamente necessárias.

2- as cotas subvertem o princípio do mérito acadêmico, único requisito que deve ser contemplado para o acesso à universidade.

Vivemos numa das sociedades mais injustas do planeta, onde o “mérito acadêmico” é apresentado como o resultado de avaliações objetivas e não contaminadas pela profunda desigualdade social existente. O vestibular está longe de ser uma prova equânime que classifica os alunos segundo sua inteligência. As oportunidades sociais ampliam e multiplicam as oportunidades educacionais.

3- as cotas constituem uma medida inócua, porque o verdadeiro problema é a péssima qualidade do ensino público no país.

É um grande erro pensar que, no campo das políticas públicas democráticas, os avanços se produzem por etapas seqüenciais: primeiro melhora a educação básica e depois se democratiza a universidade. Ambos os desafios são urgentes e precisam ser assumidos enfaticamente de forma simultânea.

4- as cotas baixam o nível acadêmico das nossas universidades.

Diversos estudos mostram que, nas universidades onde as cotas foram implementadas, não houve perda da qualidade do ensino. Universidades que adotaram cotas (como a Uneb, Unb, UFBA e UERJ) demonstraram que o desempenho acadêmico entre cotistas e não cotistas é o mesmo, não havendo diferenças consideráveis. Por outro lado, como também evidenciam numerosas pesquisas, o estímulo e a motivação são fundamentais para o bom desempenho acadêmico.

5- a sociedade brasileira é contra as cotas.

Diversas pesquisas de opinião mostram que houve um progressivo e contundente reconhecimento da importância das cotas na sociedade brasileira. Mais da metade dos reitores e reitoras das universidades federais, segundo ANDIFES, já é favorável às cotas. Pesquisas realizadas pelo Programa Políticas da Cor, na ANPED e na ANPOCS, duas das mais importantes associações científicas do Brasil, bem como em diversas universidades públicas, mostram o apoio da comunidade acadêmica às cotas, inclusive entre os professores dos cursos denominados “mais competitivos” (medicina, direito, engenharia etc). Alguns meios de comunicação e alguns jornalistas têm fustigado as políticas afirmativas e, particularmente, as cotas. Mas isso não significa, obviamente, que a sociedade brasileira as rejeita.

6- as cotas não podem incluir critérios raciais ou étnicos devido ao alto grau de miscigenação da sociedade brasileira, que impossibilita distinguir quem é negro ou branco no país.

Somos, sem dúvida nenhuma, uma sociedade mestiça, mas o valor dessa mestiçagem é meramente retórico no Brasil. Na cotidianidade, as pessoas são discriminadas pela sua cor, sua etnia, sua origem, seu sotaque, seu sexo e sua opção sexual. Quando se trata de fazer uma política pública de afirmação de direitos, nossa cor magicamente se desmancha. Mas, quando pretendemos obter um emprego, uma vaga na universidade ou, simplesmente, não ser constrangidos por arbitrariedades de todo tipo, nossa cor torna-se um fator crucial para a vantagem de alguns e desvantagens de outros. A população negra é discriminada porque grande parte dela é pobre, mas também pela cor da sua pele. No Brasil, quase a metade da população é negra. E grande parte dela é pobre, discriminada e excluída. Isto não é uma mera coincidência.

7- as cotas vão favorecer aos negros e discriminar ainda mais aos brancos pobres.

Esta é, quiçá, uma das mais perversas falácias contra as cotas. O projeto atualmente tramitando na Câmara dos Deputados, PL 73/99, já aprovado na Comissão de Constituição e Justiça, favorece os alunos e alunas oriundos das escolas públicas, colocando como requisito uma representatividade racial e étnica equivalente à existente na região onde está situada cada universidade. Trata-se de uma criativa proposta onde se combinam os critérios sociais, raciais e étnicos. É curioso que setores que nunca defenderam o interesse dos setores populares ataquem as cotas porque agora, segundo dizem, os pobres perderão oportunidades que nunca lhes foram oferecidas. O projeto de Lei 73/99 é um avanço fundamental na construção da justiça social no país e na luta contra a discriminação social, racial e étnica.

8- as cotas vão fazer da nossa, uma sociedade racista.

O Brasil esta longe de ser uma democracia racial. No mercado de trabalho, na política, na educação, em todos os âmbitos, os/as negros/as têm menos oportunidades e possibilidades que a população branca. O racismo no Brasil está imbricado nas instituições públicas e privadas. E age de forma silenciosa. As cotas não criam o racismo. Ele já existe. As cotas ajudam a colocar em debate sua perversa presença, funcionando como uma efetiva medida anti-racista.

9- as cotas são inúteis porque o problema não é o acesso, senão a permanência.

Cotas e estratégias efetivas de permanência fazem parte de uma mesma política pública. Não se trata de fazer uma ou outra, senão ambas. As cotas não solucionam todos os problemas da universidade, são apenas uma ferramenta eficaz na democratização das oportunidades de acesso ao ensino superior para um amplo setor da sociedade excluído historicamente do mesmo. É evidente que as cotas, sem uma política de permanência, correm sérios riscos de não atingir sua meta democrática.

10- as cotas são prejudiciais para os próprios negros, já que os estigmatizam como sendo incompetentes e não merecedores do lugar que ocupam nas universidades.

Argumentações deste tipo não são freqüentes entre a população negra e, menos ainda, entre os alunos e alunas cotistas. As cotas são consideradas por eles, como uma vitória democrática, não como uma derrota na sua auto-estima, ser cotista é hoje um orgulho para estes alunos e alunas. Porque, nessa condição, há um passado de lutas, de sofrimento, de derrotas e, também, de conquistas. Há um compromisso assumido. Há um direito realizado. Hoje, como no passado, os grupos excluídos e discriminados se sentem mais e não menos reconhecidos socialmente quando seus direitos são afirmados, quando a lei cria condições efetivas para lutar contra as diversas formas de segregação. A multiplicação, nas nossas universidades, de alunos e alunas pobres, de jovens negros e negras, de filhos e filhas das mais diversas comunidades indígenas é um orgulho para todos eles.

(1) Formação do Brasil Contemporâneo, São Paulo, 1942.

(2) Extraído do Blog do Mello [http://blogdomello.blogspot.com/]

enviada por hudson



26/05/2008 21:56

PURA CONFUSÃO NO CONE SUL

Por Morani

Assisto pela TV, através da mídia televisiva - a reunião dos líderes da nossa América Latina. Anda em curso um "plano" saido da cabeça do senhor Lula de se ter no Cone-sul uma só moeda, à moda do Euro. Ora, sabe-se que a união dos países europeus levou aproximadamente 10 anos para se concretizar e ainda assim nem todos aderiram, ou custaram a aderir como Portugal - um dos últimos a fazer parte do seleto grupo.

Além desse plano maravilhoso e "inédito", anda a caminho a formação de uma Entidade formada pelos governos sul-americanos para um sistema de defesa tupiniquim. Já tem até nome! Nome não basta. O que se deveria por à mesa de debates é a DEFESA DA AMAZÔNIA" por todos os países deste nosso Continente por ser lá que se está "parindo e crescendo" um monstrengo que abarcará, de vez, a floresta e todas as suas riquezas incalculáveis numa reserva quantitativa de dificil previsão.

Barak Obama nem se elegeu Presidente dos Estados Unidos e já demonstra "PREOCUPAÇÃO" por nossa floresta. Acho que o nobre senador norte-americano, postulante à cadeira presidencial daquele país, deveria se preocupar com os seus soldados que estão morrendo no Iraque aos magotes! Bem previa o enforcado Saddam Hussein: "O Iraque será a sepultura de muitos soldados dos exércitos invasores". Mas, não; o pretenso futuro presidente do Império Estrelado volta os seus olhos para a terra que dizem pertencer ao mundo. Vejo um desrespeito violento contra a soberania brasileira e a dos países que fazem parte da Amazônia. Eles não cuidaram do "oeste" norte-americano, que poderia ser considerado "patrimônio mundial", e agora desejam "ardentemente" intervir em território latino com a desculpa de preservar o "Pulmão do mundo" da sanha de "invasores" e de "depredadores" como se eles já não tivessem desviando nossas riquezas - plantas, minérios e animais às caras de nossas autoridades?

Lá existem grupos enormes de estrangeiros ocupando tudo e exigindo que tribos sejam transmudadas em "Nações Indígenas". Há locais amazônicos em que nem um só brasileiro tem acesso! Descalabro, afronta, terrorismo hediondo. Então, pouco falta a que os "olhos grandes" das nações amigas, acima da linha do Equador, troquem os "olhos" pelas mãos e se assenhorem de vez de nossa (será mesmo nossa?) Amazônia.

Fraternos abraços de um tu(piniquinho) preocupado e atento, mas desarmado diante a tanta ganância.


Morani é escritor, radicado em Nova Friburgo, RJ

enviada por hudson



22/05/2008 11:13

LIÇÕES DO REFERENDO AUTÔNOMO

Por Lucas Rafael Chianello

Como já foi dito em artigos anteriores neste blog, a Bolívia é um país que tenta existir. A luta por sua existência passa por uma análise que a grande mídia não se dará ao dever de informar aos seus leitores, pois tratar dessa visão diferenciada e histórica não interessa aos anunciantes comerciais, sustentáculos da desinformação.

Não existe regras elencadas em artigos sobre como se dá um processo de elaboração de uma Constituição. Por esta ser a lei maior que venha a representar a vontade de um povo de um país, deve nascer de uma assembléia constituinte, na qual o povo, de acordo com sua vontade, edificará juridicamente o Estado e seus objetivos, que, por uma razão óbvia, devem contemplar os anseios populares.

Ao ser julgado pelo assalto ao Quartel de Moncada, Fidel Castro, em sua defesa, foi sábio juridicamente ao argumentar que ao contrário do que requeria a acusação não houve agressão a um poder constitucional do Estado cubano naquela época, pois “legítima é a constituição que emana diretamente da soberania popular”. Eis umas das palavras pronunciadas por Fidel Castro em sua defesa, haja vista ele ser advogado.

Tanto de acordo com a concepção de mundo dos seus editores como de seus anunciantes, para a grande mídia o grande culpado pela agenda separatista que tem pautado a Bolívia nas últimas semanas é o Presidente Evo Morales, um índio insolente que nacionalizou o gás e permitiu à sua população elaborar uma nova Constituição que somente entrará em vigor se for aprovada mediante o sufrágio universal. Entretanto, quando vimos os meios de comunicação noticiarem que a elaboração do Estatuto Autônomo do Departamento de Santa Cruz é legítima por preencher seus requisitos jurídicos?

Mais uma vez, cai a máscara da grande mídia, que revela toda a sua parcialidade escondida no mito da imparcialidade. Seu lema é: “à direita, presunção de veracidade, à esquerda, presunção de sabotagem”. Não houve em nenhum telejornal ou na imprensa escrita qualquer imagem de cidadãos bolivianos mostrando para as câmeras de emissoras internacionais cédulas de votação do Estatuto Autônomo de Santa Cruz já preenchidas com o SIM antes de serem depositadas nas urnas. Talvez seja por isso que o índice de aprovação do Estatuto Autônomo tenha atingido 85%, enquanto a abstenção chegou a 35 pontos percentuais.

Além do flagrante desta lamentável atitude, pergunta-se: qual assembléia constituinte elaborou e deliberou pela votação do Estatuto Autônomo? Se nenhuma assembléia o fez, não existe legitimidade popular e política para o Estatuto ser válido para as pessoas.

Ao julgarmos os fatos políticos, precisamos da maior compreensão histórica possível, ainda mais se tratando de outros países, por uma questão de respeito. Se aprendermos história e política com a grande mídia, além de estarmos fadados ao desrespeito com os outros países, estaremos repetindo argumentos mercadológicos e conservadores, sequazes do status quo, enquanto devemos estar ao lado dos transformadores sociais.

Lucas Rafael Chianello é companheiro de lutas populares aqui em Poços de Caldas, estudante do curso de Direito da PUC-MG e presidente da ACJC. Também é o responsável pelo blog Além da Grande Mídia.
(www.alemdagrandemidia.blogspot.com)

enviada por hudson



19/05/2008 10:25

OS AVANÇOS SÃO POUCOS, MAS TÊM DNA: DO LULA

Por Chico Hugo

Ricardo Kotscho, que se esforçou a vida inteira para se tornar jornalista, passou, em tempos de Zé Dirceu, pelo andar onde Lula despacha e se declara agora "...sem poder, sem cargo, sem carteira assinada, sem crachá...", ocupou o espaço no IG deixado pela conversa fiada(sic) do Paulo Henrique AntiDantas Amorim, mas não está satisfeito: quer chegar à Veja.

Conseguiu uma "exclusiva" de quem não pode ver microfone e câmeras para deitar falação. Em oportuna hora, para o entrevistado.

Isso em um bom momento do presidente nordestino Lula, de quem discordo em tantas coisas sem contudo ser idiota ao ponto de não constatar o quanto seu governo está sendo melhor que o do antecessor.

Até porque, não há mérito em governar melhor que Dom Fernando, o Desditoso.
Na entrevista juntou-se "a fome com a vontade de comer": Kotscho e FHC precisam de claque.

Não se falou do valor das aposentadorias dos interlocutores pois alguém poderia ficar constrangido. Ou nós todos!

O objetivo do PIG, agora que viu frustrado todo o esforço para desmoralizar Lula, é atribuir a Dom Fernando, o Desditoso, tudo de positivo que acontece no Brasil hoje. Mas o DNA é do Lula. Com barba e tudo.

Continua o PIG a tratar o povo como um bando de Homer Simpsons. E porque os brasileiros são quase todos homersimpsons, conclui o PIG, é tão alto o índice de aprovação ao governo e ao próprio Lula.

Os equívocos do governo Lula são percebidos pela esquerda histórico-consciente, mas não interessam ao PIG.

Os avanços para o socialismo são tímidos e não há como saber se estão no limite do possível.

Para falcatruas entreguistas, FHC chegou confessadamente "ao limite do impossível". Nem chegou a ruborizar.

A permanência no Poder, objetivo que torna todos os governos "farinha do mesmo saco", isto é, de direita... bem, a permanência no Poder pode ser objetivo de um homem, de um grupo ou de um partido.

Legítimo, nas democracias, quando não se sobrepõe a tudo o mais.

Lula descartou o terceiro mandato. Mas o PT – cheio de grupos –, não!

Chico Hugo, colaborador do Blog do Hudson. É educador e brasileiro consciente. Santos - SP
chicohugo@superig.com.br

enviada por hudson



15/05/2008 21:14

RESPOSTA AO AMIGO HUDSON

Por Morani

Li na íntegra o comentário também inteligente desse cidadão que é diretor de uma entidade de nome AMERICA XXI. Creio que o numeral romano diga respeito ao nosso século, e o nome AMÉRICA se refira a nossa América do Sul. Trata-se de um casamento perfeito. Será essa entidade mais uma ONG? Quais os objetivos, se confirmada a suspeita de que possa ser uma dessas muitas entidades que grassam Brasil afora? Além de Diretor da América XXI, de que se ocupa o referido senhor Luis Bilbao? Por ventura, um sociólogo? Um cientista político? Ou um cidadão voltado aos interesses tão desejados por todos os países do Cone Sul de uma trajetória de paz, de autodeterminação, de liberdade de ação e da predominância dos Direitos inalienáveis de seus governos tomarem os rumos mais adequados às suas economias e aos seus desenvolvimentos?

As nações poderosas e interessadas, através de comunicados verbais dos seus dirigentes maiores, não venham opinar e até intervir, seja política ou economicamente. Boicotes e outras medidas sujas, nos moldes característicos às suas intervenções, não devem ser aceitas, mas repudiadas. Repudiadas, sim, o com vigor autoritário que deva ter uma Nação livre. Mas a persistirem as dúvidas devemos nunca esquecer de que a ONU – a Entidade maior que congrega todos os interesses heterogêneos dos países que lhe dão corpo jurídico e físico – não tem mais forças morais a impedir tais possíveis intervenções, sejam de quais naturezas se apresentem aos olhos do mundo.

Penso que as "OLIGARQUIAS" há muito deveriam ser motivo de acalorados debates num Congresso Internacional patrocinado por Entidades que conjuguem todos os interesses comerciais de todos os países. Essa situação nos remete aos tempos primevos os das relações comerciais das Nações como o Brasil, por exemplo, ao tempo dos seus primeiros passos na direção da autonomia industrial, comercial e econômica, e, ainda, das suas relações diplomáticas com os países interessados em nossos produtos.

Agora, falando da Bolívia de Evo Morales: será bom para o país irmão a autonomia que se desejam os departamentos de Santa Cruz de La Sierra, no topo daquelas intenções, mais Beni, Pando e Tarija? Se há um "Plano" diabólico, patrocinado pelos EUA através da CIA, para fragmentar o país, então todos os demais países da periferia deverão dar a resposta convincente de que aqui como em Cuba, onde não puderam intervir diretamente, mas economicamente, não será diferente.

Há muito venho sentindo que além da Bolívia com suas riquezas, a Venezuela de Hugo Chávez e o Equador serão alvos do poderio dos imperialistas norte-americanos e, quiçá, dos seus sócios europeus. O Paraguai que se cuide, mas contando com a ajuda de todos os outros.

Essas nações, acostumadas a invadir territórios estrangeiros (Iraque), agora se voltarão contra o Irã – promessa de qualquer dos dois que forem eleitos Presidente dos Estados Unidos. Serão três frentes: Iraque, onde está sendo derrotado lentamente; Irã, país em que o fanatismo religioso não permitirá facilmente uma intromissão estrangeira, venha de onde vier.

A liderança verdadeiramente indígena de Evo Morales da Bolívia explicita a autoridade do Presidente. Infelizmente, no nosso país não há uma liderança como a que existe no país vizinho. Os nossos índios são "liderados" por religiosos estrangeiros, que existem muito mais na região do que as autoridades militares tão necessárias nas fronteiras imensas desse nosso Brasil.

CAPITALISMO – A implantação do capitalismo na maior parte das nações do mundo se deve exclusivamente ao "fracasso" da ideologia comunista naqueles países que poderiam fazer face à arrogância capitalista. Este sistema "pariu" um filho "bastardo" e "monstrengo" – a globalização – gestado nos subterrâneos dos entendimentos havidos na Reunião de um grupo de "doutos" da economia mundial na Suíça.

Realmente o mundo capitalista não pode prescindir de fazer guerra, e como diz diretor do América XXI, Luis Bilbao: "A economia capitalista não pode respirar sem ela" e eu acrescento, nos limites da minha ignorância, sobre o assunto em pauta, que a prova foi dada no ataque às forças da FARC fora dos limites de fronteira colombiana, tudo arquitetado por "FORÇAS ESTRANHAS", num verdadeiro acinte de desrespeito a esses limites fronteiriços.

Diz-se haver em nosso território grupos desse exército acantonados ao abrigo de nossas florestas, facilitando o tráfico de entorpecentes dos quais subsistem essas forças armadas paralelas. Admitamos isto! Em que pode afetar o poderio da nação "estrelada" ao norte do nosso continente a presença desses soldados em nosso território? Compete a nós, somente a nós tomar as devidas providências dentro dos trâmites diplomáticos a serem usados.

O capitalismo tem que ser imposto às nações do Cone Sul, como foi no tempo de Fulgêncio Batista, esbirro dos norte-americanos, dentro de Cuba. Em Cuba havia um líder jovem e destemido que com um pequeno exército destituiu o imperialismo dominador naquela ilha, a Princesa das Antilhas. E aqui?

Faltam ao "Grupo dos 4" juntarem-se a eles lideranças políticas de outros países da América do Sul, principalmente as do Brasil tendo à frente o Presidente LULA. Parece-me ser também péssimo parceiro, e só o sendo quando os seus interesses sobrepujem àqueles dos países irmãos, que batem de frente aos poderosos à caça de desestabilizar governos eleitos pela vontade e soberania populares, como o dele.

Por que não podem as nações "democráticas" (Oh termo!) se unir com o objetivo precípuo de por um basta nessas intromissões, já de anos e anos, levadas de roldão pelas chamadas nações do Primeiro Mundo? A América do Sul não serve como "LATRINA" a essas outras "democracias globalizadas". Há que serem respeitados os esforços ingentes dos que aqui desejam "crescer" mantendo distribuição de renda real e direta; pagarem suas dívidas (para mim impagáveis); manterem o equilíbrio social abrindo as portas aos investidores que cheguem para aumentar o número de empregos, e não para se locupletarem apenas dos juros mais altos do mundo pagos ao "capital viajor", que aqui vem "dormitar" para no dia imediato, ou na semana imediata levantar vôo como a Phenix saída das cinzas.

A Paris do século XVIII, com seu povo miserável, que deveria comer "brioche", no dizer da indigitada rainha Maria Antonieta, pegou em armas, fez derramar muito sangue, decepou cabeças que só tinham "merde" dentro, impondo um regime de Igualdade, Fraternidade e Liberdade. A "Comuna" saiu vitoriosa, impôs-se, mas os seus principais líderes subiram ao cadafalso onde perderam igualmente suas cabeças. Podemos permitir isto aqui onde às revoltas foram poucas e sem muita influência nas amizades dos países desse mesmo Continente? E se houve, sempre tiveram as "mãos sujas" de interesses diversos e estranhos.

Senhor Luis Bilbao sou um eterno preocupado aos problemas de nosso Continente, e não só aos do Brasil. Aqui ficam minhas impressões e minhas simpatias aos povos indígenas da Bolívia, porque tendo ascendência indígena, por parte de pai (minha bisavó era índia de vida tribal), não posso me subtrair ao apoio, mendigo e capenga, que vejo necessitar o governo do Líder Evo Morales. É preciso, sim, fecharmos as nossas portas aos cães de guerra açulados por Washington.

Morani é escritor, radicado em Nova Friburgo, RJ


enviada por hudson



13/05/2008 12:47

FALSAS EXPLICAÇÕES SOBRE RAPOSA SERRA DO SOL

Sobre Raposa Serra do Sol alguns argumentos vêm sendo vinculados em conjunto para explicar, em vão, o preconceito de nossa elite em relação à reserva indígena com o intuito de criar um imbróglio que postergue a efetivação da reserva. No entanto analisados separadamente não são tão diversos de outros problemas enfrentados pela sociedade brasileira e ainda não equacionados.

Primeiro argumento: O direito dos antigos proprietários de terra da região

O fato de haverem ali posseiros, proprietários de terra – notadamente arrozeiros – que teriam seus direitos garantidos e resguardados pela Constituição. Bom. Faz parte do projeto original ressarcir essas famílias, relocando-as para outros lugares fora da Reserva. Não entrarei aqui em detalhes espinhosos como o fato de muitas dessas famílias descendentes de sul-rio-grandenses, afirmarem estarem naquela região de Roraima há mais de um século; fato discutível pois há bem menos que isso outras regiões do Sul e do Centro do Brasil não haviam sido colonizadas. Notadamente o interior de Santa Catarina e do Paraná – nesse último sua colonização efetiva deu-se após década de 1950 -. Ou então Mato Grosso – de colonização ainda mais recente –, incluindo o atual Mato Grosso do Sul,entre muitas outras. Há ainda denuncias de rizicultores se apossando de terras após a FUNAI finalizar estudos de identificação da área.

Outro ponto a comentar reside no fato da grilagem ser praticada em larga escala no Brasil, onde fazendeiros invadem terras da União, e de forma ainda mais escandalosa na região amazônica onde a imensidão de terras e florestas virgens dificulta uma maior fiscalização por parte das autoridades competentes. Não é rara a apresentação de documentação falsa visando justificar a ocupação dessas terras.

Há no Brasil desde sempre um conflito por posse de terra. No entanto o que fica patente por traz do discurso hegemônico, é a falta de um debate sobre a questão fundiária, o cerne do conflito entre grileiros e União.

O professor Porto Gonçalves identificou em seu recente trabalho – Quando novos personagens entram em cena , abril 2008 – que 54% dos conflitos por terra acontecem na Amazônia, 26% no Centro-Sul e 20% no Nordeste.

Um relatório dos Conflitos no Campo do Brasil, promovido pela Comissão Pastoral da Terra (CPT), em 2007 foram mortas 28 pessoas em conflito por terra no país, em 2006 foram 39 mortes. Há ainda uma lista com inúmeros trabalhadores rurais, lideranças sindicais, comunitárias e religiosas marcadas para morrer.

Em janeiro deste ano a organização não-governamental Human Rights Watch (HRW) divulgou relatório em que afirmava que a violência no Brasil tem migrado dos grandes centros urbanos para o interior dos estados. Cidades como Tailândia, no estado do Pará, e Coloniza, em Mato Grosso, estão se tornando bastante violentas. A impunidade é a principal causa da violência no campo, observa o relatório.

O Estado possuí o dever de fazer cumprir a lei e não pode furtar-se disso por conta do direito a propriedade privada, caso essa busque se sobrepor ao interesse coletivo.


Aqui colocarei dentro do mesmo argumento um outro item. Muita terra para pouco índio:

Também faz parte dessa argumentação que 1,7 milhão de hectares de terra. para cerca de 20 mil indígenas além de ser exorbitante dividiria o estado de Roraima e feriria sua posição enquanto Unidade Federativa. Nesse ponto se esquecem os defensores de tal argumentação que Roraima era até 1988, Território Federal e só então, com a promulgação da Constituição naquele ano, foi elevado à condição de estado, com sua implantação efetivada em 1º de janeiro de 1991, com a posse do primeiro governador eleito, brigadeiro Ottomar de Souza Pinto. Não é preciso dizer que as populações indígenas atendidas pela homologação da reserva habitam o território bem antes desse ínterim. No mais, Roraima ainda contará com um espaço físico comparável a Pernambuco, onde reside uma população dez vezes maior.

A terra indígena Raposa Serra do Sol, que abrange 7,79% de Roraima e onde vivem 18.992 índios em 194 comunidades, além de assegurar as condições de existência futura a 5 povos indígenas, garante terra a 21,4% população de Roraima que nela vive e trabalha.

Segundo argumento: O direito do indígena se integrar à sociedade brasileira

“As diferentes etnias indígenas existentes em Raposa Serra do Sol são cidadãos brasileiros e têm o direito de estarem inseridos dentro do atual sistema político e econômico, sujeitos as mesmas leis que qualquer cidadão e compartilharem dos mesmos direitos”.

Essa retórica é verdadeira falácia. Não é verossímil e é superficial. É do conhecimento de todos que as populações indígenas na América em geral e no Brasil, passaram pelo maior genocídio da história – genocídio físico e cultural – quando foram dizimados milhões de seres humanos e os poucos que restaram se virão obrigados – não tiveram escolha – de se aculturarem, de incorporarem a cultura,a religião e as tradições européias.

Dizer agora que os índios têm o direito de se integrarem à sociedade brasileira não reconhecendo um espaço que lhes é devido, é prova de existência do vezo de impor-lhes a dita civilização.É “civilizá-los” independente de sua vontade. Não reconhecer que esses povos necessitam de reservas próprias para manter viva sua identidade cultural é a mesma forma de genocídio da sua cultura praticada no passado. Caso as etnias Macuxi, Taurepang, Wapixana e Ingaripó de posse da reserva – o termo posse é apenas uma alusão, visto que as terras continuariam a pertencer a União – resolvam se aculturar e se integrar à dita “civilização”, essa seria uma decisão deles próprios, tomada por eles e não imposta como muitos ensejam. Portanto a falácia de que essas etnias são de brasileiros e portanto estão obrigados a adquirirem nossos conceitos e modos, obscurece o debate e impede seu aprofundamento, não contribuí em nada a reconhecer os direitos dos povos autóctones e as mazelas que sofreram por séculos e séculos de esbulho. Não podemos nos esquecer que invadimos, ocupamos e expropriamos seu espaço como se fosse terra de ninguém.

Terceiro argumento: A homologação da reserva em forma contínua representa ameaça a soberania nacional

Um sofisma. No entender – ou pelo menos no que expõe de forma sofrível alguns setores das Forças Armadas comungadas com a oposição de direita-farisaica – a soberania nacional estaria ameaçada com a homologação da reserva em forma contínua como definiu o governo federal. Nessa visão tacanha, a reserva seria porta aberta para contrabando de drogas e madeira, minerais preciosos e minérios raros, ou então para grupos “terroristas”. Esse argumento não resiste à analogia do que realmente acontece em nossos grandes centros urbanos, em muitos dos quais o tráfico de drogas ou as milícias já se estabeleceram como poder paralelo diante da omissão do Estado – onde o Estado não ocupa seu lugar, outra instituição trata de ocupá-lo.

Quanto ao contrabando de madeira, sabemos que isso ocorre em menor ou maior escala em toda a região amazônica e não seria privilégio da reserva.

Já os minerais e minérios, respondo a falsa argumentação com uma pergunta. A quem pertence nossas minas de manganês e importantes jazidas de ouro na mesma região norte do Brasil? Tomo a liberdade de eu mesmo responder. A empresa Vale do Rio Doce – ou agora simplesmente Vale – empresa de capital aberto e com participação de consórcios internacionais.

Na verdade infelizmente há tempos estamos perdendo nossa soberania nacional. Enquanto se alardeia que a homologação em forma contínua da reserva será empecilho à soberania nacional, existe um silêncio ensurdecedor e preocupante sobre a compra de milhões de hectares de terra por empresas transnacionais ao ano, sem nenhum controle por parte do governo. Sequer há dados oficiais sobre a quantidade de hectares em mãos dessas empresas. Será que isso não se constituí em esvaecimento da soberania nacional? Por que os setores das Forças Armadas comungados à oposição de direita-farisaica, o PIG (Partido da Imprensa Golpista) ou algum ministro do Supremo Tribunal Federal não se pronuncia sobre um tema tão grave.

Quanto à entrada de grupos terrorista em território nacional, não precisamos de tanto, já temos os nossos. Ou o que dizer dos últimos atos de posseiros da região? A utilização de bombas de fabricação caseira, a queima de pontes, atentados e ameaças a lideranças e comunidades indígenas pelos fazendeiros para se manterem ilegalmente na Raposa Serra do Sol, numa clara afronta ao estado democrático de direito. Isso não se configura em sedição e ato terrorista?

Ademais, a Constituição garante acesso irrestrito das forças Armadas em qualquer parte do território nacional e já existem bases militares na região. Bases que não seriam afetadas com a homologação das terras contínuas.

Quarto argumento: A presença de ONGs estrangeiras na região

Esse sim um fato que pode ter implicações graves se ficar comprovado que essas ONGs atuam em beneficio próprio, ou de organizações internacionais em detrimento dos interesses dos povos da região. Todavia ainda necessita de maior investigação sobre tais denúncias. Se comprovadas o Estado brasileiro tem todo o direito de proibir a presenças dessas na região. Instrumentos jurídicos para tanto não faltam.
De fato o que é imperioso hoje é avançar no que tange a fiscalização de ONGs, mas mais uma vez é um problema que não está localizado apenas na reserva Raposa Serra do Sol, mas em todo o território brasileiro. Muito embora várias ONGs façam um trabalho sério e competente em áreas abandonadas pelo Estado. Talvez venha daí uma relação complexa dos políticos com essas organizações. Uns utilizam delas e as financiam como aparelho eleitoral – claro que essas não são as sérias – ao passo em que sentem ojeriza pelas que realizam um trabalho independente.


enviada por hudson



12/05/2008 15:58

APOIO ÀS ETNIAS INDIGENAS DE RORAIMA E À CRIAÇÃO DA RESERVA

do Instituto Socioambiental

Instituições brasileiras de destaque como a CNBB, SBPC, ABONG, FDDI, Instituto Ethos e ABA entre outras, divulgam nota de apoio à retirada dos invasores da Terra Indígena Raposa-Serra do Sol e exigem que se respeite o Estado Democrático de Direito em Roraima. O abaixo-assinado está aberto à adesão de instituições e pessoas. Leia o texto na íntegra e as adesões já recebidas.

Nota de apoio

Em vista do debate que vem ocorrendo no STF e pela mídia acerca da demarcação e da desintrusão da Terra Indígena Raposa-Serra do Sol, em Roraima, os abaixo-assinados têm a declarar o seguinte:

Desde a colônia, reconhecem-se os direitos dos índios sobre suas terras, direitos que figuram também em todas as Constituições Brasileiras desde 1934.

Desde a colônia também, os interesses econômicos e a cobiça de territórios encontraram subterfúgios para eludir a aplicação dessas leis. É por causa dessa cobiça que as populações indígenas no Brasil mais numerosas se encontram para além da antiga fronteira econômica, tendo sido dizimadas nas regiões de antiga colonização. A Constituição de 1988 explicitou os direitos dos índios sobre suas terras e afirmou o caráter originário desses direitos. É inconcebível que neste novo milênio, se recorra outra vez a casuísmos para expulsar os índios das áreas que passaram a ser cobiçadas, repetindo assim práticas que deveriam nos envergonhar.

A ocupação tradicional indígena sobre a extensão integral da Terra Indígena Raposa Serra do Sol é comprovada por copiosa documentação histórica e foi determinante para a definição da fronteira brasileira com a Guiana. Mais de 18 mil índios Macuxi, Wapixana, Ingarikó, Taurepang e Patamona vivem nessa área, organizados em mais de uma centena de comunidades, que praticam suas línguas e costumes.

O processo de demarcação dessa terra se desenvolve desde o fim dos anos 1970. Foi identificada pela Funai em 1993, com a extensão atual, depois foi demarcada administrativa e fisicamente durante o governo Fernando Henrique Cardoso (1998) e finalmente homologada pelo governo Lula em 2005, tendo sido rejeitadas todas as contestações apresentadas.

A quase totalidade de não-índios que chegaram a ocupá-la de boa fé foi indenizada ou reassentada e a resistência à desintrusão da área se reduz a um pequeno grupo de arrozeiros, que se instalou ao sul da Terra Indígena no início dos anos 1990 e ampliou sua área de produção, mesmo sabendo tratar-se de terras de propriedade da União.

Não existe nenhuma cidade instalada na Terra Indígena Raposa Serra do Sol, mas apenas uma vila, com a quase totalidade da população atual sendo indígena. A Vila Surumu foi criada por fazendeiros que já saíram da Terra Indígena e falta apenas a Funai indenizar 11 moradores não-índios. A vila de Uiramutã, sede do município de mesmo nome, criado em 1995, foi excluída da Terra Indígena em 2005. A maior parte dos habitantes da sede deste município são moradores da aldeia indígena Uiramutã. Havia três bases de garimpo chamadas Socó, Mutum e Água Fria, as quais, com a retirada dos garimpeiros em 1994, passaram a ser reocupadas por indígenas. A Funai indenizou e retirou todos os não-índios e hoje essas localidades estão totalmente integradas às aldeias.

As terras indígenas são bens de propriedade da União, indisponíveis e inalienáveis, e hoje prestam relevantes serviços ambientais ao País, ao proteger as florestas contra o avanço do desmatamento, que destrói as fontes de água, altera o regime de chuvas e elimina a biodiversidade.

A Constituição preconiza a harmonia entre o pleno reconhecimento dos direitos indígenas e a presença do Estado nas Terras Indígenas, inclusive para a promoção da defesa nacional em áreas situadas em faixa de fronteira, que diz respeito à indispensável proteção do território e da própria população indígena. Hoje há bases militares em várias terras indígenas, inclusive em Raposa Serra do Sol, e parte significativa dos soldados é indígena.

Raposa-Serra do Sol não é a única e nem a maior Terra Indígena situada em faixa de fronteira; a demarcação dessas terras contribuiu para a regularização fundiária, reduziu conflitos e não criou qualquer dificuldade para a atuação do Estado, e das Forças Armadas em particular, mesmo em regiões mais críticas, como a fronteira com a Colômbia.

Nunca surgiu em nenhuma Terra Indígena qualquer movimento que atentasse contra a integridade do território nacional, nem qualquer ação insurgente contra o Estado brasileiro.

A área de Raposa-Serra do Sol representa 7,7% do território de Roraima, sendo que uma parte com dupla destinação (área de conservação e terra indígena). O status de Terra Indígena reconhecido em 46,13% do território de Roraima tem razões históricas decorrentes da ocupação imemorial e não é discrepante da representação efetiva da população indígena no âmbito da população rural do estado.

O processo de demarcação de uma Terra Indígena não cria nada, apenas reconhece e protege uma situação de fato, qual seja, a ocupação tradicional indígena de um território. Todos os povos indígenas que habitam os locais onde hoje se encontram as fronteiras brasileiras já estavam ali muito tempo antes delas serem politicamente estabelecidas.

A existência de terras federais com destinações específicas (Terras Indígenas e Unidades de Conservação federais) em Roraima não impede a sua governabilidade e o exercício de direitos pelos demais segmentos da sociedade local sobre o seu território. Excluídas essas terras federais, Roraima ainda conserva extensão superior à do Estado de Pernambuco, onde vive uma população dez vezes maior.

Por tudo isto, os signatários esperam que o STF não tarde a se pronunciar sobre o caso, encerrando essa polêmica que prolonga conflitos desnecessários, reafirmando a plenitude dos direitos constitucionais indígenas e a sua harmonia com os interesses nacionais.

Assinam

ABA – Associação Brasileira de Antropologia

ABONG – Associação Brasileira de ONGs

Ação Educativa

Articulação de Mulheres Brasileiras

Associação Nossa Tribo

Associação Terra Laranjeiras

Centro de Cultura Luiz Freire

CIMI - Conselho Indigenista Missionário

CNBB – Conferência Nacional dos Bispos do Brasil

COIAB - Coordenação das Organizações Indígenas da Amazônia Brasileira

Comissão Nacional de Direitos Humanos do Conselho Federal de Psicologia

Comitê pela Democratização da Informática do Pará

CONECTAS Direitos Humanos

Conservação Internacional

CTI - Centro de Trabalho Indigenista

Ecoa - Comissão Ecologia e Ação

Fala Preta - Organização de Mulheres Negras

FASE – Federação de Órgãos para Assistência Social e Educacional

FDDI – Fórum de Defesa dos Direitos Indígenas

FOIRN – Federação das Organizações Indígenas do Rio Negro

Fórum Nacional de Mulheres Negras

FVA - Fundação Vitória Amazônica

Greenpeace

GTA – Grupo de Trabalho Amazônico

IBASE - Instituto Brasileiro de Análises Sociais e Econômicas

ICV - Instituto Centro de Vida

IIEB - Instituto Internacional de Educação do Brasil

IMAZON – Instituto do Homem e do Meio Ambiente da Amazônia

INESC - Instituto de Estudos Socioeconômicos

Instituto Ethos de Empresas e Responsabilidade Social

IOS - Instituto Observatório Social

ISA – Instituto Socioambiental

Justiça Global

OELA – Oficina Escola de Lutheria da Amazônia

SBPC – Sociedade Brasileira para o Progresso da Ciência

Terra de Direitos

As adesões podem ser enviadas para comunicacao@coiab.com.br com cópia para apoiorss@gmail.com


enviada por hudson



11/05/2008 16:23

O VERDUGO DOS MILITARES

Ainda atordoado com a resposta da Ministra Dilma Rousseff, Agripino “Rabo de Palha” Maia – para entender a alcunha de “Rabo de Palha” recomendo a revista Caros Amigos edição 133 de abril desse ano – discursou na quinta-feira (08/05/2008) do plenário do Senado para relembrar um pouco de sua história na vida pública, enaltecendo a si mesmo. Fiquei comovido com a narração mnemônica sobre a forma heróica como o "Rabo de Palha" egresso da Arena se desvencilhou dos militares e foi o "primeiro" governador nordestino a apoiar a impoluta postulação de Tancredo Neves a presidência da República. Como testemunhas da verossimilhança de sua odisséia, ato exemplar de desprendimento pessoal, desprovido de qualquer tipo de ambição e dum civismo e patriotismo nunca dantes visto – chegaria, eu, a dizer que se trata mais que uma odisséia, mas sim de uma imolação –, arrolou os nomes de Garibaldi (não o Giuseppe, mas o de sobrenome Alves, hoje presidente de nossa Câmara Alta) e do califa do Maranhão, José Sarney (santo Deus, dois paladinos da democracia). Agripino do alto de sua modéstia concluiu que sem seu aval a Frente Liberal não se consumaria e ainda estaríamos vivendo o jugo do estado de exceção. Desta feita foi ele o verdugo dos militares e a subjugação foi enfim prosternada. Ao terminar seu pronunciamento enxuguei as lagrimas de meu pranto e postei-me a rogar por misericórdia a Deus por existir debaixo do firmamento povo tão ignóbil e uma nação que se nega a reconhecer seus próceres egrégios. A minha ilação para expiar tanto sacrilégio foi de que deveríamos erguer em cada rincão desse país uma praça com o nome do nobre senador. O nosso Thomas Jefferson tupiniquim.
enviada por hudson



07/05/2008 16:51

INVESTMENT GRADE

Infelizmente mais uma vez mostra-se latente a opção do governo de Luis Inácio Lula da Silva rente ao capital externo em detrimento de políticas públicas transformadoras e revolucionárias. Fato exacerbado com o anúncio por parte de uma importante agência de investimentos, de que o Brasil, enfim, galgou ao posto de “investment grade”, e o júbilo e regozijo com que autoridades tanto do governo quanto da oposição de direita-farisaica, festejaram tal acontecimento. Como se com tal anúncio o Brasil passasse a integrar o seleto grupo de “países sérios” como afirmou o nosso presidente.

O episódio seria cômico, não fosse trágico. Primeiro porque quem recomendou o Brasil como porto seguro para investimentos foi a Standart & Poors. A mesma agência recomendava bancos estadunidenses que mais tarde estariam no olho do ciclone da crise do sistema imobiliário na América do Norte. Segundo, a principal explicação dada pela Standart & Poors para elevar o Brasil a investment grade – e isso consta no seu relatório – se dá ao fato do país ter mantido por mais de uma década a mesma linha de política macro-econômica. Equivale a dizer que o Governo Lula segue os mesmos passos que seu antecessor, o governo FFHH – talvez apenas seja mais competente, ao contrario do que prega os tucanos. Terceiro, quando um presidente, oriundo dos movimentos populares, eleito com o desafio de tirar o país de séculos de exploração e espoliação, afirma categoricamente que seu sonho perseguido era ver o Brasil com a chancela de “investment grade”, fica claro porque o cenário de disputa partidária caminha para aquilo que sobejamente o cientista político Carlos Nelson Coutinho, conceitua de “americanização da política brasileira”. Ou seja, temos a opção entre duas formas de gestão política e econômica similares.

O preço que o Brasil pagou, e continua pagando, para atingir tal reconhecimento internacional é um fardo pesado demais para uma sociedade que em pleno século XXI luta pra erradicar o analfabetismo. Uma sociedade que na contra-mão de quase todas as outras no mundo – inclusive as de capitalismo mais avançado – ainda não foi capaz de discutir de forma sistemática uma reforma agrária. Milhões de brasileiros relegados à linha da pobreza ou da miséria. Sucateamento do estado. Avanço do narcotráfico como poder paralelo em várias comunidades. Degradação das relações de trabalho e redução acentuada de direitos trabalhistas e previdenciários.

Tudo isso por conta do famigerado superávit primário, pagamento da dívida externa, liberdade de ir e vir do capital especulativo e a farsa da valorização do real. Quebra de empresas nacionais, ou a simples incorporação dessas por transnacionais – no inicio da década de 1990, 2/3 das quinhentas maiores empresas brasileiras eram nacionais (privadas ou estatais), situação exatamente inversa nessa década.

O Brasil do governo Lula honra seus compromissos externos ao passo que se esquece dos compromissos internos.

Concomitante à avaliação da Standart & Poors, a Unesco divulga relatório que coloca o Brasil na 79º posição dentre os países que estão cumprindo as metas da educação básica, com universalização do ensino primário, alfabetização de adultos, paridade entre sexos e qualidade da educação. No mesmo ranking, todos os países latino-americanos "não confiáveis" ao "investiment grade" aparecem na nossa frente. Assim, Cuba aparece em 21º, a Argentina em 27º, a Venezuela em 64º, o Equador em 71º e a Bolívia em 72º.

A horrenda e cabulosa comemoração pela extinção do “risco Brasil” – ainda que por apenas uma única agência internacional – por parte de governo, Banco Central autônomo, oposição de direita, grande imprensa na figura do PIG e parte da esquerda, apenas ressalta e põe a luz do dia, o que Aléxis de Tocqueville havia predito no inicio do século XIX e Norberto Bobbio reafirma ainda hoje, a democracia liberal nos moldes como está, impõe limites por si só – o que eles omitem por serem fieis seguidores da doutrina liberal, é justamente que esse paradigma é uma abstração burguesa que se concretiza ao exprimir seu caráter de dominação de classe.

Ainda poderíamos esperar que tal recomendação – por mais que deixasse exposta a mazela que subjuga os trabalhadores – viesse acompanhada de medidas como restrição ao envio de capital estrangeiro, incentivo ao capital produtivo e maior controle sobre os capitais meramente especulativos, queda da taxa de juros,política cambial mais responsável, etc; ao menos denotaria um passo positivo do atual governo em defesa dos reais interesses nacionais. Entretanto parece ter surtido efeito oposto. Com a elevação do Brasil à categoria de investment grade, passamos a propagandear que somos um porto seguro para a especulação e gana dos mega-investidores internacionais, os mesmos que num passado não tão distante levaram a bancarrota México, Rússia e Tigres Asiáticos entre outros.

Triste é constatar mais uma vez a inexistência de debates sérios sobre o futuro do Brasil. Apenas questões pontuais ou disputas partidárias – quando não pessoais – levantam algum debate. Isso é demasiadamente pouco para uma sociedade ainda em construção e cansada de ser explorada.

Como definiu Antonio Gramsci, há uma distinção entre a grande política e pequena política. A grande política, dizia ele, é aquela que lida com estruturas, põe em discussão a ordem social, tanto no sentido de transformá-la, como de conservá-la. A pequena política é a do corredor, da picuinha, da intriga Vivemos na era do neoliberalismo uma crise da grande política. Um dos principais alvos ideológicos do neoliberalismo é reduzir a política à sua dimensão de pequena política. Estamos cansados de ouvir coisas como o “fim da política ideológica”, o “fim da utopia”, o que na verdade significa tratar a política como uma coisa que não coloque em discussão as estruturas.

E assim vivemos a nossa mediocridade política de cada dia.








enviada por hudson



01/05/2008 12:37

O ACORDÃO DE BH

Não me causou espécie a fúria e a coragem do torcida do Clube Atlético Mineiro ao tentar invadir a sede do clube após a vexatória partida contra o arqui-rival Cruzeiro no último domingo. No entanto, fico pensando, o que leva a atos desse tipo quando se trata de futebol – o que para muitos é uma religião – se comparado a passividade absoluta para outros temas. Agora mesmo está sendo costurado, na mesmíssima cidade, um acordão entre duas forças que durante anos enganaram a população dizendo-se dispares. A energia desprendida na manifestação e o tumultuo causado em frente à sede do CAM ,seria mais bem aproveitada caso tivesse ocorrido em frente ao Palácio da Liberdade, ao Palácio das Mangabeiras ou ao Paço Municipal e naturalmente, com outros objetivos.

Está sendo construído em Minas um enorme e forte palanque para 2010, como de resto em quase todo o Brasil, todavia há aqui uma singularidade e peculiaridade pertinentes ao estilo mineiro de fazer política. Ou seja, umas personagens estão usando o nome do PT e do Presidente Lula, a fim de costurarem uma aliança de proporções dantescas, entretanto, muito provavelmente nem o PT, nem Lula poderão desfrutar tal acordo.

Fernando Pimentel – atual prefeito de Belo Horizonte – não é nenhum apedeuta e tem consciência do quadro político que se desenrola para 2010 no plano nacional. Sabe que se optar por sair candidato ao governo de Minas só com apoio do PT, concorrendo contra Eduardo Azeredo e/ou Hélio Costa, com um dos dois fazendo dobradinha com Aécio Neves para presidente, suas chances diminuem consideravelmente. Já pelo lado de Aécio, é importante tirar do PT a prefeitura da capital mineira e garantir um homem de confiança no cargo. A aliança entre ambos – Pimentel e Aécio – não é uma aliança entre partidos, antes é uma aliança entre personagens mirando 2010. Aécio precisa mostrar ao Brasil que é um político de consenso, capaz de conviver com as mais variadas forças político-partidárias – está aí um mote para a campanha –, em contraste ao governo Lula e as sempre grandes dificuldades que este encontra no Congresso, e à Serra, capaz de tornar antigos aliados em inimigos figadais. Para tanto um palanque no seu estado natal com forças ecléticas – digamos assim –que atravessem o espectro político institucional desde os Demos até partidários oriundos do PT, é quase imprescindível para suas ambições.

Aécio e Pimentel têm buscado maximizar forças e aglutinar o maior número possível de aliados com o intuito de se prepararem para um embate ainda maior em seus respectivos partidos – Aécio versus Serra e Pimentel versus Patrus. Ambos sabem que seu futuro político passa pelo mesmo caminho que outras personagens de força em suas agremiações e podem portanto, saírem bastante combalidos desse embate. No mais em última instancia com os dois sendo pai e mãe desse acordão/aberração – parece mais cruza entre Curupira e Mula Sem Cabeça – terão cacife de sobra para levar seus projetos pessoais para debaixo de outra bandeira partidária. Pimentel no PSB de Ciro. Aécio no PMDB – por incrível que possa parecer o tucano é o único nome com o qual o PMDB se disporia a disputar a presidência da Republica como cabeça-de-chapa.

A insistência do PT belo-horizontino em levar adiante tamanha insanidade política – entregar de bandeja uma prefeitura que controla desde 1992 – só pode se dar ao fato de Pimentel não ter compromisso algum com o partido que o elegeu e do qual faz parte há anos. O compromisso de Pimentel é com Aécio Neves. Assim se elucida o caráter oportunista do acordão. Não que o PT daqui de Minas seja exemplo de partido de esquerda ou de ética, ou que no plano nacional haja muitas diferenças entre PT e PSDB – aliás o PT caminha a passos largos de encontro com a mesma linha política dos tucanos – mas essa aliança é maquiavélica no sentido de entregar o estado inteiro as mãos de um único grupo político. Caso o Diretório Nacional do PT aprove o hediondo acórdão – coisa que a Executiva Nacional proibiu – o PT estará dando munição ao inimigo. Algumas pessoas de peso dentro do PT, já tiveram o correto discernimento sobre o fato.

Pimentel esperará pela definição do PSDB sobre quem será o seu presidenciável, Serra ou Aécio e a definição petista sobre uma candidatura própria ou não – caso o partido opte pelo não, Pimentel será articulador de uma aliança com o neto de Tancredo. Na realidade parece cada vez mais difícil o PT aceitar abrir mão da cabeça-de-chapa, por motivos históricos e óbvios.

Imaginemos a seguinte conjuntura em 2010: a)Lula com taxa de aprovação enorme, sendo o cabo eleitoral mais disputado e tendo chances de fazer seu sucessor. Ademais o partido sempre foi avesso a coligações, sobretudo as quais não é hegemônico e soa ilógico um partido abrir mão do poder em detrimento de outro em tal momento histórico. b) Serra logra-se vitorioso na disputa interna do PSDB e Aécio busca os ares do PMDB. De quebra leva seu novo partido a uma coligação com PSB. Ciro Gomes é o vice na chapa. Por que raios Pimentel se manteria no PT? A ida de Pimentel para um partido da base do governo Lula, entretanto que seja maleável a ponto de em 2010 estar de braços dados com Aécio, faz muito sentido. Pimentel fará um jogo de paciência, mas no final abandonará seus antigos correligionários – não sem antes levar alguns a tira-colo – e vai para o PSB. Candidata-se ao Palácio da Liberdade e sela aliança com Aécio. O ex-governador tem um palanque do jeito que sonhou. O ex-prefeito ganha cacife e notoriedade no interior do estado – coisa que hoje não possuí – e o PT fica chupando dedo.

Agora eu pergunto: a quem interessa o acordão que esta sendo tramado para a prefeitura de BH? Ao PT? Ao PSDB? Ou apenas aos projetos pessoais da dupla Aécio e Pimentel.

A união de forças entre os dois mais importantes nomes da política mineira, embora legítimo, é a caricatura das limitações do representativismo liberal-burguês, pois ao abandonar um projeto programático e se lançarem de forma personalista na vida pública, exacerbam a incapacidade dos partidos políticos em se sobrepor aos projetos e veleidades pessoais.

Aécio será o verdugo do que resta de dignidade ao PT mineiro, enquanto Pimentel será o Joaquim Silvério que levará sua ala para fora do partido, deixando o governador com uma hegemonia perigosa no estado. Inexistirá em Minas correlação de forças entre o governo estadual e oposição – como se já não bastasse sermos um estado já muito conservador por história e onde a imprensa é amordaçada e intimidada, ainda ficaremos órfãos de debates populares, pois o acórdão em BH tenderá a se espalhar como um metástase por outros municípios, principalmente da zona metropolitana. É de suma importância fazer da prefeitura de BH um campo de resistência a políticas hegemônicas, sendo um diferencial relativo ao restante do estado.

A velhacaria do acordão se exacerba ainda mais com o exaspero do PSB nas figuras de Ciro Gomes e do governador de Pernambuco, Eduardo Campos, no momento em que intimidam a Executiva Nacional do PT a aprovar o acordão. O testa-de-ferro escolhido por Aécio e Pimentel para a cabeça-de-chapa na coligação, é o obscuro secretário estadual de Desenvolvimento Econômico, Marcio Lacerda, filiado ao PSB.

Entretanto ao imporem o nome de Lacerda, se esquecem Ciro e Eduardo Campos, que no Congresso Nacional foi firmado um compromisso entre PSB, PCdoB e PDT (o chamado bloquinho) de caminharem juntos nas duas casas do Legislativo e nessas eleições municipais. Como pode o PSB cobrar “desprendimento do PT”, sendo que seus aliados mais próximos (PDT e PC do B) possuem pré-candidatos à mesma prefeitura, respectivamente Sérgio Miranda e Jô Moraes.

Segundo o ex-governador do Ceará, ex-ministro da Fazenda e da Integração Nacional e candidato à presidência da Republica em 1998 e 2002, quem está contra a aliança PT/PSDB/PSB é a espúria da política mineira. Forma bastante democrática de dialogar essa encontrada por Ciro. Talvez o neo-coronel, pense que os apoiadores de Lacerda sejam cidadãos tal como os antigos gregos ao passo que os opositores são escravos e estrangeiros sem direto a participação na Assembléia.


enviada por hudson



30/04/2008 15:25

O FUTURO DOS POVOS DO ALTIPLANO

Como ando sem muito tempo para falar sobre o referendo de domingo na Bolívia – que possuí relevância para toda a América Latina e é uma faceta de um perigo real de guerra civil que ronda o país – , e espero ainda hoje findar um outro artigo sobre as eleições em BH, fisguei esse artigo no Vi o Mundo do Azenha. Lá já estava em forma de reprodução, uma vez que seu autor é Luis Bilbao, jornalista, correspondente do Le Monde Diplomatique na Argentina e diretor da Revista América XXI.


NA BOLÍVIA SE JOGA O FUTURO

por Luis Bilbao, na Bolpress*

Toda pessoa consciente deveria preocupar-se com o que ocorre na Bolívia. Os Estados Unidos estão a ponto de deflagrar ali uma guerra que sacudiria a região e que logo levaria um estado de comoção e beligerância a toda a América do Sul.

A desculpa é a autonomia de quatro departamentos (Santa Cruz, Beni, Pando e Tarija); o instrumento, a oligarquia; a mídia, corpo mercenário financiado, treinado e comandado pelo Departamento de Estado através da CIA e outras agências; o objetivo, fragmentar a Bolívia, deter o processo revolucionário encabeçado por Evo Morales, introduzir uma cunha de fogo no Cone Sul e criar as condições para atacar a Venezuela e o Equador. Desde domingo passado, o Paraguai também está ameaçado. Os Estados Unidos necessitam a guerra.

A economia capitalista já não pode respirar sem ela. Erram os que crêem que o pântano do Iraque impede outras frentes de combate. É o inverso: só resta a eles seguir adiante. Mas buscam fazê-lo na diagonal, espelhando a linha de ação do Oriente Médio: abrir fissuras objetivas nas formações econômicas, sociais, étnicas e religiosas; aguçar conflitos latentes; desatar a guerra entre facções, colocar-se acima delas e cavalgar sobre a destruição mútua dos povos.

A diferença com aquela zona devastada pela invasão, pelas lutas intestinas e o constante alimento da guerra (os candidatos a suceder George W. Bush já anunciaram sua disposição de "arrasar o Irã"), é que na América Latina existe um germe de um centro político continental.

Os governos de Cuba, Venezuela, Nicarágua e Bolívia assumiram a necessidade de enfrentar o imperialismo nas condições do mundo contemporâneo, ou seja, atacando a raiz do capitalismo. A reunião de emergência realizada na madrugada do último dia 23 por Hugo Chávez, Evo Morales, Daniel Ortega e Carlos Lage - como representante de Raúl Castro - e as decisões adotadas nela, são indicativas de que esse bloco começa a atuar como direção política internacional.

Mas não é o suficiente. Os partidos e organizações com que contam estes quatro governos são a vanguarda revolucionária do continente, mas não alcançam reunir o conjunto dos trabalhadores, camponeses, jovens e dos povos desde o rio Bravo até a Patagônia. Essa é uma tarefa pendente.

A única via para atingí-la é que essas vanguardas, em toda a sua diversidade, encontrem o caminho das grandes maiorias e consigam explicar e persuadir a milhões do que está ao mesmo tempo claro mas às vezes tão obscuro: o imperialismo e as oligarquias que se subordinam a ele e os que vacilam em enfrentar a Casa Branca estão nos levando ao abismo da guerra.

É preciso detê-los. É preciso somar vontades, no mais amplo espectro possível, a partir da simples compreensão da ameaça. Não se poderá impedir a violência pedindo a Evo, como faz a OEA, que negocie com os cães de guerra atiçados por Washington. Trata-se de defender incondicionalmente ao legítimo governo indígena da Bolívia. E por todos os meios necessários.

Urge convocar reuniões em cada cidade da América Latina para explicar e debater esta conjuntura dramática. Destas milhares de assembléia deverão surgir ações de mobilização e formas de união nacional e regional. Devem estar prontas para enviar delegações a La Paz, fazer atos, concertos, encontros de todo tipo, em todas as partes, com todos e todas que entendem a gravidade do momento e com o único objetivo de amarrar as mãos assassinas do imperialismo.

*Luis Bilbao é diretor do América XXI

enviada por hudson



27/04/2008 19:00

CARTA AO SENADOR MÃO SANTA

O senador piauiense Mão Santa, tem se destacado no Congresso Nacional por seus contínuos pronunciamentos em ataque ao governo Lula. No dia 23/04/2007 foi a vez de usar a tribuna para acusar o governo de apologia ao autoritarismo e novamente bater na tecla que já vem sendo gasta há muito tempo pela oposição de direita-farisaica, a cantilena do terceiro mandato. Os pronunciamentos de Mão Santa são típicos desse tipo de oposição, pois apela para factoides uma vez que não consegue sustentar um discurso de transformação do país, ao contrario está mui satisfeita com a política neoliberal e outras mazelas abraçadas pelo PT. Esse tipo de retórica buscando desqualificar a figura do presidente e envolvê-lo em escândalos de corrupção, me faz lembrar aquela história da puta velha que fica corada de vergonha ao ver a puta jovenzinha recém chegada ao bordel, beijando a boca do cliente.

Segue a íntegra da mensagem eletrônica enviada por mim para o referido senador da República na quinta-feira (24/04/2007), todavia não sei se ele não a recebeu ou se não fui digno de merecer uma resposta sua.

Nobre Senador

Na última quarta-feira (23/04/2007), tive a oportunidade de acompanhar pela TV Senado seu pronunciamento da tribuna do Senado Federal e mais uma vez constatar suas virtudes como orador. Um excelente orador diga-se de passagem. Também reconheço que em comum temos a oposição ao governo Lula em alguns pontos e a rejeição a possibilidade dum terceiro mandato. No entanto fiquei encabulado com a falta de discernimento que V.Exa. demonstrou – ou pelo menos a enorme confusão que fez de distintos conceitos políticos. Pude ver também outros equívocos – alguns patentemente tendenciosos – como comparar o Presidente Lula e outros governantes latino-americanos a Hitler, ou o Partido dos Trabalhadores ao NSDAP.

Convêm antes de prosseguir a correção de tais equívocos frisar que não sou filiado ao Partido dos Trabalhadores e tampouco simpatizante. Faço parte do diretório municipal do PCB em Poços de Caldas e a postura do meu partido em todas as estâncias é de oposição crítica as políticas neoliberais do governo de Luis Inácio Lula da Silva.

Mas vamos aos equívocos:

1-V. Exa. confundiu de forma bisonha autoritarismo com absolutismo – em certo momento o senhor chegou a se referir a totalitarismo, mas penso eu que deva ter se enganado com palavras “parecidas”, pois a inclusão de um terceiro conceito de forma consciente num discurso tão curto, mostraria uma falta de entendimento ainda maior no assunto. Absolutismo – tentando explicar da forma mais simplória o possível – não permite diferença entre Estado, Governo ou Religião, pois tudo se funde na figura do Governante que por sua vez é ao mesmo tempo executor e legislador. O Estado Absolutista tem como característica geral a centralização e unificação administrativa, com a eliminação da autonomia dos poderes locais e das cidades. O Absolutismo é uma teoria política que defende que uma pessoa (em geral, um monarca) deve deter um poder absoluto, isto é, independente de outro órgão, seja ele judicial, legislativo, religioso ou eleitoral. Já o autoritarismo pode ser definido como um comportamento em que instituição ou pessoa se excede no exercício da autoridade que lhe foi investida. Sendo caracterizado pelo uso do abuso de poder e da autoridade. Junto ao autoritarismo vem a repressão coercitiva oriunda de um grupo de indivíduos sobre outros. Portanto embora sejam parecidos não são idênticos, sendo comum nos referirmos a absolutismo na Europa pós-feudalismo e o autoritarismo denominando regimes ditatoriais – nem todos – no século XX.

2-Franklin Delano Roosevelt, ao contrario do que V. Exa. afirmou, não governou os EE.UU. por quatro mandatos consecutivos devido a II Grande Guerra. Prova é que Roosevelt conquistou seu terceiro mandato em novembro de 1940 e o ataque a Pearl Harbor ocorreu apenas em 7 de dezembro de 1941, logo, 13 meses após a terceira eleição de Roosevelt. E mais, da forma como V.Exa. abordou o assunto, parece que os quatro mandatos de Roosevelt foram extremante salutar ao povo estadunidense, ignorando existir hoje em dia vários estudos, dentro e fora dos EE.UU. mostrando traumas causados pela permanência exagerada no poder de uma única pessoa.

3- Outro equívoco grosseiro de V. Exa., foi o de tentar, de forma deliberada, fazer uma analogia – na minha modesta opinião, muito bocó – entre o PT e NSDAP, confundindo de forma ridícula o nome do Partido Nacional Socialista dos Trabalhadores Alemães – NSDAP a sigla no idioma original – com o Partido dos Trabalhadores e a trajetória de Hitler com a de Lula. Acaso V. Exa. não sabe que, entre outras diferenças, Hitler nunca chegou ao poder pelo voto?

Bom. Gostaria eu de saber, onde V. Exa. enxerga similitude entre os programas de Lula e outros governantes que o senhor citou – Hugo Chávez, Evo Morales, Rafael Correa, Daniel Ortega e o recém eleito presidente do Paraguai, Fernando Lugo – com os ideais de Hitler e seu partido. Posso dizer que seria bastante didático para mim enquanto professor. Aliás se alguém na América Latina se parece com Hitler, esse alguém é o presidente da Colômbia Álvaro Uribe. Pois até onde eu saiba faz uso de grupos paramilitares de direita, bem ao estilo SS e SA e é claramente um governo belicista e beligerante.

Perdão caro Senador, mas gostaria de fazer-lhe uma pergunta: Qual projeto de importância nacional V. Exa. levou ao Congresso Nacional e conseguiu aprovar nestes cinco em que representa o povo do Piauí na Câmara Alta?

Sempre o vejo na tribuna para atacar – muitas vezes até mesmo quebrando o decoro parlamentar – o governo, no entanto sem propor projetos para o País e para os trabalhadores.

Ah, sim!!! Nisso o senhor e seus companheiros do bloco Demo-Tucanos são idênticos. Os senhores não têm projeto para o Brasil que se diferencie do atual, o que os senhores têm é apenas um projeto político-partidário de poder, mas nunca de governo. São incapazes de formar uma oposição substancial, por isso se apegam a Cartões Corportivos, enquanto a soberania nacional se esvai e o capital continua sua exploração ao trabalhador brasileiro.

No mais, perdão mais uma vez, mas de onde V. Exa. e os Demo-Tucanos buscam tanta hipocrisia para falar sobre ética e honestidade? Pelo que eu saiba o senhor mesmo, teve cassado seu mandato de governador por distribuição de medicamentos, contratação de cabos eleitorais para cargos comissionados e a anistia de contas de água de eleitores. Isso é ter ética e idoneidade?

Trocar Lula por qualquer dos senhores, é trocar seis por meia dúzia.


enviada por hudson



22/04/2008 15:43

ABRIL VERMELHO

Enquanto o MST mobiliza manifestantes no Brasil por mais uma jornada de lutas e reivindicações legítimas, nossa elite nunca preocupada com os verdadeiros rumos do Brasil e sim única e exclusivamente pensando em si própria e seus bens materiais, volta a chamar seus “cães de guarda” para ladrarem contra a “desordem” perpetrada por um movimento social organizado, popular e democrático.

A democracia na boca de nossa elite dominante não passa de termo gasto e surrado, usado para defender seus interesses de classe. O direito – ou obrigação – de ouvir os dois lados de uma contenda é esquecido pelos “cães de guarda” Arnaldo Jabour, William Waack, William Bonner, Boris Casoy, Jô Soares, Carlos Nascimento e outros congêneres para mostrar e veicular apenas um dos lados. Claro que esse lado é a das grandes empresas transnacionais aqui instaladas em detrimento da luta de cidadãos brasileiros – não é chauvinismo de minha parte, mas sim a constatação didática da disputa capital versus trabalho.

O MST sempre procurou colocar em pauta atos recentes ignorados pela elite dominante e conscientizar a sociedade sobre os rumos que o neoliberalismo tem imposto ao Brasil.

No dia 8 de março de 2006 trabalhadoras sem-terra ligadas ao MST e a Via Campesina invadiram instalações da Aracruz Celulose no Rio Grande do Sul e destruíram mudas de eucalipto transgênico. As grandes plantações de eucalipto, ainda sem a modificação genética já são conhecidas pelo nada auspicioso apelido de “deserto verde”, imaginemos então o que é capaz após a modificação buscando robustecer a planta, acelerando seu crescimento e conseqüentemente consumindo mais água. A ação das camponesas não deixava de ser também uma resposta solidária a população norte-capixaba contra as arbitrariedades cometidas pela mesma Aracruz. A empresa transnacional responsável pelo eucalipto transgênico, também ocupou uma área no estado do Espírito Santo, originalmente demarcada como território indígena e reiteradamente tem difamado as populações indígenas da região. Esse fato deu iniciou uma disputa judicial entre a citada transnacional e a Funai. Entretanto a mídia não deu nenhuma palavra sobre esse tema, assim como sobre o deserto verde.

Mas o destaque da mídia naquele dia ficou por conta da “baderna” promovida pelo MST. Baderna pura e simples, sem nenhum objetivo a não o de espalhar o terror e amedrontar empresas que queiram investir no Brasil. Obvio que entre as pessoas mais politizadas começou-se a falar sobre a tragédia que a Aracruz representa para o Brasil e um segmento da sociedade, embora pequeno, percebeu os danos causados por essa empresa para o meio ambiente e para as populações arredores, além do desprezo tanto para com os povos originários quanto pela justiça brasileira – no entender da Aracruz a justiça só é boa, serve e deve ser obedecida se estiver concomitante com os seus interesses. Para desfazer a imagem negativa a transnacional veiculou durante a Copa do Mundo – o evento mais alienante que a Rede Globo e seus concorrentes (na verdade macacos de imitação) já conseguiram produzir – uma peça publicitária milionária pagando cachês elevados a Pelé, Seu Jorge, Daiane dos Santos, Bernardinho entre outros, mostrando bem a preocupação, ou falta dela, dessas “celebridades” para com a sociedade. Ou talvez tenha simplesmente comprado tal “preocupação”.

Muito antes disso em Eldorado do Carajás em 10 de abril de 1996, dezenove camponeses trabalhadores sem terra foram trucidados pela policia militar enquanto outros 69 eram mutilados e mais de uma centena feridos, com o consentimento do governador paraense Almir Gabriel (PSDB) – que à época tinha a função de privatizar o estado e defender os interesses do capital internacional – e a omissão dos grandes meios de comunicação que tratou a tragédia como “confronto entre manifestantes e Policia Militar”.

No livro “O massacre – Eldorado do Carajás uma história de impunidade”, o jornalista Eric Nepomuceno destaca não haver nenhuma assimetria entre manifestantes armados de pedaços de pau, facas e enxadas e a força policial para que se pudesse chamar de confronto, "Isso é uma aberração. Não houve confronto. Os sem-terra morreram imobilizados covardemente. Sem possibilidade de defesa, tocaiados".

Passados 12 anos apenas 2 dos 144 incriminados foram condenados pela justiça e ainda assim aguardam em liberdade o recurso da sentença.

Agora, nesse mês uma jornada nacional – Abril Vermelho – relembra o massacre de Eldorado do Carajás pedindo o fim da impunidade além de por em pautas outras reivindicações.

O MST obstruiu os trilhos da Estrada de Ferro Carajás, em Parauapebas (PA), em uma série de protestos para denunciar a exploração da empresa mineradora Vale. Essa empresa tem explorado e sujeitado a más condições de trabalho seus operários, além de degradar o meio-ambiente. Na justiça paraense corre processo visando reverter o esbulho que foi o leilão da Vale do Rio Doce em 1995, então uma empresa estatal – ou seja patrimônio do povo brasileiro – por escandalosos US$3,3 bi – só o lucro da empresa no primeiro semestre de 2007 foi de US$3,5 bi –. Ademais, a empresa conta com forte capital externo e controla uma quantidade enorme de jazidas dos mais diversos minérios praticamente monopolizando a extração de alguns e explora o solo nacional em flagrante desencontro com os princípios de um país que se diz soberano. Um plebiscito marcado por diversos movimentos sociais no ano passado mostrou a disposição da maioria dos participantes em anular o leilão de privatização da Vale do rio Doce.


Outras mobilizações se realizam pelo país afora com o intuito de exigir o cumprimento de promessas por parte do governo federal; maior apoio e crédito aos assentamentos, avanço da reforma agrária que se encontra estacionada com muito poucas famílias senda assentadas nos últimos anos, mudanças na política econômica, maior prestígio a agricultura familiar e melhores condições para a pequena e média propriedade que nos últimas décadas vem sofrendo com o crescimento do agronegócio e a concentração fundiária. Concentração fundiária que por sua vez aumenta os índices de violência no campo onde a maior vítima é o trabalhador rural.

Reivindicações normais em qualquer democracia do mundo, mas aqui no Brasil toma ares de ato terrorista. Os jornalões e as redes de televisão fazem do MST uma aberração tratando-o como uma patologia de país terceiro-mundista. Criminaliza suas ações e sataniza seus dirigentes, em especial o coordenador nacional João Pedro Stedile. O que aparece nas telas Jornal Nacional são um bando de baderneiros vociferando como loucos contra tudo e contra todos.

Ao ver a história dos 24 anos de lutas do MST, temos a certeza da existência no Brasil dum movimento social-democrático-popular lutando contra todas as adversidades para construir uma nova sociedade. E o mais importante, é a prova que o proletariado tanto do campo quanto da cidade, pode se unir em torno de uma causa comum sem se enveredar pelo pragmatismo.

É um alento saber que existe um movimento que age de maneira efusiva contra o pensamento hegemônico num momento em que se trava a luta entre socialismo e barbárie.

O MST hoje condensa varias reivindicações populares e não só a luta pela reforma agrária ou a denuncia da falta de incentivo à pequena ou média propriedade rural, como também a fragilidade dos poderes públicos perante o poder econômico, a desigualdade social que opõe opulência à miséria, a omissão do estado diante da violência cometida contra grupos mais fracos – ou seja a maioria da população – , o acesso restrito a justiça, saúde e educação, são de importância extrema e por isso mesmo o movimento seria saudado em qualquer sociedade democrática de fato. No entanto, enquanto vivermos sobre o totalitarismo do sistema capitalista isso será mostrar a própria chaga, portanto nessa ótica, é inadmissível tal movimento, ou mesmo a existência de tal debate.

enviada por hudson



16/04/2008 16:28

O PT de MG

Enquanto se fala numa possível coligação entre o PSDB de Aécio Neves e o PT de Fernando Pimentel para a disputa da prefeitura de Belo Horizonte, fica patente mais uma vez a postura matreira do Partido dos Trabalhadores de Minas.

A seção estadual do PT não passa de um arquétipo de partido pragmático e que trabalha para o engodo dos movimentos sociais. O PT mineiro não resiste a argumentações sobre os motivos que o levou nos últimos 14 anos a aliar-se com o que há de mais atrasado no cenário político mineiro.

Apoiou Eduardo Azeredo no segundo turno de 1994. Quatro anos depois o partido dividiu-se entre duas “grandes” opções: Azeredo ou Itamar. Sendo que o primeiro fez em Minas o papel que Mario Covas fez em São Paulo, Marcelo Alencar no Rio, Jaime Lerner no Paraná, Antonio Brito no Rio Grande do Sul, Paulo Souto na Bahia e FFHH no plano nacional, ou seja vender o estado a preço de banana e gerenciar os interesses do capital internacional. Enquanto Itamar encarna a política de manutenção do status-quo buscando dialogar de modo anedótico, fanfarrão e bufão com a população.

Após a eleição de Itamar aceitou sem rodeios num primeiro instante participar de seu governo, para depois assumir uma postura omissa e patética perante aquela pífia administração pública – ao adjetivar a administração Itamar Franco como pífia, gasto minha generosidade.

Antes disso em 1996 já havia embarcado na canoa fisiológica e “desideologizada” de Célio de Castro na capital e apoiado sua reeleição em 2000 já com Fernando Pimentel – então um quadro técnico do partido (é economista por profissão) – como vice na chapa. Pimentel se tornaria prefeito após o afastamento por motivos de saúde de Castro ainda no inicio do segundo mandato.

Mas não para por aí as contradições desse partido em Minas, pois ainda temos a aliança branca com o porta-voz da Rede Globo no estado, Hélio Costa, para o Senado Federal em 2002 e a aliança declarada com o ex-governador Newton Cardoso em 2006 também para a Câmara Alta. Em 2002 o tiro saiu pela culatra pois naquele ano estavam em jogo duas cadeiras para o senado e o candidato petista, Tilden Santhiago, terminou em terceiro lugar a poucos votos do segundo colocado Hélio Costa. Assim a esperteza do PT em não lançar outro candidato para o Senado ou não apoiar algum outro de esquerda e na última hora pedir votos para Costa, lhe custou caro.

Vale destacar ainda que nas duas eleições de Aécio Neves o partido optou por uma postura no mínimo dúbia, sendo que da última vez nitidamente lançou um candidato para “perder”.

No estado reina um marcatismo perpetrado pelo governador e seus aliados mais próximos e onde está o PT para denunciar isto? Existem algumas figuras de destaque local ou nacional que não concordam com os rumos do partido no estado, no entanto a resignação parece ter tomado conta até mesmo de parte da militância que sempre foi o diferencial da sigla. Há no ar um sentimento de abnegação a todas as lutas que o partido travou durante décadas em troca do gosto pelo poder.

Vivemos em Minas Gerais um momento antagônico onde o Palácio da Liberdade chefiado por um “playboy” e sua irmã, não respeita a liberdade de imprensa – o que vale é a lei da mordaça – quando essa fere seus interesses ou toca em assuntos os quais a população não “precisa” tomar conhecimento. E simplesmente não há contestação política organizada contra as políticas conservadoras vindas desse verdadeiro palácio e nem partido que se proponha a tal. Eis aí o antagonismo, existe um governo conservador porém não há mobilização contraria, é um governo de consenso, todavia defende exclusivamente os interesses da burguesia.

Mas mesmo com a imprensa amordaçada por força ou por conveniência – e essa á a maioria dos casos – algumas notícias vazam e chegam aos ouvidos da sociedade.

Alguns exemplos são o envolvimento do governador com o “pai de todos os mensalões” ou a utilização de empresas estatais como Cemig e Copasa para bancar campanhas publicitárias enaltecendo as maravilhas do neto de Tancredo. A atuação da Polícia Militar no ataque ao Instituto de Geociências da Universidade Federal de Minas Gerais no início de abril, quando a reitoria permitiu a entrada da PM para reprimir a exibição do filme “Grass” e o silêncio do governo em relação a esse atentado a liberdade de expressão e aos direitos individuais. O sucateamento da educação e a efetivação ilegal de professores contratados sem concurso público. Ou ainda o escândalo da compra de ambulâncias em que não cabiam os necessitados por completo – cabiam apenas a cabeça, o tronco e metade das pernas.

Claro também que não me refiro a todo o PT mineiro – mesmo porque seria um desrespeito a alguns companheiros que muito estimo e conheço suas posições –, mas o seu grosso tem se mostrado de uma política execrável por ser matreira e sem princípios . Agora essa insidiosa – até pouco tempo atrás insólita – coligação em BH aprovada por 85% dos delegados do partido exacerba o caráter fisiológico da legenda. O que distingue o Partido dos Trabalhadores em Minas Gerais dos partidos tipicamente ou convencionalmente chamados de direita?

A seção do PT em meu estado contrasta com outras seções, como a fluminense que sempre foi alvo de intervenção da executiva nacional por se recusar a fazer certas alianças. Ou a gaúcha que ao longo de sua historia mantêm-se coerente com os objetivos de quando o partido foi fundado e coloca-se à frente de políticas sociais inovadoras, além de defensora de uma ideologia esquerdista que em outros estados parece ter se perdido e que paga por muitas vezes não comungar das decisões do partido no âmbito nacional.



enviada por hudson



13/04/2008 16:38

UM DEBATE PARA O BRASIL

O Copom se reunirá a partir do dia 15 desse mês e já ameaça, a revelia da sociedade, elevar a famigerada taxa Selic, atualmente em 11,25% ao ano.

Esse órgão, Comitê de Política Monetária, composto por sete cavalheiros – presidente mais seis diretores do Banco Central – jamais primou pela democracia em suas decisões. Ao contrário, age reiteradamente de forma a expressar-se como ser autonomo , embora nossa constituição não cite essa autonomia, e de forma arbitrária e autoritária. Todavia suas decisões têm impacto direto sobre a vida de todos os brasileiros. É desnecessário dizer, pela sua obviedade, que esse assunto é de interesse nacional, porém o governo mostrasse refém dos compromissos assumidos com as elites dominantes – ainda antes da sua primeira eleição em 2002, vide Carta aos Brasileiros – de não alterar o quadro macroeconômico, enquanto a oposição farisaica conservadora passa ao largo desse debate, como se simplesmente não houvesse tal debate.

É sempre bom lembrar que o presidente do Banco Central – que atualmente tem status de ministro-de-estado – é digno e legitimo representante do “grande cassino”, ou seja, o mercado financeiro internacional, ex-presidente do Bank of Boston, além de ter sido o deputado federal mais votado de Goiás em 2002 – não sem antes ter realizado a campanha mais cara da historia daquela unidade federativa –. Ah e sim, foi eleito pelo PSDB.

Pois bem o Copom enfatizou na ata de sua última reunião a preocupação do BC com o crescimento da demanda interna, o que no seu entender pressionaria preços e estimularia inflação. O remédio então não é outro além do ortodoxo aumento da taxa de juros.

Esquecendo as disputas partidárias, podemos definir que isso sim é um debate para o país e não dossiês ou cartões corporativos – mesmo porque paira sobre a mídia um silencio ensurdecedor sobre os tais cartões corporativos de Serra e Aécio.

No entanto a base do governo ou concorda com a política do Copom ou se deixa resignar a ela. De outro lado o bloco de oposição fariseu conservador liderado pela aliança tucano-demos e os liqüidacionistas do PPS, parece em nada preocupado com os rumos que o Copom ditará para a economia do país.

Pudera, o BC leva a cabo a mesma política econômica do magnânimo FFHH.

Para essa oposição o importante é pousar de vestal, paladino da justiça e defensor da moral e dos costumes enquanto usa de chantagem contra o governo e o impede de governar para os mais pobres – nem que para isso tenha que recorrer ao Supremo Tribunal Federal – e se esforça para manter intactas as políticas que beneficiam a alta burguesia nacional atrelada aos interesses do capital internacional.

Na verdade essa oposição farisaica não tem projeto para o Brasil a não ser aquele que o todo poderoso deus Mercado ditar. Ademais seria um sacrilégio não ouvi-lo ou heresia ensaiar algo que o contra-diga. Tudo ao deus Mercado e sua mão invisível. Invisível como projeto tucano-demo para o Brasil.


enviada por hudson



10/04/2008 21:09

PSDB E PIG TUDO A VER

Na tarde de quarta-feira 9 de abril, duas sub-estações de eletricidade literalmente explodiram deixando centenas de milhares de pessoas sem energia elétrica em São Paulo, a maior e mais rica cidade do país, e essa foi a última de varias outras situações semelhantes só nesse inicio de ano. No entanto até a noite do dia seguinte praticamente não houve cobertura do PIG – Partido da Imprensa Golpista – sobre o caso. Por quê será?

Será porquê as empresas de energia do estado de São Paulo não foram privatizadas por Lula, Marta ou algum outro petista? Será que o PIG está protegendo o gênio que encabeçava a comissão de privatização do estado à época (Alckmin)? Será que estão respeitando a memória de um falecido governador que vendeu o estado a preço de banana (Covas)? Será que o PIG ainda está embasbacado com as façanhas daquele ex-presidente íntimo de Bill Clinton e Tony Blair (FFHH)? Ou será que Serra "mandou" a imprensa fingir que não aconteceu nada?

Vai ver o PIG ainda descobre que foi coisa de uns aloprados (do PT)!!!

A lógica é simples. Não importa se quase meio milhão – ou mais – de pessoas ficaram sem energia elétrica em casa se a notícia não pode ser vinculada ao PT. Se o PT não é responsável a notícia automaticamente deixa de ser notícia.

enviada por hudson



08/04/2008 19:56

DALAI-LAMA: HOMEM DE PAZ, OU DE LAMA?

Por Lucas Rafael Chianello

Situando

Nos últimos dias, a imprensa tem destacado, especialmente nas páginas esportivas, o conflito entre tibetanos e chineses às vésperas dos Jogos Olímpicos de Pequim. A princípio, atribui-se à China o ato oprimir militarmente os monges budistas moradores da província do Tibete, assim como é atribuída ao Senhor Tenzin Gyatzo, o 14ª Dalai-Lama, a imagem de homem de paz e serenidade, título especialmente sustentado pelo Prêmio Nobel da Paz a ele concedido em 1989. Em suma, o 14ª Dalai-Lama, exilado em Dharamsala, na Índia, é tratado como líder religioso e político de um povo supostamente oprimido por “chineses intolerantes”, como afirmava o personagem de Brad Pitt no filme Sete Anos no Tibete.

Porém, como a grande mídia, escondida na falácia da imparcialidade, noticia somente aquilo que a convém, tornam-se necessários alguns esclarecimentos históricos, afinal, se analisarmos a fundo, o Sr. Tenzin Gyatso não parece ser esse homem de paz conforme a mídia e o senso comum tanto nos passam. Não se trata de lecionar história, mas sim buscar na história argumentos que sustentam teses.

O reino tibetano do Tubo foi formado no século VII d.C., quando dois descendentes e soberanos casaram-se com princesas da etnia han e então firmaram diversos acordos com o Império Chinês, vindo a acelerar o intercâmbio cultural entre ambos. No século XIII d.C., Marco Pólo, ao visitar a corte de Kublai Khan, imperador mongol da China, constatou que o Tibete era uma das doze províncias que a compunham. Desde a mesma data, nenhum país no mundo reconhece o Tibete como Estado soberano.

Com as Guerras do Ópio contra a Grã-Betanha, nos anos de 1839 a 1842, inicia-se na China um processo de tentativa de desmanche da sua soberania e do seu território. A Rússia czarista ocupou o norte mongol, criando a Mongólia Exterior, e o Japão ocupou a Manchúria, localizada no nordeste do país. Fragilizada com as Guerras do Ópio, o poderio militar inglês e o não controle de territórios, a China tornou-se praticamente uma colônia do Império Britânico, quando então é delegado ao poder político imperial controlar as relações exteriores do Tibete. Não o bastante, é assinado o Tratado de Lhasa (capital do Tibete), no qual a China, uma “semicolônia” britânica, é obrigada a pagar pesadas indenizações ao tesouro britânico, garantir acesso a rotas comerciais, estacionar tropas inglesas e instalar postos de correios e telegráficos.

A China torna-se uma república

Em 1911, a China torna-se uma república e o 13º Dalai-Lama admite a libertação do Tibete do jugo imperial. Todavia, Pequim declara que o Tibete integrava o território chinês, assim como Marco Pólo havia apontado há séculos. Com a morte do 13º Dalai-Lama, Tenzin Gyatso, o 14º, é conduzido ao posto aos seis anos de idade em 1935. Já consolidada enquanto república, a China viu os partidos nacionalista e comunista darem entre si uma trégua para conterem a invasão japonesa na Segunda Guerra Mundial. Findada a Segunda Guerra em 1945, quatro anos depois triunfa a revolução chinesa liderada por Mao Tse-Tung.

O Tibete e a revolução socialista

Sob a liderança de Mao, o exército comunista estava muito fortalecido. Sabendo disso, os EUA aumentam sua intervenção no Tibete em 1947, quando então Mao Tse-Tung envia para lá uma coluna do exército vermelho liderada por um certo general chamado Deng Xiaoping. O Tibete, que através do 13º Dalai-Lama reconheceu ser um território chinês, assina com a China em 1951 um acordo de libertação pacífica, o que lhe dá o status de minoria étnica que goza de autonomia, bem como o direito de liberdade de crença.

Eis então um fato jamais dito pela grande mídia: o Sr. Tenzin Gyatso, o 14º Dalai-Lama, participou da primeira legislatura da Assembléia Nacional Popular da China, que elaborou a Constituição da República Popular, vindo a ser eleito um dos vice-presidentes do comitê permanente da Assembléia. Dando continuidade a suas atividades, o 14º Dalai-Lama tornou-se presidente do comitê provisório encarregado de organizar a região autônoma do Tibete, estando as relações entre China e Tibete normalizadas.

Entretanto, a normalidade deu lugar à tensão quando foi elaborado um projeto de reforma democrática para o Tibete, na qual a religião seria separada do Estado, a servidão rural e a escravidão doméstica seriam abolidas e as terras, monopolizadas pela aristocracia civil e pelos mosteiros, seriam redistribuídas. Estando o Dalai-Lama envolto de forças anti-chinesas e separatistas tibetanos, coube a facção pró-ocidental, já patrocinada pela CIA, retomar a ofensiva sobre a China.

Com a fundação da organização política “Quatro rios e seis montanhas” e o patrocínio da CIA, em 1956 é deflagrado um ataque a funcionários e prédios públicos tibetanos e obras de infra-estrutura. Tibetanos defensores das reformas iniciadas pela China também seriam alvos. Em 1959, mais precisamente no dia 17 de março, o Dalai-Lama se exila em Dharamsala e a facção pró-ocidental de Lhasa tenta, manu militari, retomar o Tibete, com a China restabelecendo a ordem 72 horas depois. Recorda-se que em direito internacional é lícito recorrer ao direito de guerra somente em caso de defesa.

A partir do momento em que a China controla o Tibete, as reformas democráticas mudam o cenário social. Em 1990, o governador do Tibete seria, obrigatoriamente, da etnia tibetana e não da etnia han, como era anteriormente, assim como 70% dos funcionários públicos. Entretanto, o homem da paz da grande mídia diz haver um genocídio cultural no Tibete. Pouco importa, pois lá foi introduzido o bilingüismo, fala-se o mandarim e o tibetano, com preferência para este último. A construção da ferrovia que liga Pequim a Lhasa deu novo fôlego econômico à região, a mais pobre do país. No plano da preservação da tradição religiosa, há 46 mil monges e monjas (cerca de 2% da população), acesso livre a imagens sagradas e 1.700 mosteiros em atividade. Retomou-se a tradição dos festivais religiosos e iniciou-se a publicação de escrituras sagradas budistas, algumas inéditas. A epopéia tibetana do Rei Gasar, tradicionalmente oral, está sendo publicada em vários idiomas.

No campo social propriamente dito, o fim da teocracia escravista deu lugar à redução de 90 para menos de 20% do número de analfabetos, conforme estatística de 2005. Ainda é preciso erradicar o analfabetismo, mas já melhorou muito o indicador. Até 1950, não existiam escolas públicas de primeiro ou segundo grau, atualmente há mais de 3000. Há também uma universidade e três grandes centros de pesquisas. As mulheres ocupam cerca de 20% do funcionalismo público e 28% das vagas na universidade, enquanto na época da teocracia escravista a participação feminina na sociedade era praticamente nula. Por fim, a expectativa de vida aumentou de 35 anos em 1950 para 65 anos em 1990. Dados e fatos apresentados, pergunta-se: o que a grande mídia e o próprio Dalai-Lama chamam de opressão?

Cai o mito do homem da paz!

A poucos meses do início dos jogos olímpicos de Pequim, a grande mídia noticia intensamente uma rebelião de tibetanos contra o governo chinês. Pasmem! Os defensores da paz e da serenidade, injustiçados por um governo central, se valendo do corre-corre para conseguirem seus objetivos, dentre os quais poder restabelecer algum dia a teocracia escravista da qual tanto têm saudade.

Tamanha é a serenidade e a vocação pacífica do Dalai-Lama, serenidade esta que o permitiu fazer vista grossa ao financiamento da Sociedade americana por uma Ásia livre, braço da CIA, na década de 50, organizada pelo seu irmão Thutban Norbu. Ou então, a mesma serenidade e vocação pacífica que também o fez não dar importância à célula da CIA estabelecida em 1951, no Tibete, por seu irmão Gyalo Thondup.

Monges “injustiçados” que receberam 1,7 milhão de dólares anuais da CIA na década de 60. Dessa quantia, 180 mil dólares pagos diretamente ao sereno e pacífico Dalai-Lama! Ajuda vigente até 1974.

A obtenção de um visto de entrada nos EUA na administração Carter rende ao pacifista da grande mídia novos colaboradores no congresso estadunidense em prol da sua causa. Talvez todas essas colaborações justificam o fato do Dalai-Lama ter ganhado o Prêmio Nobel da Paz de 1989, defendendo o direito da Índia dispor de bombas nucleares.

Atualmente, o sereno pacifista da grande mídia recebe a ajuda financeira de outro braço da CIA, a National Endowment for Democracy (Dotação Nacional para a Democracia), órgão criado na administração Reagan em 1984 que subsidia ações de interesse dos EUA mundo afora, como por exemplo as que derrubaram os governos da ex-Iugoslávia, em 2002, Geórgia, em 2004 e Ucrânia, em 2005. Agora sabemos como são financiadas e lançadas no mercado editorial as obras pacifistas do Dalai-Lama.

Por fim, não bastasse ter vencido o Prêmio Nobel da Paz em 1989, o Dalai-Lama, foi condecorado com a Medalha de Ouro do Congresso dos EUA pelo presidente George Walker Bush, a maior condecoração civil que alguém pode receber nos EUA. Ao ser condecorado, disse que ainda era muito cedo para dizer se a guerra no Iraque foi um erro ou não.

Dados, fatos e fotos, nos resta questionar o conceito de paz a nós atribuído pela grande mídia, bem como pesquisar a fundo quais são os personagens que ela nos intitula pacíficos, cabendo, após esse exame, decidirmos ou não se continuaremos filiados aos conceitos da grande mídia e por quê. Talvez não seja uma máxima absoluta que “as aparências enganam”, mas podem enganar. Muitos pacifistas da grande mídia não passam, na verdade, de lobos fantasiados de cordeiros.


Lucas Rafael Chianello, responsável pelo blog Além da Grande Mídia. É companheiro de lutas populares aqui em Poços de Caldas, estudante do curso de Direito da PUC-MG e presidente da ACJC.

http://www.alemdagrandemidia.blogspot.com


enviada por hudson



06/04/2008 19:07

UM ACHADO NO VI O MUNDO

Tivemos uma semana daquelas em Brasília, onde a oposição farisaica meteu os pés pela cabeça e o governo continua sua estratégia de “política da inércia”. Semana em que os governistas no senado ficaram, sem esperar, com a faca e o queijo na mão, podendo de uma vez só, levarem a Comissão de ética da casa, Álvaro Dias por participação em complô contra um ministro de Estado e Mão Santa por quebra – clara, claríssima e transmitida ao vivo – de decoro parlamentar.

Agora nesse domingo sou agraciado com a oportunidade de ler um verdadeiro “achado” no Vi o Mundo do Luiz Carlos Azenha. Um achado tão grande, que não pude resistir e pedi sua autorização para publicá-lo também nesse espaço. O texto apesar de curto é assertivo e objetivo sobre a atual conjuntura da política nacional sem apelos ou clichês do tipo... é um governo de merda, mas é meu governo...

Espero que meus parcos leitores gostem tanto quanto eu.

A ESTRANHA SIMBIOSE ENTRE TORTURADOR E TORTURADO, PATROCINADA COM A FARTURA DO DINHEIRO PÚBLICO

Por Luiz Carlos Azenha

Apesar das políticas sociais elogiáveis, dos avanços na distribuição de renda e de sucessos aqui e ali, o governo Lula, depois de quase seis anos no poder, ainda é eminentemente antenado no triângulo Rio-São Paulo-Brasília. Posso estar errado, mas fico com a impressão de que o presidente da República é prisioneiro de sua própria insegurança e de uma profunda necessidade de ser aceito pela elite - que o trata como excrescência, um acidente político conjuminado pelos beneficiários de uma versão repaginada do pai-dos-pobres.

Basta olhar as revistas semanais, os jornais, as emissoras de TV. O governo gasta milhões de reais em propaganda em órgãos que se dedicam a enredá-lo em crises, sejam elas verdadeiras ou falsas - enquadrando-se nesta última categoria a famosa epidemia de febre amarela que não houve, mas causou prejuízo a mihares de pessoas.

Eu não acho que a propaganda oficial deva ser usada como arma política. Acredito que os recursos públicos - portanto, que saem de seu bolso - poderiam ser melhor empregados em um sem-número de atividades socialmente mais relevantes. Mas a quê assistimos? A um governo que torra milhões e milhões de reais fazendo publicidade institucional enquanto fecha rádios comunitárias, ou permite que rádios e TVs educativas continuem sendo usadas ilegalmente por políticos ou apadrinhados de políticos.

Dia desses fui jantar com um integrante de um partido de esquerda, o que automaticamente elimina o Partido dos Trabalhadores - na minha opinião, um partido social democrata quando acorda disposto.

O colega jornalista tem a sensação de que falta apetite ao governo para lidar com uma mídia verdadeiramente independente, capaz de trazer à tona temas realmente espinhosos e que nem entram na agenda da mídia corporativa: a Monsanto, os desertos verdes, a decadência dos rios brasileiros, o barragismo no rio Madeira, a ênfase no agronegócio, a falta de ferrovias e dezenas de outras questões realmente essenciais para o futuro do país.

Pensando bem, não é que uma mídia como essa poderia abrir um flanco à esquerda da coalizão liderada pelo PT?

Lula planta os dois pés no centro, molha a mão da mídia tradicional com dinheiro público, faz com que ela se deite com os partidos de oposição e garante apoio em toda uma faixa do espectro político com a mera ameaça de que amanhã "pode ser pior".

Temos uma oposição sem projeto político e um governo que se atira com vigor nas falsas polêmicas, nas discussões inúteis, nos debates desnecessários. Nisso eles concordam: é um jeito de evitar os assuntos que realmente importam. Ou de deixar que eles sejam decididos nos bastidores, enquanto os eleitores se esgoelam debatendo o dossiê do momento.

Fonte:

http://www.viomundo.com.br/opiniao/a-estranha-simbiose-entre-torturador-e-torturado-patrocinada-com-a-fartura-do-dinheiro-publico/

enviada por hudson



03/04/2008 23:58

WITH GOD ON OUR SIDE

O titulo do post é plagio de outro titulo, o de uma canção de Bob Dylan que me veio à lembrança semana passada ao saber que John McCain invocou Harry Trumman – aquele que autorizou o despejo das bombas atômicas contra Hiroshima e Nagazaki – repetindo sua celebre frase ao final da II Grande Guerra: "Deus nos criou e nos colocou na atual posição de poder e força por alguma grande razão".

Na verdade a frase proferida por Trumman e repetida por McCain, pode ser posta ao lado de outras de Tom Paine ou qualquer ideólogo do nacionalismo anglo-americano que sempre acreditou ser os Estados Unidos da América a nação ungida por Deus para guiar as demais nações rumo a “civilização”, não importando os métodos que os wasp adotassem nessa árdua tarefa. Através da força e da violência, levaram a dita civilização aos povos ameríndios que ocupavam desde os Grandes Lagos até o Rio Grande, do Maine a Califórnia. E após a “conquista do Oeste” e o esbulho do México demarcarem os limites geográficos do nascente país, aplicariam os limites da economia de mercado e do seu imperialismo por quase todo o globo.

O imperialismo ianque só não foi maior durante a Guerra Fria, porque esbarrou no pacto de Varsóvia e em algumas nações
autoproclamadas não alinhadas – Cuba e a antiga Iugoslávia à frente. Com a Europa destruída e mutilada pelos 6 anos de guerra – vendo sua economia não em frangalhos, mas inexistente a ponto de depender dos norte-americanos para tudo que fosse industrializado – tornou-se campo fértil para Washington impor seu imperialismo ora travestido de laissez fair, ora travestido de Wellfare State. Nesse período o Plano Marshal foi peça fundamental para a cooptação da Europa e consolidação dos interesses do além Atlântico. Cooptação que as elites europeu-ocidentais se agarraram por medo do crescimento dos movimentos democráticos-populares no Velho Continente.

Agora, enquanto os democratas digladiam entre si de forma tão acirrada a ponto de parte significativa dos eleitores de Obama dizerem preferir McCain a Hilary Clinton, e eleitores da ex-primeira-dama afirmam ter serias objeções ao senador de Ilinois, o herói do Vietnam, anuncia, para deleite de alguns meios de comunicação e
(des)informação tupiniquins, que é seu desejo excluir a Rússia e incluir Brasil e Índia no chamado G8. Os motivos para exclusão duma e inclusão de outros seria: "...garantir que o G8, o grupo de oito nações altamente industrializadas, se torne novamente um clube das principais democracias de mercado em vez de uma Rússia revanchista...”.

Não satisfeito com os danos diplomáticos que tal declaração pode acarretar, continuou: "...em vez de tolerar a chantagem nuclear da Rússia ou os seus 'cyberataques', as nações ocidentais deveriam deixar claro que a solidariedade da Otan, do Báltico ao Mar Negro, é indivisível e que as portas da organização permanecem abertas a todas as democracias comprometidas com a defesa da liberdade...".

Depois de tanto preconceito e desequilíbrio, vai por água abaixo a esperança que numa possível vitória de McCain, a truculência imposta pelo cinzento período Bush fosse coisa do passado. Já escrevi aqui mesmo nesse espaço a dificuldade de McCain, embora um republicano mais liberal que seus pares, em livrar a Casa Branca dos falcões de plumagem mais densa, no entanto por mais que o candidato queira parecer confiável diante os fundamentalistas do seu partido, tal declaração surpreendeu até mesmo analistas mais experientes.

O senador do Arizona, que pode tornar-se o presidente mais velho dos EEUU, ainda teve o desplante de citar como democracias lideres capazes de se colocar ao lado do Império do Norte na construção de um mundo livre, a Turquia – sempre condenada por organismos de defesa dos direitos humanos pela falta de liberdade política e perseguição aos curdos, agravantes que contribuíram no impedimento de sua entrada para União Européia – a Índia – que mantêm inalterado o sistema de castas –, e ainda por cima, para dor nos ouvidos de quem estava presente, o estado de Israel – legitimo praticante dum terrorismo tão descarado que sequer se dá ao trabalho de negá-lo. Um terrorismo que trucida famílias inteiras, que confina palestinos a guetos, privando-os de água, comida, remédios, higiene ou qualquer assistência internacional.

Quanto a nós, pobres tupiniquins, vivemos num país onde grassa todo o tipo de injustiça, onde falta o mínimo de equanimidade social – fator impreterível para que se possa chamar uma sociedade de democrática – e ainda violamos repetidamente os direitos humanos e a dignidade de uma classe de excluídos – como nos tristes exemplos mostrados pela obra de ficção Tropa de Elite, ou no mundo real com as invasões perpetradas pelo BOPE as favela cariocas com as benções do Estado e os aplausos da classe média.

Voltando aos EEUU, embora o chefe do executivo daquele país tenha uma margem de manobra estreita e delicada – delicada por não poder infringir as regras impostas por quem realmente detêm o poder e aparelha o estado, ou seja, as grandes corporações –, os presidenciáveis tanto do lado republicano, quanto do lado democrata, sejam autóctones dessa plutocracia e eu particularmente nunca tenha alimentado grandes ilusões sobre o rumo que as políticas ianques tomarão a partir de janeiro de 2009 , as declarações de McCain não só me surpreenderam como, soam de aviso para as pretensões da Rússia de Putin em se firmar como potencia mundial ocupando parte da lacuna deixada pela antiga URSS. Um aviso de que os EEUU estão dispostos a defender o papel de única superpotência e policia global.

Por qual razão estou defendendo uma Rússia guiada por um populista de direita, sádico e com vocação autoritária? Não estou defendendo-a, apenas preocupado com a perseverança anglo-americana em achar que devem “civilizar” o mundo a todo o custo e mantê-lo sob sua tutela. O mundo só estará a salvo da brincadeira mocinho X bandido e da guerra sem fim ao terrorismo caso a hegemonia estadunidense seja quebrada. Enquanto isso, somos todos alvo em potencial da barbárie prenunciada por Washington.

A declaração de McCain não é apenas um afago para os falcões, mas a confirmação que manterá a mesma estratégia na política internacional adotada pelo cawboy Bush em relação à Europa Oriental. Ou seja, minar a influência da Rússia para depois isolá-la. Estratégia essa que nos últimos anos nos brindou com o recente apoio irrestrito a declaração unilateral de independência da província kosovar, o estimulo à derrubada de Eduard Shevardnadze na Geórgia, a hostilidade ao governo da Bielorrússia, além do amparo a Victor Yuschenkona Ucrânia.

Fácil assimilar esses fatos, juntar as peças do quebra-cabeça e ver o jeito como os falcões determinam a política externa e que, McCain reza da cartilha deles.

enviada por hudson



01/04/2008 14:54

O GOVERNO NA BERLINDA PARTE II

Como escrevi no último artigo, o governo Lula está sendo acossado, emparedado, posto na berlinda pelo PIG e por uma oposição golpista composta por fariseus. Estão utilizando a mesma tática que praticamente imobilizou o governo entre 2005 e 2006.

Na minha rude analise chegou à hora de Lula e o PT buscarem apoio
onde têm de sobra e capitalizarem o ótimo índice de aprovação do governo – aprovação essa que começa a subir até mesmo entre a classe média para horror do PIG – , realizar as reformas que o Brasil pede com urgência e colocar em prática a antiga retórica do partido.

Entretanto faltou explicar, segundo minhas analises, quais outras estratégias poderiam ser adotadas por Lula e o PT contra os factóides criados pela imprensa, a ingovernabilidade e a oposição farisaica, em especial no Senado . Bom essas seriam outras estratégias que poderiam ser colocadas em prática:

1- A que me parece ter a preferência do governo, embora alguns setores do PT a rejeitem. Deixar a oposição conservadora continuar sua cruzada contra o presidente e reagir de forma esporádica e num tom conciliador. Blindar a figura do presidente empurrando-o para fora do debate. Ceder algumas vezes a chantagem orquestrada pelos adversários e outras negociar com eles. Continuar cooptando alguns membros da oposição entregando ministérios ou cargos no segundo e terceiro escalão. Enfim praticar a mesma política fisiológica que já conhecemos.

2- Trazer o PSDB para o governo – desejo antigo de alguns petistas como o ex-ministro do Secom, Luiz Gushiken e o prefeito de BH, Fernando Pimentel. Seria uma manobra que afastaria boa parte dos movimentos sociais que ainda giram em torno do PT e parte da base popular. Porém garantiria a governabilidade e Aécio Neves teria a chancela de Lula para disputar sua sucessão - um arremedo dessa união está sendo montado em BH por Pimentel e Aécio, com as bênçãos de Lula -. No entanto esta estratégia é de dura aplicação, pois ainda há no PT setores que se encontram no espectro de esquerda e que reclamam por políticas sócias mais robustas. Do lado tucano, Serra não aceitaria entregar de mão beijada a “sua” candidatura a presidente e a vaidade de FFHH jamais concordaria em ver seu “legado” político virar pó. Ainda há a militância mais engajada de ambos os partidos que não engoliria fácil tamanha rapinagem.

3- Sucumbir ao PIG e a oposição farisaica. Esquecer o Bolsa Família, abortar o Território da Cidadania e deixar o PAC cair no ostracismo. Assim Lula poderia manter Henrique Meireles à frente do BC tomando conta dos interesses do capital internacional, não realizar nenhuma das reformas que o Estado brasileiro realmente necessita, ao passo que o Congresso Nacional estaria autônomo para discutir as reformas das leis trabalhistas e sindical – além de mais uma da Previdência. Enfim guinar o governo de uma vez por todas para o pântano do neoliberalismo mais profundo. E claro lançar um nome obscuro para a sucessão ou apoiar alguém da confiança do PIG e dos fariseus, tipo Ciro Gomes. Lula terminaria seu mandato navegando em céu de brigadeiro.

Há algum tempo atrás diria ser improvável, se não impossível, o presidente e o PT se sujeitarem a isso, mas já vi tanta coisa desses dois que não duvido de mais nada.


enviada por hudson



31/03/2008 18:09

O GOVERNO NA BERLINDA

O Brasil vive hoje em torno duma enorme contradição. Contradição explicitada na guerra travada entre o PIG – Partido da Imprensa Golpista – e o governo neoliberal de Luis Inácio Lula da Silva. Essa é uma tese que venho formulando e carece de maiores reflexões. O neoliberalismo não é apenas um conjunto especifico de políticas econômicas, mas sim um paradigma flexível que comporta diversos tamanhos de Estado e diferentes dosagens de fiscalismo e política monetária, como escreve em ensaio publicado na revista Margem Esquerda, em 2004, o economista e professor da PUC-SP, Carlos Eduardo Machado. Já PIG, é a alcunha que a grande mídia brasileira recebeu por pousar como imparcial enquanto age despudoradamente contra um governo legitimo eleito por sufrágio universal e ratificado quando da reeleição. PIG por trazer no seu âmago o desejo de alijar do poder aqueles que o detêm por direito e têm obrigação de governar. Mas essa tese será o tema central de outro artigo.

Por hora será apenas pano de fundo para outro tema, a tentativa da oposição em sangrar o governo utilizando-se da sua aliança tácita com o PIG criador de factóides. A oposição tenta desavergonhadamente, desde o primeiro mandato de Lula, derrubar peças que circundem o presidente e afastá-lo dos movimentos populares – numa lembrança do 18 Brumário –. O objetivo central da oposição encabeçada pelos fariseus tucano-demos, que escolheram como mentor intelectual FFHH, não é fazer oposição nos parâmetros estabelecidos pela democracia, é derrubar o governo apostando no quanto pior melhor.

A nova investida desses fariseus é expurgar da Esplanada dos Ministérios a chefe da Casa Civil, Dilma Roussef. Não venho aqui para defender a ministra ou o governo – mesmo porque me encontro ideologicamente em posição distinta do presidente e do PT, digo isso como membro do PCB –, contudo a forma canalhesca como os tucano-demos – dignos representantes do que existe de mais retrogrado e reacionário na sociedade brasileira – vêm agindo com o intuito claro de desmoralizar o atual governo, é um disparate para qualquer cidadão que acredite que uma democracia de fato ainda possa construída nesse país.

Não por acaso é no âmbito do senado federal que esses fariseus formam o graúdo dos participantes e consegue impor o quanto pior melhor. O senado não só é a casa mais obsoleta do nosso sistema bicameral, como foi instituído com o objetivo claro de resguardar os interesses das oligarquias, e após quase 120 anos da proclamação da Republica continua firme nesse propósito. É hora da sociedade brasileira discutir o verdadeiro papel do senado e a sua necessidade ou não. Todavia enquanto o debate não vem, o governo, que em primeira instância representa a sociedade e não as oligarquias, se vê acossado diante de uma oposição criminosa que usa como arma a chantagem política de obstrução das votações na Câmara Alta.

Se Lula ceder novamente como já o fez durante o primeiro mandato demitindo José Dirceu e outros auxiliares de sua confiança, o Brasil caíra na ingovernabilidade que tanto almeja os fariseus. Chegou à vez de Lula reconhecer que não tem e nunca teve a grande imprensa ao seu lado, que embora pratique políticas neoliberais e a burguesia nacional esteja enchendo as burras ela é preconceituosa e não se satisfará nunca em ver um pau-de-arara, metalúrgico, sem diploma superior ocupando o cargo de mandatário da nação, sempre preferirá um dos seus.

O discurso proferido por Lula nos últimos dias acusando os tucano-demos de destilarem ódio no senado pode ser um sinal de enfrentamento, mas será incipiente se o governo não ousar numa postura mais radical e menos conciliadora, aprofundar as políticas sociais e reformar o Estado. Mais do que ressuscitar a antiga retórica do PT é preciso colocá-la em prática. Lula e o PT, presidente e partido têm que – como se diz aqui em Minas – botar a banda na rua. E essa banda é o povo que na sua maioria apóia o governo. Trazer CUT, MST e outros movimentos sociais para marchar em defesa do governo e pressionar pela prometida mudança que não se realizou após 6 anos.

Mesmo sabendo que o PIG e a oposição conservadora darão a esse ato uma denotação populista – “o PT está pondo fogo no país” com certeza será uma de suas manchetes – não há no horizonte muitas alternativas.

Se resta dignidade ao governo Lula e ao PT, está na hora de encontrarem munição onde existe com sobra e de capitalizarem o grande apoio popular do qual goza o presidente. Isso para as pretensões de Lula de ainda ter um país governável e as do PT de ser agente ativo nas próximas eleições estaduais e federais. Caso contrário à oposição conseguirá sangrar o governo e transformá-lo naquilo que os estadunidenses chamam de “pato manco”, sem condições concretas de se quer terminar o governo conferido e confirmado pelo povo e ter um candidato de peso ao Planalto em 2010.




enviada por hudson



23/03/2008 23:34

CONVERSA AFIADA

Há pouco tempo descobri na Grande Rede um espaço dedicado aos mais diversos assuntos tais como política nacional e internacional, história, filosofia, artes e música popular, entre tantos outros temas que de forma ou outra despertam a atenção do responsável pelo espaço – um blog muito parecido com o que me propus a fazer, com certeza vem daí a identificação imediata entre a minha pagina na internet e aquela. A saber, esse primeiro aceso veio por conta dum artigo sobre os shows do bardo estadunidense, Bob Dylan, no Brasil.

Esse espaço pertence ao historiador e escritor Guilherme Scalzilli. Como leitor mensal da revista Caros Amigos, já conhecia, tem um bom tempo, o signatário do blog.

Pois muito bem, agora durante essa pendenga envolvendo o iG de um lado e do outro o Jornalista Paulo Henrique Amorim, foi justamente no blog do Scalzilli que me deparei com a melhor abordagem da questão. Então tomei a liberdade de republicar o post que acredito trazer uma visão lúcida, não só sobre a censura imposta ao Jornalista, mas também sobre quem é e o que significa Paulo Henrique Amorim e suas contradições.

Antes gostaria apenas de reafirmar o meu repudio pela forma canalhesca com que PHA e o Conversa Afiada foram tratados pelo iG. Repudio não muito distinto do que sinto por aqueles que preferiram se esconder, se omitir ou se acovardarem diante dum gesto grotesco e nitidamente autoritário. Que o digam, ou melhor, ou pior, que não digam nada, Nassif e Dines.

E embora tenha alguns pontos no pequeno artigo de Scalzilli com os quais não concordo plenamente, os pontos de convergência entre o citado artigo e minha linha de pensamento formam maioria.

Segue:

Quinta-feira, 20 de Março de 2008

A mudança do Conversa Afiada

A saída do blog Conversa Afiada, de Paulo Henrique Amorim, do iG provocou burburinho exagerado. Seus muitos desafetos parecem fanáticos dançando sobre caixões inimigos, como se uma simples troca de hospedagem significasse um vexame coletivo. E os defensores do jornalista enxergam censura e violências numa atitude previsível, inevitável e corriqueira, embora não seja positiva ou louvável. Até Mino Carta, diretor da Carta Capital, anunciou a retirada de seu blog dos domínios do iG, num exemplo raro de protesto levado às últimas conseqüências.

Nunca fui muito fã do Conversa, embora continue sugerindo-o aqui. Aquela telinha com a cara do PHA falando “Olá, tudo bem?” toda vez que a gente abria a página já me levou a instintivamente fechar tudo, sem ler qualquer postagem. Ele também desenvolveu uma persona um tanto contraditória, misturando Igreja Universal e michaelmoorismo de extrema esquerda. É difícil saber, entre a denúncia da mídia e uma luta incomodamente pessoal contra Daniel Dantas, qual é o real objetivo de PHA.

Sua acepção do PIG (Partido da Imprensa Golpista) parece-me exagerada, embora, para públicos vastos e condescendentes, a simplificação venha a calhar. Tampouco me satisfaço com seus textos, truncados em tópicos. Talvez sua participação televisiva supra essa lacuna (nego-me a assisti-lo na Record), mas no blog sinto falta de mais informações conexas e análises fundamentadas.

Idéias como as de PHA são divulgadas há décadas por outros informadores, sem a mesma repercussão. Claro, ele é famoso. Mas desconfio que amealhe tantos apoiadores por simbolizar um herói reabilitado, espécie de Robin Hood da Verdade, que decidiu escancarar os podres da mídia depois de conhecê-la por dentro. E é exatamente esse personagem que afasta importantes nomes do jornalismo atual, desconfiados de visionários que não rasgam dinheiro e acomodados numa imparcialidade mais proferida que praticada.

Agrada-me particularmente a desavergonhada exposição de parcialidade que PHA utiliza para confrontar a hipocrisia da imprensa hegemônica.

Aparentemente, a rescisão foi empreendida segundo as prerrogativas do contrato com o iG. Seria estéril divagarmos sobre os motivos da decisão. Provavelmente houve pressões de interesses pessoais ou corporativos atingidos pela cruzada anti-Dantas, gente da pesada, alheia a qualquer falatório ideológico. Talvez tenha influído também a possibilidade do iG ser condenado solidariamente numa enventual ação cível contra as acusações de PHA. Ou a proximidade fonética e visual entre o tal PIG e o nome do provedor.

Dizem que Caio Túlio Costa (diretor do iG e antigo ouvidor da Folha de São Paulo) justificou sua decisão por “insuficiência comercial” do blog. Ou seja, os 475 mil acessos únicos recebidos no ano passado seriam insuficientes para honrar o investimento do iG. Isso sim é bobagem, e demonstra que a rescisão não obedeceu a princípios puramente técnicos. Quando alguém precisa inventar mentiras para explicar suas atitudes, tem coelho na tuba. Os ferozes inimigos de PHA argumentam que 475 mil acessos individuais não significam grande coisa. Mentira. Esse índice pode não ter gerado dividendos (e, a propósito, como saber?), mas, nos padrões brasileiros, para um blog pessoal, sobre política, é respeitabilíssimo e igualado por poucos.

A direção do iG não procurou conferir transparência à rescisão: os leitores do blog foram privados de avisos prévios (a página foi simplesmente desativada) e PHA teve de recorrer à Justiça para recuperar os arquivos de suas postagens (leia mais aqui). Mesmo com toda a polêmica que se seguiu à medida, Costa nega-se a prestar maiores esclarecimentos. Não tem essa obrigação, mas seria um gesto de, digamos, boa vontade, em se tratando de um assunto com certa repercussão pública. Aliás, pelo menos os usuários do iG mereciam tal satisfação.

De escândalo irrelevante em escândalo irrelevante, para o bem do debate político nacional, inconformistas como Paulo Henrique Amorim vão conquistando popularidade – menos por atributos próprios que pela inabilidade canhestra de seus adversários.

Fonte: http://www.guilhermescalzilli.blogspot.com/

Guilherme Scalzilli: Historiador e escritor, colabora regularmente com a revista Caros Amigos, o Observatório da Imprensa e outros veículos.




enviada por hudson



21/03/2008 19:53

E A CENSURA NÃO MORREU !!!

Durante essa semana estive afastado do blog por conta de uma viagem a trabalho e por outras atribulações pessoais. Entretanto retornando a vida normal vejo todo o furduncio em torno da virulenta censura sofrida pelo Jornalista Paulo Henrique Amorim. Ainda estou à busca de maiores detalhes sobre o fato. Mas algo já é certo, PHA sofreu censura, tentaram calar-lhe. Assim como outros jornalistas, com os quais possamos ou não concordar, já passaram uma ou mais vez por tal situação.

Citarei apenas alguns dos nomes mais conhecidos da atualidade e que foram duma forma ou doutra “constrangidos” – o constrangimento aqui não passa de eufemismo – no correto exercício da profissão: Mino Carta, Renato Rovai, Luiz Carlos Azenha, José Arbex, Marilena Felinto, Juca Kfouri – este dentre aqueles que não sinto simpatia e tenho mesmo ódio de seu apego ao moralismo pequeno-burguês em determinados temas, entretanto não deixo de dar-lhe respeito pela conduta coerente ao longo de tantos anos – Luis Nassif – que se omitiu ou ao menos ainda não se expressou de maneira mais firme sobre a prática de censura defenestrada pelo IG.

Bom ... uma coisa ficou clara nessa perseguição sofrida por PHA e seu Conversa Afiada. A censura na realidade nem foi introduzida no Brasil pelos milicos que usurparam o poder em 1964 e nem deixou de existir com a chamada “redemocratização” do país em 1985. Continua viva, forte e atuante, muito embora possa não ser mais uma política de estado, é uma ferramenta usada sem o menor pudor por aqueles que detêm o poder que lhes delega o capital e a concentração de renda, comunicação e informação.

Todavia hoje vivemos a era digital e a internet pode tanto ser dominada pelas elites que pensam exclusivamente em manter seus privilégios sufocando a luta de classes, quanto por aqueles que se dispõem a pensar e agir de modo diferente, tornando-se o contra-ponto a essa mesma elite.

A Internet por ser um veículo novo e que rapidamente se democratizou e se popularizou, pela sua interatividade e rapidez, é hoje um dos únicos espaços de comunicação que auxiliam na organização e defesa das lutas populares, uma vez que não há espaço semelhante nos outros meios de comunicação e as rádios comunitárias ou estão momentaneamente criminalizadas ou enquadradas.

Já havia utilizado esse espaço para denunciar a espúria orquestração de desmoralização da chamada mídia alternativa por parte das grandes redes de comunicação. O blecaute do site de PHA, a retenção de todo o material produzido pela Conversa Afiada e o rompimento unilateral do contrato do IG com o Jornalista, faz parte desse mesmo movimento. Vejamos até quando o Nassif continuará seu dossiê sobre o panfleto antilutas populares (Veja).

Por enquanto apenas estudo a possibilidade de sair do IG e me hospedar em outro provedor, porém deixo aqui meu repúdio a toda e qualquer forma de censura e em especial ao tratamento dispensado pelo IG ao JORNALISTA e CIDADÃO, Paulo Henrique Amorim.







enviada por hudson



12/03/2008 23:15

O CANDIDATO PERFEITO A PREFEITO DO RIO DE JANEIRO

A primeira vez que ouvi falar em Fernando Gabeira foi durante a campanha presidencial de 1989. Naquele ano Gabeira e outros 19 candidatos – se não me falha a memória – tentaram chegar ao Palácio do Planalto. No entanto Gabeira além de entrar na disputa por uma legenda obscura para a maior parte do povão, o PV – embora isso não fosse lá grande obstáculo, pois o caçador de marajás era do não menos inexpressivo PRN – não era uma candidatura bem vista pelos setores mais avantajados economicamente e pelos grupos mais conservadores de nossa sociedade. A candidatura também sofreu o desprezo dos grandes meios de comunicação. Talvez mais pelo seu passado e o fato de sempre ter defendido a liberação de drogas – ou pelo menos algumas delas – do que pelo discurso daquele momento. A campanha em si acabou caindo no ostracismo antes mesmo de se abrirem às urnas para a votação.

Gabeira foi um ícone para a geração de 1968 – o século XX não seria o século XX sem o mágico ano de 1968 e a tentativa frustrada de colocar a imaginação no poder – . Combateu a ditadura de armas em punho e foi um dos mentores daquilo que se tornaria um dos maiores golpes sofridos pelos militares durante o período que usurparam o poder, o seqüestro do embaixador estadunidense Gordon Lincoln e sua troca por presos políticos. Pagou caro por sua insolência sendo preso, torturado e depois condenado ao exílio.

De volta ao Brasil já mostrava não ser o revolucionário de antes quando trocou o luta contra as desigualdades sociais e a exploração dos trabalhadores, pela bandeira do ambientalismo que surgia com força no Velho Continente. Debate esse que tira o foco dos verdadeiros problemas a serem enfrentados pela classe revolucionária. Contudo ainda tinha uma visão, em termos de Brasil, bastante avançada e se posicionava no espectro de esquerda da nossa política.

Após o fracasso de 1989, seguiria adiante a carreira de parlamentar se elegendo diversas vezes deputado federal fluminense. Durante a década de 1990 rompeu com o PV – não foi nenhum desses o motivo do rompimento, mas só pra lembrar o PV nesse período trabalhou como adjacente do PSDB de Mário Covas em São Paulo e aceitou a filiação do príncipe da oligarquia maranhense Sarneyzinho – e se transferiu para o PT. Por essa legenda foi novamente eleito deputado em 2002, mas acabou se desligando do partido devido as divergências sobre a política ambiental do governo Lula. Teve lugar de destaque durante o escândalo do mensalão pousando como protetor incansável e implacável da moral e ética na vida pública – moral no seu sentido mais estrito, no condizente aos valores e normas de conduta específica duma determinada sociedade ou cultura, ou seja da sociedade burguesa, aquela mesma sociedade contra a qual lutou e quase perdeu a vida décadas atrás.

Curioso é que ao seu lado nessa batalha estava o finado PFL e os tucanos. Justamente eles que pilharam o estado brasileiro durante os oito anos de FFHH – pra não dizer que fazem parte da turminha que começou a pilhar o Brasil ao desembarcar da caravela de Cabral.

Agora fico sabendo através de certo estardalhaço da grande imprensa nos últimos dias, que Gabeira será candidato à prefeitura do Rio de Janeiro numa coligação entre o seu partido – retornou ao PV em 2005 e se reelegeu deputado com a maior votação no estado do RJ –, mais PSDB e PPS.

Será essa uma nova frente de “esquerda” como a grande imprensa e o PIG querem que acreditemos? Será essa a “esquerda” do século XXI?

Bom se a resposta for afirmativa gostaria eu de saber no que ela distingue substancialmente daquilo que chamamos de direita. E não me venha ninguém dizer que na alvorada desse novo milênio não existe mais distinção entre os dois pólos ideológicos-políticos que nortearam a disputa pelo poder durante os séculos XIX e XX, ou que a esquerda foi sepultada sobre os escombros do muro de Berlim. Pois se assim fosse como explicar as desigualdades sociais que se e aprofundam tanto nos países da periferia, quanto nos do centro do capitalismo? Mais, até onde eu saiba a luta de classes continua viva, pois é incompreensível para mim que explorados e exploradores tenham os mesmos objetivos!!!

Não gastarei aqui conceitos marxistas, mas a superestrutura conseguiu sim difundir na cabeça dos proletários a mentira que existe um “bem comum", e esse é a luta pela qual proletários e burgueses devem se unir – como salvar a Terra do seu cataclismo ambiental, relegando a um segundo plano a verdade que esse cataclismo foi gerado por séculos de exploração que atingiram o auge justamente no período posterior à Revolução Industrial, ou seja com a consumação do capitalismo –. Já disse nesse mesmo espaço, que vivemos uma ditadura do pensamento único. Pensamento único esse que muitas vezes busca um pilar no filosofo alemão Immanuel Kant e tenta concretizar o conceito de homem cosmopolita. Homem cosmopolita capaz de alcançar uma paz universal.

Gabeira parece não se enrubescer de ter ao seu lado figuras que participaram do governo tucano de Marcelo Alencar – o ex-governador fazia no RJ o papel que FFHH fazia em todo o território nacional, ou seja, era gerenciador e despachante dos grandes interesses do capital internacional através da privataria – e ainda terá os liqüidacionistas do PPS – aqueles comunistas arrependidos que se converteram em admiradores do onipresente e todo-poderoso deus Mercado – a tira-colo. Além de ter o apoio do hoje grande partido da oposição ainda contará com um apoio importantíssimo como afirmou nessa terça-feira,11/03/2008, Luiz Carlos Azenha no seu blog sobre um amigo poderoso com quem Gabeira conta dentro das Organizações Globo [http://www.viomundo.com.br/visite-].

Essa é uma candidatura que busca unir a Cidade Maravilhosa debaixo do guarda-sol de algum lema de campanha tipo:candidato limpo... cidade limpa. Ou qualquer outra besteira do tipo. Mas a verdade é que o discurso de Gabeira tem hoje um potencial grande. Potencial esse capaz de absorver eleitores de César Maia que (des)governa o Rio desde 1992 sem que pareça continuísmo. Capaz também de num longínquo segundo turno impor uma derrota ao candidato da Universal, o bispo e senador Marcelo Crivella. Como a IURD é hoje um conglomerado empresarial que dentre outras coisas possuí varias catedrais e uma rede de concessões de radio e tv pelo Brasil afora, faz-se necessário impedir o seu crescimento político – aqui é muito mais uma disputa por espaço dentro da ordem vigente salpicada com um toque de preconceito, do que qualquer outra coisa. Nada melhor para manter o status-quo, o stabilishment, do que um antigo nome identificado com a esquerda, porém hoje convertido à realidade da direita. Que o diga FFHH.

Ademais Gabeira é peça dum intricado jogo político armado por Aécio Neves – não à toa que o governador mineiro não escondeu seu contentamento com a coligação carioca – que busca formar uma ampla aliança nacional capaz de mostrar que ele pode ser um nome de consenso tanto entre partidos de oposição quanto entre alguns da base do governo Lula, e assim pressionar seu partido a lançá-lo como presidenciável, superando o nome de José Serra. No final das contas se não conseguir se sobrepor ao nome de Serra buscará a candidatura por algum outro partido – PMDB ou PPS de preferência. A candidatura verde no Rio e a aliança entre tucanos e petistas para a prefeitura de BH, é o começo em âmbito nacional do mesmo tipo de jogada que lhe garantiu o governo de Minas. E pior, um governo sem oposição e sem contestação política.


enviada por hudson



04/03/2008 20:15

A QUEM INTERESSA UM CONFLITO NA AMERICA DO SUL?

A invasão do território equatoriano por tropas colombianas não só violou a soberania deste país como pôs fim a série de negociações com as FARC. Também traz de volta o conflito entre governo colombiano e Forças Revolucionárias para o terreno militar, onde já se provou que nenhuma das duas partes obterá sucesso a curto ou médio prazo.

Tudo isso no exato momento em que as FARC, por intermédio do presidente venezuelano Hugo Chávez e da senadora da oposição colombiana Piedad Córdoba, negociaram e lograram êxito para a libertação de vários reféns. Sendo que os últimos foram libertados na sexta-feira, 29 de fevereiro, e o atentado cometido pelo exército colombiano que resultou na morte do número 2 das FARC, Raúl Reyes, ocorreu no sábado, 1° de março. Reyes era o responsável pelas negociações em andamento.

O que motivaria o presidente colombiano Álvaro Uribe ao gesto tão imaturo, infame e de tão grande repercussão mundial, justamente no momento em que as negociações surtiam efeito?

Uribe se sente acuado e desmoralizado frente ao sucesso das negociações. Nunca se mostrou afeito a nenhum tipo de diálogo com as Forças Revolucionarias, enquanto por outro lado apóia ostensivamente os movimentos paramilitares de direita que se proliferaram em seu governo. As negociações levados à cabo por desafetos seus como a oposição política no congresso e por Chávez – crítico contumaz de seu alinhamento com os EE.UU. transformando a Colômbia numa enorme base ianque em plena Amazônia – e a contestação por parte da população sobre os objetivos alcançados pelo nefasto Plano Colômbia – plano concebido e dirigido pelo Departamento de Estado norte-americano – tendem a atrapalhar seus planos futuros.

Embora Uribe tenha se reelegido recentemente, após sua reeleição viu os partidos opositores levarem as prefeituras das principais cidades de país: Bogotá, Medellín e Cali. Portanto para que um projeto de terceiro mandato – projeto negado por ele, mas que à cada dia encontra mais ressonância junto aos seus aliados e visto com bons olhos por Washington – pudesse de fato vingar, antes seria necessário respaldo político para mudar a Constituição colombiana. Nada melhor para obter esse respaldo e concorrer novamente à presidência do que unir todo o povo em torno de um grande objetivo comum. Esse grande objetivo teria como pilar o discurso de que a segurança nacional está ameaçada por agentes externos – esse filme é velho !!! –. Ou seja uma guerra contra Equador e/ou Venezuela seria um ótimo pretexto.

Já na parte setentrional do continente, o cawboy fantasiado de presidente George W. Bush, passou seus oito anos de mandato vendo movimentos anti-imperialistas pipocarem na América Latina e governantes não alinhados à Casa Branca se elegeram com um discurso democrático-popular. Pior cometeram o sacrilégio de colocar em prática políticas que confrontam com os anos de neoliberalismo ao qual seu povo foi condenado, além de medidas nacionalistas visando proteger sua soberania. Rafael Correa – presidente equatoriano empossado no inicio do ano passado – já afirmou que não renovará a cessão da base de Manta para os EE.UU. Essa base é considerada estratégica pelo Pentagono, pois de lá partem aviões em missão de “reconhecimento”, buscando áreas de refino de coca.

Embora a América Latina não seja tema central na atual campanha à presidência norte-americana, é de fato um dos vários pontos fracos da política internacional do cawboy. Hillary Clinton já se disse “preocupada” com o que chamou de “retrocesso da democracia na América Latina”.

Somemos todos esses fatores e façamos a seguinte conjectura:

O governo Uribe agride a soberania territorial do Equador. A tensão é gerada no subcontinente sul-americano. Até o mundo mineral sabe que Uribe não faria isso sem aval da Casa Branca. Mais, a Colômbia é hoje o país de maior poderio bélico na região, justamente por conta do “Plano Colômbia”. Nenhum governo sul-americano, que realmente defenda o integridade de seu território e a soberania de seu povo, pode aceitar o ultraje cometido por aquele a quem Chávez já alcunhou de peão do Império. Desde a posse de Correa, que Equador e Venezuela dispõem de uma política de integração e cooperação mútua. Portanto não é de se estranhar que já no domingo, 2 de março, apenas um dia após o violação do território equatoriano por tropas colombianas, a Venezuela, seguindo os passos do Equador, retirasse seu embaixador de Bogotá e mobilizasse tropas na fronteira com a Colômbia.

Uribe, além de seus projetos políticos pessoais, com certeza está sendo usado por Washington para deflagrar um conflito na região. Um conflito financiado pelo Uncle Sam com o intuito claro de derrubar governos democráticos e populares.

Esse conflito também cairia como uma luva para a campanha republicana. Embora hoje a mídia tupiniquim dê como favas contadas o retorno dos democratas ao Salão Oval, as últimas pesquisas nacionais de opinião dentro dos EE.UU. nos mostram que poderemos ter um pleito bastante equilibrado, por mais cansado que os estadunidenses estejam do governo Bush. É verdade que os democratas estão digladiando entre si, enquanto os republicanos ainda não ratificaram o nome de McCain por questões formais e assim o partido de Bush saia na frente. Mas realmente essa eleição tem todos os ingredientes para ser bastante disputada – como já foram as de 2000 e 2004 –. Por mais "liberal" que o senador do Arizona possa ser para os padrões dos republicanos, dificilmente extirpará de Washington os falcões de plumagem mais densa. O conflito no quintal do Uncle Sam serviria entre outras coisas para recrudescer a visão de que a América Latina – e sobretudo a América do Sul – é uma área de tensão e de agitações anti-democráticas. Para colaborar mais ainda com essa visão a Bolívia é hoje um barril de pólvora prestes a entrar em guerra civil - com a mãozinha da C.I.A. claro.

Para o eleitor médio estadunidense os democratas parecem mais fracos no que tange a política internacional que os republicanos. Talvez ainda sintam o “trauma” do governo Jimmy Carter. E Barak Obama embora não seja nem de longe um pacifista – basta lembrar o que disse o lingüista Noam Chomsk no início da campanha pela candidatura democrata: “Obama e Hillary travão uma disputa particular para saber quem bombardeará primeiro o Paquistão” – passa a imagem de mediador e tolerante em contraste com a imagem de McCain, um herói de guerra.

Um conflito militar na América do Sul que acabasse por depor os indesejáveis Chávez e Correa – Venezuela e Equador são os únicos países sul-americanas membros da O.P.E.P. –, uma guerra civil na Bolívia que deixasse Moralles sem força política – e econômica - e um terceiro mandato para Uribe, enfraqueceria a disposição dos mais diversos movimentos anti-imperialistas na região.

Agora outra coisa que me preocupa nesses acontecimentos do último fim de semana, onde três países sul-americanos – tendo dois, Colômbia e Venezuela fronteira com o Brasil – é a omissão do presidente Lula. Omissão essa que não condiz com o perfil de um Estado que postula assento permanente no Conselho de Segurança da O.N.U.


Para se entender mais um pouco sobre as motivações da Colômbia em atacar o Equador com o aval dos EE.UU. acesse:

http://www.viomundo.com.br/denuncias/reuniao-da-oea-colombia-pode-usar-decisoes-da-onu-sobre-alqaeda-para-justificar-invasao-do-equador/

Já quem quiser saber quem é de fato Álvaro Uribe e suas relações com o narcotráfico,tenho como sugestão uma excelente matéria de Josephe Contreras e Steven Ambrus para a revista estadunidense Newsweek. Matéria baseada em documentos do Departamento de Defesa dos EE.UU.

http://www.newsweek.com/id/54793










enviada por hudson



03/03/2008 10:33

MIRAGEM??????

Por Chico Hugo

José Paulo Kupfer -- http://jpkupfer.blig.ig.com.br/ -- sob o título
DE OLHO NAS CONTAS EXTERNAS (I), coloca "para incrementar a discussão sobre as contas externas, um texto do jornalista Rolf Kuntz, publicado no jornal "O Estado de S. Paulo", na quinta-feira, 28 de fevereiro, reproduzido com autorização do autor." Já no título -- Contas externas, tudo bem, mesmo? -- Rolf Kuntz já diz a que veio.

Afinal, todos conhecemos os propósitos de Rolf e do Estadão: Brasil credor sob Lula é heresia.

Porém, se é para incrementar uma discussão, vamos em frente. Mando minha contribuição. Começa com uma piada e leva no título, lá em cima, uma interrogação.

A piada:

Encantado com o presente, um binóculo, o rapaz foi à praia para testá-lo:

-- Ei, Carlão, olha eu aqui! Chega mais! Vamos tomar uma cerveja! -- pôs-se a gritar ao localizar um amigo.

E o Carlão, a três metros de distância:

-- Pára de gritar, Joaquim, e vira esse binóculo ao contrário.

............................................

Rolf credita a boa situação do Brasil ao "efeito do câmbio" - e não só ao crescimento econômico.

Aceita que "Alemanha e Japão foram altamente competitivos, durante longo tempo, apesar de suas moedas valorizadas." Já quanto ao real sob Lula...!!! Ele não lembra mais o que Dom Fernando, o Desditoso, fez com câmbio no seu primeiro governo. E o que ocorreu com a moeda logo nos primeiros dias do segundo governo.

Memória curta, o Rolf está com o binóculo ao contrário. E de óculos escuro.

Diz enxergar "ineficiência (dos empresários) associada principalmente a fatores fiscais, institucionais e de infra-estrutura."

Empresários progressistas estão se dando bem e são a maioria.

Os neoliberais, desde a Carta de Caminha procuram as benesses do Estado.

Adoram se apresentar pela mídia como imprescindíveis "produtores criadores de empregos". Mas são retrógrados.

Adoram países asiáticos praticantes do escravizante princípio mais-horas-de-trabalho-pelo-menor-salário.

Sonegam impostos e se declaram "cansados" de pagar impostos.

Clamam pela ética no trato da coisa pública e vivem de mutretas com os cardeais de todos os governos.

Ganharam muito com as pré-anunciadas variações do dólar em tempos nem tão distantes e estão muito incomodados com o câmbio permitindo aos concorrentes empresários progressistas um notável crescimento.

Houve tempo em que esconderam boi, esvaziaram prateleiras de supermercados...

Agora, podem tentar uma greve nacional de caminhoneiros, uma alta no preço do feijão, da carne ou do leite; ou uma "desobediência civil" qualquer.

Enquanto não decidem, os progressistas vão em frente e fazem o Brasil crescer criando empregos de carteira assinada como jamais de viu.

Economia é sobrevivência. Sobrevivência conhece chuvas e secas. Safras boas e nem tanto. Intempéries e cataclismos. O progressista sabe disso e administra para encarar o tempo ruim.

É claro que o Brasil vai passar por tempos difíceis. Como os EEUU já passaram e estão passando.Porém, para expressiva parcela de jornalistas que assinam coluna de Economia, e para seus patrões, urge que os tempos difíceis comecem já:

Precisam provar a si próprios que lugar de operário é na fábrica, dando lucro ao patrão.

Que na Presidência da República operário é um desastre.
Não sabem o que fazem! Merecem perdão????!!!

Francisco Hugo Vieira de Freitas, colaborador do Blog do Hudson. É educador em Santos – S.P.
chicohugo@superig.com.br


enviada por hudson



26/02/2008 17:08

A HISTÓRIA O ABSOLVERÁ

Difícil escrever em meio a tempestade de informações que nos chegam de Cuba à todo o momento sobre da decisão de Fidel Castro. Decisão de não mais se candidatar aos cargos de Presidente dos Conselhos de Estado e de Ministros da Ilha. Sim Fidel não irá mais se candidatar, abriu mão de uma futura postulação, não renunciou simplesmente como o PIG, a “nossa” mídia entreguista e mazombeira e a imprensa internacional atrelada ao grande capital tanto alardeiam desde 19 de fevereiro.

Alguns jornalões, sem o menor pudor de esconderem sua satisfação, chegaram ao cúmulo – ou seria ridículo? – de dar em manchete: “o futuro de Cuba começou” a partir daquele momento – profetizavam tal qual o historiador estadunidense Fukuyama profetizou o “fim da História” em 1989 após a queda do Muro de Berlim.

Se esquecem esses profetas dos seus anseios, que para haver de fato o débâcle de uma nação ou sociedade é impreterível que a população o queira, deseje e lute para isso. Não basta a premissa e o desejo externo se isto estiver alheio à vontade do próprio povo em questão.

Da boca de Bush já saiu inúmeras vezes que Cuba pertence ao “eixo do mal” e que é dever dos EE.UU. acelerarem o processo de “democratização” de Cuba. Talvez a Pérola do Caribe passe pelo mesmo tipo de democracia que os ianques soberbamente implantam a cada santo dia no Iraque. Ou a democracia que utilizam contra seus prisioneiros (sic) de guerra (contra quem?) em Guantánamo. Ou quem sabe Cuba possa voltar a ser bordel dos estadunidenses – quem já assistiu a obra-prima do ítalo-americano Francis Ford Copolla, o Poderoso Chefão, teve a oportunidade de ver esse bordel bem representado quando a família Corleone fazia seus “negócios” na ilha. Claro que se trata de uma obra de ficção, no entanto é um bom retrato da realidade pré janeiro de 1959.

Tenho certeza de que o povo cubano, e não os gusanos que moram em Miami, têm por natureza uma consciência política, cultural e nacional que não deixará que se levem pelas promessas do capitalismo. Ainda mais quando se olha ao seu redor e vêem o que esse mundo de oportunidades, regido pelo onipresente deus Mercado, é capaz de fazer. Cuba é um país latino-americano com uma economia fraca e sufocada pelo bloqueio comercial imposto pelos EE.UU, entretanto seu IDH se destaca em todo o continente. Na verdade alguns indicadores sociais de Cuba são melhores que os dos paises escandinavos.

Para se entender melhor a consciência política do povo cubano, recorro ao Professor Osvaldo Coggiola:

“... em Cuba quando chegaram as idéias do marxismo no final do século XIX, já existia um pensamento nacional e uma nacionalidade constituída e já havia uma tradição de Felix Varela e José Martí de ética na política , de defesa dos valores nacionais, de abandono da política de custo-benefício que ainda hoje predomina no mundo, mas não em Cuba ...” (1).

E afigura de Fidel é a própria personificação desse pensamento. Fidel não cria esse pensamento, mas é criado por ele e de forma dialética o põe em pratica e constrói uma nova sociedade. Mostra que é possível uma alternativa ao capitalismo, mas sobretudo é o condutor de uma política onde a dignidade e a auto-determinação de todo um povo pode se sobrepor ao imperialismo por mais forte que ele seja e mais baixos sejam os seus truques e artimanhas. – Ou será que alguém defenderá o terrorismo de estado perpetrado pelo Uncle Sam contra, não um regime, mas sim contra toda a população de uma nação soberana. Como exemplo maior cito o já falado bloqueio comercial e os ataques de aviões particulares carregados de venenos contra as lavouras cubanas.

Fidel é a última grande lenda viva do século XX, contudo isso não quer dizer que se trate um político pré-histórico ou que suas idéia e posições não tenham lugar nesse novo século. Tampouco de mistificar sua figura e absolvê-lo de eventuais erros que tenham sido cometidos durante as cinco décadas que esteve à frente do processo de revolução. Como bem diz o professor Emir Sader: “Só mesmo quem não conhece as condições concretas de luta pode questionar o fato de Fidel ter se mantido à cabeça do processo revolucionário e de Cuba ter mantido um Estado forte”. Entretanto até o mais reacionário de seus críticos é obrigado a reconhecer, ainda que apenas para os seus botões, os avanços ocorridos nesse período e a luta desse povo contra o maior império da história bem debaixo das barbas desse.

Prova da atualidade de Fidel é que, justamente na América Latina os movimentos anti-neoliberais ganham força e lutam para se impor diante da força do capital internacional. Portanto Fukuyama estava errado, a História não acabou em 1989. Assim como o capitalismo não é propósito final para a humanidade e nem a mão invisível do mercado pode reger todas as relações de poder.

Valter Pomar assim descreve Fidel Castro:

“Fidel combina, latinoamericanamente, as características de chefe-de-partido, chefe-de-Estado e líder de massas. Ele não é um teórico – como outros dirigente das revoluções socialistas ocorridas após 1917, Fidel foi basicamente um agitador e um organizador, não um propagandista ou um formulador. Apesar disso é provável que seus textos, entrevistas e discursos continuem a ser estudados por muito tempo, qualquer que seja o desfecho imediato de sua vida. Isto porque a trajetória de Fidel é a expressão individual e concentrada da história recente cubana. E Cuba foi mais longe que uma nação atrasada pode ir: transformou suas aspirações nacionais, sociais e democráticas em força motriz de uma revolução antiimperialista e anticapitalista (2).

A soberania e a auto-determinação do povo cubano é o maior legado conquistado pela revolução ao qual esse pequeno país do Caribe passa desde 1959. E é exemplo singular para os e para as nações latino-americanas e para os trabalhadores de todo o mundo.



(1) e (2) Revolução Cubana – Historias e Problemas Atuais – São Paulo – Xamã – 1998.

enviada por hudson



17/02/2008 16:52

PIG X Mídia Alternativa

Começa a surgir na grande imprensa e no chamado PIG um movimento orquestrado com o intuito de desmoralizar, desqualificar e marginalizar aquilo que hoje vem sendo chamado de mídia alternativa e que aos poucos ganha corpo. Essa mídia alternativa, blogs e sites com conteúdo político independente, no geral se contrapõe à mídia controlada pelo grande capital, a mídia como puro e mero comercio e não como formadora de opinião e/ou utilidade pública. Alguns jornalistas pagos sobejamente para dizer ou escrever o que seus patrões querem, iniciaram essa semana a ofensiva contra esses espaços livres de influência e pressões comerciais dentro da Internet, criticando seu conteúdo. Parece ser sintomático essa atitude depois que o Movimento dos Sem Mídia – liderado pelo blogueiro Eduardo Guimarães – ter tomado a iniciativa de apresentar ao Ministério Público uma denúncia de atentado à Saúde Pública pelos meios de comunicação ao fazerem uma campanha alarmista incitando os cidadãos a se vacinarem contra a febre amarela "fossem de onde fossem" e "antes que fosse tarde".

Mais o PIG se viu, ainda que de forma branda, desgastado com as denuncias sobre cartões corporativos do governo federal, enquanto o governo paulista na atual gestão usa do mesmo tipo de cartão e gastou mais que o governo federal, inclusive em saques feitos na boca do caixa. Só divulgaram o SerraCard depois que o site de Paulo Henrique Amorim denunciou e o assunto começou a repercutir e no medo de, aí sim, uma acachapante desmoralização caso se calassem.

No caso dos cartões corporativos, como em outros, não se trata aqui de uma disputa entre peitstas e tucanos para saber quem tunga mais o dinheiro do povão, mas sim de colocar o pingo nos i. É assim que uma imprensa livre de verdade deveria ser em qualquer democracia – pelo menos no plano filosófico – dar a todos os mesmos direitos, fiscalizar a coisa pública e o gerenciamento do Estado, mas aqui no Brasil – digamos a verdade e não fiquemos nos lamentando achando que isso é uma jabuticaba, que só acontece no Brasil, em quase todo o mundo é assim – a imprensa só investiga o que lhe interessa, ou melhor, o que interessa aos seus donos. Um exemplo que salta aos olhos foi o espaço dado aos fariseus tucanos para explicações sobre sua suposta má conduta; espaço inversamente oposto ao que se dá ao PT e seus aliados quando estoura alguma denuncia fantasiosa ou digna de conhecimento do público. Mais e pior, a TV Cultura de SP, uma TV pública que nos últimos 13 anos foi aparelhada pelos sucessivos governos tucanos, foi censurada e não disse uma única palavra sobre o SerraCard. (Esse caso de censura na TV Cultura é mais grave do que se imagina, pois denota-se aí um verdadeiro amordaçamento da imprensa, ademais trata-se de um veículo de comunicação que na realidade é uma TV pública. E a Cutlura se diz: exemplo de TV pública. Imagine se isso acontecesse na Venezuela!!!)

Todavia o PIG vem caindo em descrédito muito por causa da sua própria atuação nos últimos tempos como agente golpista e porta-voz de uma direita reacionária e preconceituosa, mas também por conta da popularização da informática e a atuação crescente de espaços mais democráticos na Internet.

Nessa guerra que o PIG inicia contra a mídia alternativa chama atenção a postura do colunista, Clovis Rossi da Folha de SP – e que por uma dessas ironias do destino é casado com a presidente do PSDB Mulher –. Esse colunista chegou a chamar os blogueiros críticos da grande mídia de debilóides do lulo-petismo. Ficarei apenas com a carapuça – que mesmo assim não me serviu – de debiloide, uma vez que dispenso a alcunha de lulo-peitsta, não porque considero isso menos ou mais ofensivo do que ser puramente um debilóide e sim porque não compreendo totalmente o que possa ser este ultimo termo inventado pelo subordinado à família Frias.

Entre meus amigos muitos possuem o seu próprio blog e falando da forma objetiva e clara não vejo neles, ou em mim e meus parcos leitores, nenhum indício de nos tratarmos de debilóides ou algo que o valha. Todavia, isto sim, penamos hoje em dia por estarmos confinados a uma "ditadura do pensamento único", e como em toda a ditadura que se preze, esta também tenta desqualificar àqueles que não comungam de seus interesses, que não seguem sua cartilha ou não se fingem de cegos e guardam para si sua indignação perante esse poder podre e carcomido. A imprensa tupiniquim chafurda no "mar de lama" – sai pra lá Carlos Lacerda –, posa como legitimo fariseu defensor da democracia e se unge como guardiã da verdade absoluta – verdade ditada por ela mesma –. Me pergunto quem são os verdadeiros debilóides nessa história?

Seriam os extratos mais baixos de nossa sociedade que assistem ao Jornal Nacional e as telenovelas maniqueístas? A chamada classe média, ou pequena burguesia, que se sente bem informada por ler os editoriais do Estadão ou da Folhona; que embasbacadas batem palmas quando Arnaldo Jabour tece comentários esdrúxulos e patéticos – e sentem orgulho por “acharem que entenderam” aquilo que Jabour disse –; e que clamam por ética e justiça quando no fim de semana defrontam com a Capa de Veja? No primeiro grupo, privados de tantas as coisas e que vendem sua força de trabalho por ínfimos reais por hora – quando não centavos – não diria que se tratam de debilóides, mas sim de ignorantes. Ignorantes no sentido de não ter instrução porque a estrutura do sistema assim os quer. Já o segundo é debilóide porque muitas vezes, pode-se dizer sempre, não passam de massa de manobra das elites e aceita esse papel sem resmungar, pois o conforto do seu lar e a certeza de haver pessoas em condição econômica e social bem pior, os leva a agir de tal forma que não se reconhecem como explorados e não burgueses.

Ainda há um outro grupo formado pelas elites dominantes, os verdadeiros burgueses donos dos meio de produção e hoje dos de comunicação também. Os indivíduos desse grupo não podem ser alcunhados de debilóides, pois esses se favorecem do sistema tal como é e está. São defensores do "staus-quo", porque esse foi fundado e definido por eles próprios. E para legitimar esse estado de coisas, clamam por seus "cães de guarda", ou seja os pseudo-intelectuais, aqueles os quais Sartre já havia nos advertido.

Aqui vão alguns links de espaços na grande rede que gostria de compartilhar com vocês:

http://www.exercitocomunista.blogspot.com/

Do nosso colaborador Rena Nunes.

http://www.viomundo.com.br/

Um dos melhores sites de jornalismo do Brasil, dirigido por Luis Carlos Azenha.

http://www.cartamaior.com.br/

Figurinha marcada entre os que procuram alternativas a grande mídia.

http://www.alemdagrandemidia.blogspot.com/

Do camarada poços-caldense e companheiro de debates e lutas populares Lucas Chianello.

http://www.correiocidadania.com.br/

Grande fonte de informação e alternativa ao PIG.

http://www.revistaforum.com.br/sitefinal/blog/

Aqui você acessa o Blog do joranlista Renato Rovai e se quiser pega um link pra Revista Fórum.

http://carosamigos.terra.com.br/

Site da revista de esquerda mais conhecida do Brasil.

http://edu.guim.blog.uol.com.br/

Blog de Eduardo Guimarães, idealizador do Movimento dos Sem Mídia.


http://pagina12.com.ar/

Site da publicação de esquerda de los hermanos argentinos. Bom pra se ter uma visão mais ampla da política latino-americana.



enviada por hudson



11/02/2008 17:47

O QUE DE TÃO COMUM EXISTE EM NOSSO SENSO COMUM?

Por João Vinicius Carvalho Guimarães

Quem ou o que é culpado pela miséria? Pela fome? Pelo desemprego? Pela corrupção?

Dentro do nosso famigerado senso comum teremos uma resposta quase que consensual: A culpa é do governo! Corruptos! Ladrões! Mercenários!

Ao analisar este senso comum, considerando o que se diz, porque se diz e como se diz, podemos explicar com maior clareza o que faz com que este senso comum seja tão comum assim.

Senso comum é uma primeira compreensão que temos de mundo ou das coisas (no último caso, quase sempre a única). É passado pela tradição ou adquirido pelas nossas experiências atuais, ou seja, conhecimentos adquiridos mais recentemente.

Ora, sabemos que a tradição a níveis de consciência política da população deixa tudo a desejar e a maior fonte de conhecimento da atualidade, a mídia, se aproveita exatamente disso para injetar suas verdades, manipular mesmo! Se as mentes são manipuladas e manipuláveis, antes de falar de senso comum estamos falando em, no mínimo, má fé. E que são esses manipuladores e manipuláveis? Eu os classifiquei em quatro grupos.

Em primeiro lugar, quando escutamos tal produto da manipulação alheia de uma pessoa de classe baixa, aquela desprovida da informação necessária por sua condição social e, indagamos em que ela se baseia para fundamentar tal opinião (sobre a política), ela vai dizer que os jornais estão sempre noticiando esses escândalos, atos de corrupção, crises no governo e o diabo a quatro. Confia-se cegamente em tudo o que diz o Jornal Nacional. Devo lembrar também que existem pessoas em pior situação, as que não tem opinião nenhuma, às vezes nem acesso à tv e portanto nenhuma possibilidade de opinar sobre o assunto.

Quando o alvo é uma parcela da classe média, que no geral é a parcela da população mais duramente afetada pelos impostos (reconheçamos), vemos como mecanismo de autodefesa manifestações rancorosas, arrogância e até preconceito contra membros do governo e também a movimentos populares que também lutam por melhores condições de vida. São os de origem humilde que subiram um degrau na pirâmide social, aspiram alcançar a riqueza (alguns até conseguem) mas continuam com a mesma mentalidade da de quando eram pobres, só que agora se acham superiores àqueles. Sua arrogância, ignorância e agressividade chegam no ápice que escutamos declarações do tipo: “subi na vida com o meu próprio esforço, trabalho 14 horas por dia, nunca precisei de ninguém pra me ajudar, nem do governo”. E ainda arrematam: “esses vagabundos que são sustentados pela gente que trabalha (só por que pagam impostos) precisam tomar vergonha na cara e trabalhar!” Como se fosse fácil arrumar um emprego ou mesmo uma dignidade hoje em dia.. São ferrenhos defensores da propriedade privada e costumam agir com brutalidade quando confrontados com diferentes formas de pensamento.

Um terceiro grupo é também pertencente à classe média, formadas por pessoas menos reacionárias e mais instruídas, pois, lêem livros, estão por dentro dos acontecimentos, freqüentam ou já freqüentaram algum dia a universidade, se, mais velhos, talvez um dia tenham sido revolucionários e hoje não passam de conformistas. Reconhecem o papel do governo e sabem que ele não é o único responsável pelas mazelas do país. O problema é que o conforto, a tranqüilidade e a segurança de uma vida sem grandes atribulações são impedimentos para que se saia de sua inércia de um mundo aconchegante.

O quarto e último grupo classificável nos parâmetros deste texto é formado por quem se beneficia diretamente de todo esse processo de lavagem cerebral nas demais camadas sociais. É o típico “dono da bola”, do tipo “se não for do meu jeito não tem jogo” São a maioria dos 10% da população que controla a maior parte das riquezas do país. Assim como a camada anterior, sabe perfeitamente que não se trata apenas de culpar o governo pelas mazelas sociais. Porém, embebidos por altas doses de descaramento e cinismo fazem coro a algo que não acreditam (ou são tão obcecados que querem acreditar) que seja verdade fazendo coro às diversas reclamações ao dizerem que estão cansados de tanta impunidade, falta de ética e outras ladainhas.

Além de manipular mentes, arquitetar planos mirabolantes em busca da produtividade e do lucro, gerando inconsequentemente a espoliação do trabalhador não se importam com quem esteja no caminho O negócio é passar por cima. Cansei! Cansei do quê, cara pálida?

É lógico que toda regra tem sua exceção, existem sim, pessoas comprometidas com a mudança do paradigma em todas as classes. Também não vejo problema em se reclamar de uma situação grave como a que sempre atravessa nosso país. É direito, é dever. Porém, desde que seja feito com o mínimo de coerência e racionalidade. E, da forma como é feito, lembro-me de vovó dizendo: é o mesmo que cagar e sentar em cima do rabo. Fala-se algo e pratica-se outro.

Outro problema é que quanto mais alto o nível social da crítica, mais nos encontramos encurralados diante de duas únicas opções: ou a falta de conhecimento da população é generalizada (que em partes é verdade) ou nos vemos diante de uma postura contraditória, cínica e até mesmo imoral, cujo seu antônimo é utilizado freqüentemente pelos setores mais conservadores e retrógrados da sociedade.

Também pudera: Desde criancinhas somos habituados a essa vida. Nossos pais trabalham o dia inteiro. Daí ficamos ou com a babá, ou com o irmão mais velho, ou na creche ou ainda na companhia da televisão. Na escola, a prioridade é o pragmatismo de uma vida voltada ao Deus mercado. Crescemos em meio à uma competição sem fim em que nos preocupamos de nos mostrar aos outros, em ser iguais aos outros como numa linha de montagem de uma fábrica de automóveis: cada vez menos humanidade, cada vez mais parafernálias e um produto final que modela ideais e comportamentos.

Não somos instigados a ter opinião própria, ela é que nos tem. Se por um acaso uma ovelha se desgarra do rebanho, tem de passar grande parte de sua vida a se desvencilhar de um modelo do qual se encontra viciado e, até que organize suas idéias, corre sério risco de se tornar um frustrado com a realidade, como no nosso terceiro grupo, tornando-se um ex-militante da justiça social e hoje um entusiasta da social democracia, na ilusão de se poder conciliar um capitalismo cada vez mais agressivo com uma tímida melhora das condições de vida da população de baixa renda.

Transparência política, honestidade e comprometimento dos políticos? Melhor educação, saúde e cultura pro povão? Maior participação na vida política do país? Claro!

Culpar nossa pesada herança histórica? Culpar a falta de educação que vem em sua conseqüência? Só isso não adianta.

O que fazer então? Se existisse uma fórmula mágica para mudar tudo num segundo, certamente seria muito mais fácil, óbvio. A sociedade não muda de uma hora pra outra, o processo é longo e talvez nem poderemos acompanhá-lo. E por isso devemos parar e nos conformar? O caminho também não é esse. Não se pode mudar o mundo, mas podemos mudar o nosso mundo. Papo de ONG? Não sei. Mas então: porque não começar? Só sei que, criticar é preciso, mas agir é necessário.

João Vinicius Carvalho Guimarães colaborador do Blog do Hudson. É professor de Filosofia e História em Poços de Caldas.

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10/02/2008 19:14

CGU - Controladoria-Geral da União diz que gestão FHC gasta

Por Chico Hugo

O texto da CGU - Controladoria-Geral da União, veiculado no portal

[http://www.cgu.gov.br/Imprensa/Noticias/2008/noticia00508.asp#a.conteudo ]

mantido pela repartição na Internet, diz o seguinte: "Enquanto em 2001 e 2002 os gastos do governo federal com suprimento de fundos foram de R$ 213,6 milhões e R$ 233,2 milhões respectivamente, a partir de 2003 esse tipo de gasto foi significativamente reduzido, mantendo-se, nos últimos cinco anos, a média anual de R$ 143,5 milhões".

O documento traz o total das despesas realizadas na gestão Lula ano a ano: Em 2003, a conta de suprimento de fundos foi de R$ 145,1 milhões; em 2004, R$ 145,9 milhões; em 2005, R$ 125,4 milhões; em 2006, R$ 127,1 milhões; e em 2007, R$ 176,9 milhões. A despeito do aumento verificado no ano passado, a CGU preocupou-se em enfatizar que, "ainda assim", as despesas estão "muito longe dos gastos registrados em 2001 e 2002", últimos anos da gestão FHC.

Os cartões corporativos foram criados pelo governo tucano de FHC, em 2001. Destinavam-se justamente a substituir as chamadas contas do "Tipo B". Antes, o servidor recebia dinheiro vivo, deposita em sua conta bancária e emitia cheques pessoais à medida que realizava os gastos.

Gastos com suprimento de fundos caíram no atual governo, diz CGU.

Enquanto em 2001 e 2002 os gastos do governo federal com suprimento de fundos (que envolvem o uso dos cartões corporativos e as chamadas contas tipo B) foram de R$ 213,6 milhões e R$ 233,2 milhões respectivamente, a partir de 2003 esse tipo de gasto foi significativamente reduzido, mantendo-se, nos últimos cinco anos, a média anual de R$ 143,5 milhões.

Em 2003 as despesas com suprimento de fundos foram de R$ 145,1 milhões; em 2004 de R$ 145,9 milhões: em 2005 de R$ 125,4 milhões; no ano seguinte de R$ 127,1 milhões. No ano passado, em decorrência de algumas excepcionalidades, chegaram a R$ 176,9 milhões, ainda assim muito longe dos gastos registrados em 2001 e 2002.

O crescimento dessas despesas em 2007 deveu-se à realização de dois censos pelo IBGE (censo agropecuário e contagem da população nos pequenos e médios municípios), às ações de inteligência da Abin visando a segurança durante os jogos Pan-americanos e a intensificação das operações especiais da Polícia Federal.

Nesses três órgãos, a soma das despesas pagas com o uso dos cartões chegou, em 2007, a R$ 41,4 milhões e representou 82,4% de todo o aumento de gastos do governo federal pagos com os cartões durante o ano. As informações estão disponíveis no Siafi e no Portal da Transparência

[ http://www.portaldatransparencia.gov.br/ ],

este último implantado a partir de 2004.

Situações como essas do IBGE, do PAN e da PF explicam não só o crescimento do uso do cartão, como também a expansão do volume de saques, em vez do faturamento direto, já que se trata da realização de despesas em áreas rurais e de pequenas comunidades onde não funcionam as redes afiliadas aos cartões eletrônicos, ou, no caso do PAN e da PF, de movimentação necessariamente sigilosa de agentes da Abin e outros órgãos de inteligência e segurança.

Ao divulgar essas informações, o secretário executivo da Controladoria-Geral da União, Luiz Navarro, informou que o cartão de pagamento foi instituído no final de 2001. Segundo ele o crescimento do uso do cartão é uma política de governo, que vem sendo intencionalmente estimulada em substituição às contas tipo B, em que o funcionário recebe o suprimento, deposita no banco e vai emitindo cheques.

"O cartão é um instrumento mais moderno, que permite melhor controle do que o velho talonário de cheques", disse ele, acrescentando que "o aumento das despesas pagas com o uso do cartão nos últimos anos acontece, na grande maioria dos casos, simultaneamente a uma redução no volume de pagamentos feitos pelo sistema antigo (tipo B) e corresponde à gradativa migração de um sistema para o outro."

No entendimento da CGU, a utilização do cartão eletrônico em lugar das tradicionais contas com talão de cheque é muito positiva na medida em que facilita o controle tanto pelo próprio gestor sobre os funcionários que efetuam os pagamentos das pequenas despesas e dos gastos em viagens, como pela Controladoria, por meio dos extratos eletrônicos emitidos pela administradora do Banco do Brasil.

O que deve ser observada é a preferência pela compra direta mediante faturamento e a limitação dos saques em dinheiro para os casos em que isso seja inevitável, como os revelados acima e outros órgãos que operam em zonas rurais, como o Ibama, o Incra, a Funai; e dos que têm de fazer deslocamentos constantes e sigilosos como a Polícia Federal e a Abin.

A CGU e o Ministério do Planejamento (órgão competente para disciplinar a matéria) vêm estudando formas de estabelecer limites para os saques em espécie, sabendo, entretanto, que isso não pode ser feito de forma linear, mas observando-se o perfil de cada órgão e contemplando-se as excepcionalidades, como as já citadas.

Importante observar que a despesa total com cartão corporativo situa-se entre 0,002% e 0,004% da despesa total do Poder Executivo. "Quanto às despesas sigilosas", lembra o secretário executivo da CGU, "além de representarem uma pequena porcentagem do total, elas são previstas em lei há muito anos, não sendo criação do atual governo, nem particularidade do Brasil, pois existem em qualquer país do mundo".

Por fim, diz ele, "cabe lembrar que a imprensa e, por meio dela, a sociedade hoje podem acompanhar fácil e completamente tudo isso graças à política de transparência pública adotada pelo atual governo – por exemplo, por meio do Portal da Transparência

[ http://www.portaldatransparencia.gov.br/ ].

Até 2004 essa possibilidade simplesmente inexistia", conclui.
URL:

http://www.cgu.gov.br/Imprensa/Noticias/2008/noticia00508.asp#a.conteudo

Francisco Hugo Vieira de Freitas colaborador do Blog do Hudson. É educador em Santos - SP
chicohugo@superig.com.br



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08/02/2008 10:00

PROJETO E UNIDADE X ELEIÇÕES QUADRIENAIS

Por Lucas Rafael Chianello


Meu grande amigo de militância e convivência diária Hudson Luiz, responsável por esse blog, abordou num texto bem escrito a questão colocada pelo Professor Emir Sader no site da Carta Maior. Entretanto, após a autorização para usar o espaço, haja vista que o blog de minha responsabilidade tem uma finalidade mais específica, de combate à mídia, coloco aqui algumas considerações.

Além do candidato, é preciso debater qual o projeto será colocado para vencer as eleições de 2010. Esse projeto, obviamente, terá um nome a sua frente. Ambos devem ser de peso para ganhar. Do contrário, o retrocesso neoliberal (mesmo que o governo Lula não tenha rompido com o neoliberalismo) seria um desastre para a população e para a esquerda brasileira.

Com a direita no governo e no poder (Lula não chegou ao poder, apenas ao governo), teríamos um retrocesso na integração latino-americana, os programas sociais do governo que o PIG chama de meros assistencialistas deixariam de operar, as secretarias especiais dos ministérios, como a de direitos humanos, por exemplo, não seriam mais pastas. Logo, com todas as críticas em geral que se fazem contra o governo Lula, uma eleição de algo à direita dele somente nos levaria ao retrocesso histórico.

Se Lula não tem um projeto de socialismo para o país e mudou de ideologia, isso, de certa forma, não é somente culpa do campo majoritário, tendência que durante anos se apoderou do PT por ter no diretório nacional uma maioria absoluta. A esquerda brasileira precisa ser humilde e ter a consciência que é fragmentada e não sabe se organizar. Enquanto ela for assim, criticar um governo que faz alianças com a direita para ter maioria no Congresso e que faz concessões de rodovias federais não passará de mera retórica. A esquerda precisa ser mais pró-ativa, ir às bases, compor bases, promover debates e cursos de formação política, enfim, se organizar.

O MST, o movimento social mais organizado do Brasil, é um modelo de organização. Trata-se, sem dúvidas, de um movimento justo, coerente e LEGÍTIMO POLITICAMENTE de trabalhadores rurais. Mas a grandíssima maioria das camadas brasileiras excluídas está na cidade e não no campo, e essas não estão organizadas, muito pelo contrário, sequer estão politizadas e conscientes de que a prosperidade individual vá um dia resolver o problema de todos.

Já dizia Lênin: “cada povo com a sua revolução”. Por sua vez, Chávez, no FSM de Caracas dizia que não se pode exigir que Lula faça igual a Chávez, ou que Chávez faça igual a Morales e assim em diante. Precisamos construir o modelo socialista brasileiro e este não está pronto.

Além disso, também precisamos ser marxistas de fato. Quando a esquerda brasileira reclama de governos municipais, estaduais e do governo Lula, seu discurso é hegeliano, pois parte da situação que se coloca em sua cabeça para fazê-la acontecer na prática. É justamente o contrário o que deve ocorrer. Primeiro compreende-se a situação para depois se tomar a medida adequada de acordo com o nosso objetivo.

Por isso, é dever da esquerda brasileira fazer a autocrítica, corrigir seus erros, construir a unidade num projeto e ousar lutar pela hegemonia-maioria da sociedade. Do contrário, restará a ela escolher de quatro em quatro anos o nome e o projeto que lhe for menos prejudicial.

Lucas Rafael Chianello é companheiro de lutas populares aqui em Poços de Caldas, estudante do curso de Direito da PUC-MG e presidente da ACJC. Também é o responsável pelo blog Além da Grande Mídia.(www.alemdagrandemidia.blogspot.com)


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01/02/2008 18:39

Para 2010

Num dos espaços que mais considero e admiro na grande rede, espaço que freqüento com assiduidade diária e recomendo a meus leitores, estava essa semana a seguinte pergunta aos internautas:

Qual o melhor candidato da esquerda para as eleições presidenciais de 2010? Dilma Roussef, Ciro Gomes, Heloisa Helena ou algum outro nome?

O site em questão trata-se da Carta Maior, um dos “últimos moicanos” no que tange o debate por um novo mundo possível e realizável. Um espaço democrático e com pluralidade de opiniões. A pergunta estava no blog do Emir, este hospedado dentro da revista virtual. Quanto ao Professor Emir Sader de minha parte só posso tecer elogios, pois é dos maiores sociólogos brasileiros em atividade – se não for o maior e isto é opinião minha como sociólogo – lúcido e coerente em suas posições. Acadêmico conhecido e respeitado em todo o meio. Transparente em suas análises e autor de grandes teses. Viu vários de seus livros publicados – muitos dos quais tive oportunidade de ler e na maioria das vezes concordar com seu ponto de vista e comungar de seus ideais. Não vejo nada de depreciativo em fazer tal pesquisa. Entretanto alguns fatos merecem ser analisados antes de chancelar este ou aquele como candidato representante da esquerda. Ou então pelo menos definirmos de que esquerda estamos falando. Ou que projeto de esquerda essas figuras propõem para o Brasil.

Antes de comentar sobre as três opções dadas previamente, gostaria apenas de frisar que sinto pelos infortúnios atravessados por Olívio Dutra nos últimos tempos. Um racha interno no PT gaúcho em 2002, quando era governador do Rio Grande do Sul e concorria dentro do partido a postulação de uma segunda candidatura. A demissão do Minisério das Cidades – um dos melhores projetos dos primeiros quatro anos do governo Lula –, para que fosse acomodado um afilhado de "Severino Cavalcanti". E a campanha orquestrada de forma nefasta pela direita retrógrada e reacionária gaúcha no pleito de 2006, especialmente no segundo turno. Esse sim seria um grande nome para a esquerda brasileira.

Não consigo enxergar em Ciro Gomes nenhuma virtude ou vicio da esquerda. Ciro é notadamente um político liberal com pensamento econômico liberal. Muitas vezes me parece um keneysiano, outras pupilo de Adam Smith. Basta puxar um pouco a memória e relembrar sua caminhada política antes de se tornar um “esquerdista”. Sendo do mesmo grupo político de Tasso Jereissati foi governador do Ceará e antes do término do mandato foi convocado por Itamar Franco e FHC, durante a “Crise da Parabólica”, para substituir Rubens Ricupero no Ministério da Fazenda. Não vou gastar meu tempo falando sobre o que significou naquele momento sua passagem pela Esplanada dos Ministérios. Apenas citarei que nessa passagem participou de forma ativa do engodo que foi o plano real. Engodo perpetrado por Itamar, FHC e o FMI – cada um com seus respectivos interesses. O projeto de Ciro era se tornar um político de destaque nacional e dali quatro anos concorrer dentro do PSDB, seu partido naquela época, ao Planalto com apoio de FHC. Mas este, como todos nós sabemos, optou por dar um golpe branco e se tornou FF.HH.

Ciro em 1997 se filia ao PPS – do liqüidacionista Roberto Freire que usurpando de boa parte do aparato do antigo PCB em 1992 mudou o nome do Partidão e converteu seus seguidores, os dele Robeto Freire, do socialismo cientifico à religião do onipresente “deus” Mercado. Disputou as eleições de 1998 vestindo a candidatura à presidência da República pelo partido dos liqüiacionistas e se apresentando como dissidência do governo tucano, nunca como seu opositor. Sabia da tarefa árdua que teria pela frente enfrentando de uma só vez FHC candidato à reeleição e Lula já na sua terceira tentativa de chegada ao Palácio do Planalto e como antes contando com o apoio dos mais variados movimentos sociais e populares. Mesmo com tais obstáculos o seu discurso de dissidente grudou numa parcela da população – notadamente da classe média – e saiu das urnas com cerca de 10% dos votos se cacifando para uma nova tentativa em 2002.

Sendo assim lançou-se outra vez dali quatro anos, dessa feita conduzindo uma aliança que ia do PDT de Leonel Brizola – seu vice era o pedetista Paulo Pereira da Silva, líder sindical ligado à Força Sindical, dois dignos representantes, dirigente e entidade, do sindicalismo pelego – passava novamente pelos liqüidacionistas – dizia-se a época que até Paulo Maluf, caso quisesse teria lugar no PPS – e ia até o PFL, a estratégia de campanha foi entregue a Jorge Bournhausen. Durante a campanha Ciro foi até a Bahia, literalmente, beijar a mão de ACM – apenas para contextualizar o PFL dera um tempo em sua aliança com o PSDB por conta do caso “Lunus”. Caso esse que detonou a candidatura de Roseana Sarney.

Os votos minguaram e Ciro findara a disputa num opaco quarto lugar. Na configuração para o segundo turno, então um embate entre Serra e Lula, Ciro subiu no mesmo palanque que o petista – embora mantivesse a aliança com Jereissati no seu estado natal – e após a vitória desse se tornou ministro da Integração Nacional, pasta que ocupou durante todo o primeiro mandato de Lula.

Hoje é deputado pelo PSB – rompeu com o PPS em 2005, durante a crise mensalão – espera ser indicado por Lula como dono da candidatura viável dentro da base de apoio ao governo. Tem buscado o equilíbrio entre um discurso independente, ora cravando lugar junto a oposição mais moderada, ora defendendo o governo.

No comentário de um internauta no blog do Emir, Ciro Gomes é um “neo-coronel”.

Heloísa Helena é de esquerda? Pode até ser, mas seu fundamentalismo religioso e seu gosto por um discurso udenista baseado na moral, ética e outros valores burgueses depõem contra ela. A ex-senadora demonstra um desprezo incrível por qualquer posição que não seja a sua. Em suma Heloísa Helena mostra uma vocação para o personalismo. No momento parece disposta a criar uma cisão dentro de seu próprio partido por teimar em contrariar uma resolução do PSOL sobre o aborto. Resolução essa votada em convenção nacional, onde a posição de Heloísa Helena contra o aborto foi fragorosamente derrotada. Também tem o costume de fazer, baseada naquilo que ela entende por esquerda do século XXI, severas críticas à movimentos de esquerda na América Latina.

A bandeira da moral, ética e outros tantos valores burgueses levantados pela alagoana a torna uma espécie de Carlos Lacerda de saias nos anos 2000.Valente denunciadora da direita e dos seus vícios, não se enrubesceu ao pousar de braços dados com fariseus dessa mesma direita, como Arthur Virgílio, durante o ápice da crise do mensalão.

Guiou o PSOL na cruzada contra a CPMF mesmo sabendo que esse imposto doía quase que somente no bolso da burguesia e novamente não teve pudor de estar ao lado de tucanos e demos.

Quanto à terceira opção, Dilma Roussef, é entre os três o nome mais preparado no que diz respeito a parte administrativa, ou pelo menos é o que o governo tenta passar. Entretanto politicamente não sei responder se é tão preparada assim e se ideologicamente se encontra no espectro de esquerda – embora no passado tenha participado de movimentos de esquerda, inclusive movimentos armados. O governo tem gastado muita lábia para mostrar Dilma como uma grande administradora de recursos públicos e grande negociadora com a iniciativa privada. Olha que, para o PIG estar abrindo espaço para isso, é porque o governo deve estar realmente gastando muita lábia, ou publicidade, quem sabe?

Ainda é cedo para afirmar se uma candidatura da Ministra-chefe do Gabinete Civil é ou não de esquerda. Tudo vai depender de que apoio terá dentro do PT e qual será o programa de governo que o partido adotará para a próxima disputa nacional. Se será continuação do modelo neo-liberal concebido no governo Sarney e Collor e que teve mais ou menos energia, dependendo do momento, mas que continuou e continua vivo nos governos Itamar, FF.HH. e Lula? Ou se será um programa mais voltado para uma democracia popular como o PT já teve num passado nem tão remoto? Ficam essas dúvidas e com elas a se Dilma será ou não uma candidata de esquerda.

Logicamente que qualquer um dos três será considerado de esquerda se comparamos ao que apresentará a dupla PSDB-Demo – estejam esses dois juntos ou não no primeiro turno – em 2010. Independente de quem for o presidenciável e do tom a ser adotado. Seja um tom mais radical – José Serra – ou um tom mais conciliador – Aécio Neves.

Na dúvida se Dilma e Heloisa Helena são de esquerda – me parece claro que Ciro definitivamente não o é – e na dificuldade de Dutra surge outro nome. O do governador do Paraná, o censurado pela Justiça e pelo PIG, Roberto Requião. Embora não se trate de um socialista clássico – é na sua própria definição um sartreano –, traz consigo algumas bandeiras simpáticas aos movimentos sociais e possui compreensões parecidas com as de Celso Furtado e dos nacional-desenvolvimentistas em relação à superação do subdesenvolvimento, ao papel das organizações sociais e quanto à função do Estado nacional e seu papel como agente integrador.

Portanto como marxista e olhando de forma estratégica, sabendo que na atual conjuntura dificilmente um projeto socialista autêntico conseguirá se impor à curto prazo, vejo em Requião uma das poucas esperanças de contraponto ao neo-liberalismo ao qual o governo Lula segue amarrado.

Para quem quiser dar sua opinião no blog do Emir, eis o link:

http://www.cartamaior.com.br/templates/blogMostrar.cfm?blog_id=1&alterarHomeAtual

enviada por hudson



30/01/2008 19:15

TODOS PERDIDOS NUMA MÍDIA SUJA

"Miriam Leitão, todos os "colunistas" neo-liberais (sic) do PIG e os "especialistas" que eles costumam "consultar" – todos eles estão sem rumo."

A tardia constatação é de Paulo Henrique Amorim.

http://conversa-afiada.ig.com.br/materias/475501-476000/475692/475692_1.html

...não se pode enganar todas as pessoas o tempo todo." (Abraham Lincoln, presidente dos EEUU de 1861 a 1865)
Lincoln era do partido whig (conservador), criado em 1834 para se opor ao partido democrático. Seria, hoje, um republicano. Curiosamente, os wighs ingleses eram liberais-progressistas.

Já os norte-americanos ...!!!

Lula tem muito em comum com Abraham Lincoln. Filho de lavradores, o presidente norte-americano teve vida dura e de muito trabalho desde menino, migrou para outro estado em busca de vida melhor, perdeu a mãe e viu o pai formar outra família, na busca de saber procurava compensar lendo livros emprestados de amigos a escola que não teve, até passar por um exame de suficiência que o habilitou ao exercício da advocacia. Foi muito jeitoso para se conduzir entre os "aloprados" conservadores de seu partido e graças ao seu talento de negociador os 50 estados permaneceram unidos após a Guerra da Secessão.

Responsável pela emancipação dos escravos, não tripudiou sobre os sulistas e escravocratas vencidos, mas pronunciou discurso conciliador que ganhou o mundo, definindo o significado de governo democrático: "do povo, pelo povo e para o povo!" Que jamais há de desaparecer da face da Terra.

Lincoln foi morto com um tiro na nuca quando preparava um amplo programa de inclusão social dos afro-descendentes, pelo único meio possível: a educação. Já pensava em estender o voto a parcela significativa de ex-escravos, como um primeiro passo.

Míriam Leitão e o PIG formam no time do John Wilkes Booth.
Em tempo: Booth foi o fanático partidário da escravatura que disparou o tiro a queima-roupa e pelas costas que matou Lincoln.

Francisco Hugo Vieira de Freitas colaborador do Blog do Hudson. É educador em Santos - SP
chicohugo@superig.com.br


enviada por hudson



28/01/2008 17:41

Quem são os terroristas?

Após a libertação de duas reféns que há anos estavam em poder das FARC, a nossa mídia volta todo o seu rancor e preconceito de classe tentando desqualificar o gesto de Chávez e das FARC e enaltecendo a postura de Uribe – um de seus heróis e tido repetidamente ao lado da presidente chilena Michele Bachelet como contra-ponto aos movimentos anti-neoliberais que se espalham e inflamam pela América Latina, sobretudo na parte meridional do continente.

Álvaro Uribe costuma usar da sua enorme força de persuasão – que a violência avalizada por Washington lhe garante – para impor seus próprios métodos de negociação com grupos políticos e militares distintos ou movimentos sociais. A Colômbia nos últimos anos com a implantação do chamado Plano Colômbia, torna-se gradativamente uma enorme base do império ianque na América do Sul. Com um discurso de combate ao narco-tráfico o governo colombiano financiado pelo Departamento de Estado dos EE.UU. se utiliza de grupos para-militares para calar a população e cortar qualquer tipo de diálogo com as FARC.

Hoje não existe processo de paz graças à intransigência de Uribe, o guardião da democracia e paladino da justiça, imbuído de tão grande espírito público que não se permite negociar com terroristas. São justamente essa intransigência e sua postura de lacaio perante os EE.UU. que lhe garantem o apoio desse e conseqüentemente a sua sustentação no poder.

A sua postura de combate ao narco-tráfico não deixa de ser irônica quando nos recordamos que a família de Uribe ter no passado mantido forte relação com os responsáveis pelos cartéis de droga, e o próprio presidente enquanto encarregado pela agência colombiana de aviação civil ter facilitado os negócios do falecido mega-traficante Pablo Escobar.

Entre o final de 2007 e o início desse ano, durante o processo de libertação de Clara Rojas e Consuelo González, os jornalões e a tv brasileira mal conseguiam esconder sua torcida para o fracasso. Pois nitidamente o déspota Chávez sairia com uma imagem invertida daquela que esses meios de comunicação nos passa, enquanto o paladino da justiça Uribe, teria suas fraquezas expostas. Ademais o presidente colombiano também tinha conhecimento disso, tanto que tratou mesmo de sabotar as negociações bombardeando acampamentos das FARC, enquanto se desenrolavam as negociações.

Interessante e didático ver nesse caso todo o quanto o tratamento que a nossa – a “nossa” aqui é força de expressão – mídia mazombeira e entreguista dá as FARC chamando-a de terrorista, se opõe frontalmente ao tratamento dado por exemplo ao Estado de Israel, esse sim verdadeiro praticante de terrorismo. E o que é pior um terrorismo de estado. Ou transformar a Faixa de Gaza num enorme “gueto”, deixando milhares de palestinos confinados sem água, comida, remédios e na mais absoluta falta de condições básicas de sobrevivência, utilizando-se da violência para legitimar essa afronta aos direitos humanos não é terrorismo?

Ou então quando George "Cawboy" Bush invade países cuja discrepância entre o seu poder militar, bélico e tecnológico é tão monstruoso que não dá sequer para fazer comparações e lança sobre o povo afegão e iraquiano o seu arsenal - que já estava na hora de ser atualizado - é um atentado terrorista contra toda a humanidade ou não?

Sem parecer leviano, mas como a nossa mídia não se ocupa desses assuntos ao passo que busca de todas as formas defenestrar o "Eixo do Mal" propagado pelos EE.UU, além de governos populares, fico pensando, será que agora como antes, tem jornalista levando um por fora da CIA para escrever de acordo com a cartilha da Casa Branca, ou seria apenas gosto pela submissão e subserviência?


enviada por hudson



25/01/2008 19:04

Entendendo a Crise dos EUA

Por Renan Nunes
Está mais do que claro que a situação dos ianques não é nada boa. Mas não foi por falta de aviso. Não foi por falta de experiências na história.

Está se repetindo o que aconteceu em 1929, na queda ao fundo do poço da Bolsa de Valores de Nova Iorque. O que aconteceu? Antes de entrar na 1ª Guerra Mundial, os EUA venderam armas para os dois lados, e, quando melhor lhe foi conveniente, adotou um lado e foi lutar contra o outro lado. No que houve enorme venda de armas, houve um crescimento no poder de compra da classe média. Toda casa tinha dois carros ou mais (dois carros era muito naquela época). Com muito dinheiro circulando, era claro que havia "dinheiro bom" e "dinheiro ruim", ou seja, dinheiro que realmente valia e dinheiro que não valia nada. Os dois dinheiros foram trocados por ações nas bolsas, e contaminaram principalmente o mercado de café (principal produto vendido pelo Brasil na época, representando cerca de 90% do PIB). E essas ações eram vendidas e compradas nas bolsas. Os vendedores sabiam que não valiam nada, e os compradores também, mas compravam mesmo assim, para vender posteriormente, com uma margem de lucro.

Mas, como a guerra parou e a Europa estava destruída, nenhum país europeu tinha dinheiro para comprar armas, interrompendo o fluxo de dinheiro da Europa pros EUA. Então, ficou circulando ação boa com ação ruim. Um belo dia, todo mundo (todo mundo, mesmo) que foi à Bolsa resolveu vender. E aí, caiu de vez.

Querem ver como é semelhante essa crise da bolsa de 1929 com a atual? Toda família ianque passa muito aperto pra tudo (dizem até que mais aperto do que nós, brasileiros). Uma família de classe média tem um filho, John. Mesmo antes de nascer, a família junta dinheiro pra John ter condições de cursar a universidade, que é particular. Não há universidades públicas. Vamos dar melhor condições à John. Ele está cursando normalmente a universidade, mas quer sair da casa dos pais. Começa a trabalhar e aluga um apartamento simples pra ele. Depois de um tempo, ele arruma uma mulher pra se casar. E aqui começa o ciclo do dinheir viciado.

Eles vão ao banco "GoodMoney" tomar um empréstimo, e colocam a casa que vão comprar por US$44.000 como garantia - é a chamada hipoteca. O contrato leva em conta bons antecedentes de empréstimo e renda comprovada. Pronto. John e Mary têm uma casa, perto da casa dos pais de Mary, no melhor subúrbio de Los Angeles. Começam a pagar as prestações da hipoteca, e em 20 anos estará quitada.
Mas, ianque gosta de ganhar dinheiro, mesmo que os dois já tenham emprego fixo, sem perspectiva de desemprego. E vêem, pela experiência própria, que vender casa é lucrativo. Então, resolvem financiar outra casa (de US$44.000), no mesmo banco "GoodMoney", para vendê-la por US$60.000.

Isso foi o ciclo bom. Mas, começou a surgir defeitos no ciclo, o que o tornou viciado.

Primeiro fator, a alta dos preços dos imóveis. Como disse, para ter o lucro de US$16.000, John e Mary compraram por US$44.000 e venderam por US$60.000. Quando os preços de algo aumentam, as pessoas esperam um momento até que baixem para se comprar. Se não baixar, não compra. Essa foi a lógica utilizada aqui. E hipoteca, nos EUA, é um contrato pessoal: quem fez o contrato é quem assume. Ao contrário daqui, que a hipoteca é um contrato real, ou seja, independentemente do proprietário, a casa está hipotecada.

Segundo fator, o erro dos bancos. Com o dinheiro dos juros, aumentou a liquidez, ou seja, o dinheiro disponível pra empréstimos. Aí, eles começaram a emprestar pra pessoas com histórico ruim de crédito (pedia emprestado e não pagava) e sem comprovação de renda. Uma irresponsabilidade, na minha opinião. E os bancos também contaminaram o mercado de capitais (lembra a crise de 1929?), quando passaram a vender esses títulos que não valiam nada na bolsa. Aí, contaminou todas as bolsas, e, por conseguinte, todas as economias.

Agora, multiplique essa hipótese por qual número quiser. Um casal não comprava uma casa só, comprava várias, para ter lucro encima de todas. E alguns aumentavam mais de 100%. Além disso, os juros dos bancos começavam pequeno, mas aumentavam progressivamente. E os títulos subprime vendidos pelos bancos nas bolsas eram em enorme número, tipo: financiavam uma casa de US$44.000, e faziam 44.000 títulos de US$1,00. Aí, é um vírus!

As conseqüências foram desastrosas. Quem não estava conseguindo vender por causa do alto preço, teve que baixar o preço do imóvel, mas já era tarde demais. Os bancos perderam a liquidez, e já não têm garantia nenhuma da volta do empréstimo, por causa dos preços das casas.

E quais são as perspectivas? O Governo Ianque recentemente anunciou um pacote de uns bilhões aí, cerca de 1% do PIB ianque. Muitos prevêem que os bancos estão escondendo dados, e preservando suas ações. Outros dizem que a recessão já chegou nos EUA (desemprego em alta, corte de juros do FED, etc). E que o Brasil vai quebrar, por causa principalmente da alta taxa de juros daqui (Selic de 11,25%, diferença de 8,25% para a taxa de juros dos EUA 3,0%).

Minha opinião é que o Brasil saia melhor do que entrou, pois quanto mais descolado da economia ianque, melhor. Hoje, a maior besteira do mundo é concentrar a venda só para um ou poucos países. Eu vi que, no ano 2000, as vendas pra os EUA representava 20% das exportações. Hoje, só representa 15%, tendo havido um aumento substancial das exportações para a China e para a União Européia.

Mais:
http://ultimosegundo.ig.com.br/economia/2008/01/16/entenda_a_crise_do_subprime_1154315.
Renan Nunes, colaborador do Blog do Hudson. É estudante de direito em Recife – PE e responsável pelo Blog Exército Comunista
www.exercitocomunista.blogspot.com

enviada por hudson



25/01/2008 18:55

“ JET SETTER” É ESTRELA DO “SECOND FLOOR”

Por José Valério

Saiu no PIG ( Folhona, domingo, 20 de janeiro) na sessão Brasil A-24, o título da matéria chamou atenção por dois motivos:

1º - Está em Inglês.

2º - Traduzindo é tão vazio quanto à matéria.

A notícia em si não possui nenhum conteúdo de interesse público ou informação importante, mas achei hilário o seu conteúdo que questiona uma modelo brasileira sobre a sua amizade com a Mega imbecil Paris Hilton. Lógico que o cenário de fundo dessa imbecilidade é a cobertura da São Paulo Fashion Week.

Muitos dos meus interlocutores poderão questionar onde é que está a comédia nessa pequena matéria, respondo, na recessão econômica estadunidense... isso mesmo na recessão econômica que o PIG está disseminando.

O Leviatã é bravo e o governo Lula combaterá o mostro com as armas que os neo-liberais mais cultuam: juros alto, credito caro, desvalorização do real frente ao dólar, desemprego, recessão etc. Distanciando o governo petista cada vez mais de um projeto socialista e aproximando cada vez mais o Lulismo do clássico e histórico trabalhismo capenga.

Porém não podemos esquecer que atualmente a economia estadunidense já não é o único centro de decisão econômica do mundo, por mais que a sua crise venha à atingir a economia dos paises emergentes ( economicamente dependentes) como o Brasil. Tanto é que os economistas criaram a tese do descolamento, ou seja, as economias emergentes estão fortes o suficientes para suportar o impacto global provocado pela queda do consumo dos estadunidenses.

Por outro lado, o governo Bush apresentou na sexta feira passada um pacote fiscal para conter a crise provocada pelos bancos a medida fiscal prevê a redução na arrecadação de impostos que atingira o custo de US$ 150 bilhões para a máquina do Estado, com essa medida de emergência pretende-se contribuir para a recuperação do consumo da classe média estadunidense, com essa medida espera-se que a economia retome aos patamares de crescimento.

A solução apresentada é pífia, pois US$ 150 bilhões e uma ínfima parte dos US$ 2,29 trilhões de déficit público, isso significa que a medida é paliativa e que os paises emergentes continuarão a “ bancar “ o crescimento da economia estadunidense. Do lado de cá da Grande América, a economia brasileira aguarda em compasso de espera, mas não podemos desprezar as nossas reservas cambiais que é um bom colchão contra o impacto da recessão estadunidense. Nossas reservas estão em patamares aceitáveis, por mais que aconteça uma fuga em massa do capital externo especulativo e diminua a entrada de dólares dos investidores.

O mercado interno está fortalecido e a inflação brasileira está dentro das metas planejadas (4,5%), porém não podemos considerar que a economia brasileira é forte o suficiente para agüentar os reflexos da crise hipotecária estadunidense.

A nossa posição em relação à economia mundial não é segura a ponto de não escutarmos o barulho dos escombros da demolição do setor bancário estadunidense, que deixa bem claro como os caubóis são ótimos capitalistas, mas na hora da incompetência generalizada da “ mão invisível do mercado” recorrem como covardes para as estruturas econômicas do Estado na tentativa de reparar os erros cometidos pela a sua ganância, acho que os capitalistas estadunidenses gostam tanto do Estado como o Politburo soviético, considerando que os soviéticos foram bem mais competentes, então, por que confiar no “ mercado” se é o Estado que continua a garantir a estabilidade econômica. Paradigma que o capitalismo não conseguiu superar.

Agora, retomando o inicio do texto, o que é que a crise estadunidense tem haver com o título da matéria da Folhona como sugeri no inicio do texto?
É que a crise imobiliária estadunidense, em relação ao Brasil esta no Second Floor, ou seja, está no andar de cima. Se conseguiremos ou não agüentar o peso do desabamento é pouco provável, pelo menos poderemos assistir aos caubóis pulando da janela do segundo andar sem rede de proteção, porém seria cômico se não fosse trágico tanto para população empobrecida estadunidense quanto para nos brasileiros.

ATENÇÃO próximo tema a ser explorado pelo PIG: CPI das Ongs fica o alerta!

José Valério, colaborador do Blog do Hudson. É professor de sociologia no ensino médio da rede pública em Mogi Mirim – SP


enviada por hudson



25/01/2008 01:37

EVOLUÇÃO DA MISÉRIA E OUTRAS DIGRESSÕES

Errata: Havia publicado de forma incompleta e incompreensível o artigo do companheiro Chico Hugo.
Segue agora com as devidas correções.

Por Chico Hugo

Não sou “lulista”. Tenho razões para resguardo quanto a “ismos” e “istas”. Nada contra Humanismo e humanistas. Escrevo apenas como um cidadão que viveu atentamente os oito anos de governo FHC, bem como os cinco do Lula.

Mauro Santayana, respeitável decano da Imprensa, pode ser acusado de tancredista (e não vai reclamar) mas nunca de “lulista”. Do alto de sua reconhecida cultura-erudição, comparou o governo Fernando Henrique a um tsunâmi, cujos estragos ainda vão exigir muito tempo e trabalho à correção, ainda assim deixando seqüelas.

Em não sendo “lulista”, me reporto a dois pontos imperdoáveis do governo Lula, debitados exclusivamente na conta do Presidente: Benedita da Silva e Marta Suplicy. Os afro-descendentes estão bem representados na figura de Gilberto Gil e não devem ter aprovado os despautérios da Benedita. A Marta “Relaxa-e-goza” precisa de um foro privilegiado porque responde a alguns processos, procedentes ou não, decorrentes de sua gestão como prefeita da capital paulistana. Um governo que conta com Dilma, Nilcéa e Marina pode tranqüilamente prescindir de martas e beneditas.

O que acima está dito é preâmbulo obrigatório para as reflexões sobre o gráfico abaixo, da Fundação Getúlio Vargas, sobre a evolução da miséria no Brasil.






Relevante notar que o índice começou a cair significativamente NO GOVERNO QUE FHC E O PIG FAZEM DE CONTA QUE NÃO EXISTIU, o de Itamar Franco (de 35 a 28). A queda avançou nos seis primeiros meses do governo FHC porque é assim mesmo: os efeitos, positivos ou negativos, das políticas públicas de um governo “invadem” o primeiro semestre do governo subseqüente. Por isso, a estagnação ocorrida no governo FHC (oito anos em torno dos 28%) avançou nos seis primeiros meses do governo Lula para, só então, voltar a cair. Em 2006, segundo a mesma FGV, foi abaixo de 20%.

A queda do indicador da miséria só não é boa para quem? Para quem – PSDB e EX-PFL – a segurou durante oito anos. Como, de fora do governo, continuar mantendo o povo na miséria? Sabotando o governo eleito com atitudes como: alarmar, pela mídia, que a turma do agronegócio está na bancarrota; que os exportadores vão falir com a valorização do real face ao dólar; que se o Banco Central baixar os juros a inflação vai voltar galopante... e acabar com a CPMF.


A CPMF vale maior reflexão.


Dos 40 bilhões estimados de arrecadação, mais ou menos 10 bilhões provinham da movimentação financeira de assalariados que recebem via banco. Trinta bilhões, dos financiadores de campanha do PSDB e do ex-PFL. Poupados com o fim da CPMF, estes bilhões vão financiar as eleições de outubro/2008, tudo ou nada para as pretensões tucanas e a sobrevivência do ex-PFL. A turma do Skaf vai “aplicar” pesado nos “grotões”, onde ainda se troca voto por botina! Trocar voto por botina ainda é uma realidade que os homens de boa vontade lamentam, não é? São 30 bilhões para se tentar neutralizar o impacto do Bolsa Família nos “grotões”. Haja pés-descalços (data vênia Collor) para tanta botina!

Um amplo programa de inclusão social que devolva a dignidade aos egressos da miséria é preciso. Se há intenção do governo Lula de alcançar esse objetivo (e se vai) só o futuro dirá.

Se gráficos (como o acima) pudessem expor índices de dignidade gostaria de ver um do Congresso Nacional, um da mídia, um do Judiciário, um do clero, um da OAB, um da Fiesp ... e um do Executivo (por que não?).

Não é preciso ser “lulista”: o governo é recordista em recordes positivos. Que melhore em 2008!

Chico Hugo, colaborador do Blog do Hudson. É educador em Santos - SP
chicohugo@superig.com.br

enviada por hudson



19/01/2008 12:13

Tancredo Neves e o Colégio Eleitoral

Há 23 anos o Colégio Eleitoral elegia Tancredo Neves como presidente da República, tendo como seu vice José Sarney. Passado já quase um quarto de século é hora para se fazer uma reflexão sobre o seu significado para o Brasil.

O Colégio Eleitoral nasceu para que os militares dessem alguma validade moral ao ditador de plantão, uma vez que a junta militar que escolheu os nomes de Castelo Branco, Costa e Silva e Garrastazu Médici, padecia de qualquer coisa do tipo perante a sociedade. Colégio Eleitoral dava aos ditadores de plantão uma pequena legitimidade, ainda que de forma indireta esses ditadores seriam eleitos. Todavia continuava o trabalhador tolhido no seu direito de opinar sobre os rumos da nação.

Essa instituição composta basicamente pelo Senado Federal e Câmara dos Deputados chegou a eleger – ou ratificar – antes do civil Tancredo Neves, os generais Ernesto Geisel e João Baptista Figueiredo como presidentes da República.

O nome de Geisel passou de forma tranqüila pelo Colégio Eleitoral, pois a Arena, o partido do “sim senhor general !!!”, era senhora absoluta nas duas casas do legislativo nacional no início de 1974. Contudo uma campanha deflagrada pelo MDB – o partido do ”sim !!!” – justamente durante a eleição indireta, com a chamada anti-candidatura, mobilizou a classe média e se espalhou por parte da sociedade, dando ao MDB nas eleições de novembro daquele mesmo ano a maioria no Senado além de aumentar substancialmente seu poder na Câmara. Com isso e sob o pretexto de que o MDB estava obstruindo projetos importantes para o país, o ditador Geisel, no dia 1° de abril de 1977, decretou tanto o fechamento do Congresso, quanto uma série de reformas constitucionais.
Durante os 14 dias em que o Congresso esteve fechado, foi baixado um conjunto de medidas que tinham como objetivo claro garantir a preservação da maioria governista no Legislativo, especialmente no Senado. Geisel não podia se esquecer da estrondosa vitória nas eleições de 1974 do partido oposicionista ao eleger 16 das 22 cadeiras senatoriais então em disputa. Por isso mesmo, uma das "novidades" do chamado "Pacote de Abril" foi a criação da eleição indireta para 1/3 dos senadores, logo denominados pejorativamente de "biônicos" e do aumento das bancadas na Câmara Federal dos estados menos desenvolvidos – estados esses onde a Arena costumava obter melhores resultados.
Isso praticamente garantia a vitória de algum general escolhido por Geisel para sucedê-lo na tarefa de ditador de plantão. O preferido de Geisel era o chefe do SNI (Serviço Nacional de Inteligência) João Baptista Figueiredo que foi indicado pela Arena para concorrer à Presidência.
O MDB decidiu disputar as eleições com o general Euler Bentes. Figueiredo e seu vice, Aureliano Chaves, no entanto, venceram com 355 votos, contra 266 de Bentes. No mês seguinte, nas eleições parlamentares, o MDB conseguiu a maioria dos votos da população, mas a Arena permaneceu com maioria no Congresso, por causa do Pacote de Abril.
Durante o governo Figueiredo chegou ao fim o bipartidarismo e foi decretada a Lei de Anistia. Não como forma de democratizar a política ou o Estado brasileiro, mas com o intuito de pulverizar a “oposição consentida” que crescia rápido demais e estava toda sobre a bandeira do MDB. Outro objetivo era acalmar a sociedade civil que começava a se organizar e reivindicar direitos e liberdades.
Surgiram então o PDS (Partido Democrático Social) legítimo herdeiro da Arena. O PMDB (Partido do Movimento Democrático Brasileiro) com os caciques políticos criados pela oposição consentida. O novo PTB (Partido Trabalhista Brasileiro) de Leonel Brizola que voltara do exílio. O PP (Partido Popular) de Tancredo Neves. E o PT (Partido dos Trabalhadores) com gênese nos movimentos sociais surgidos em meados da década de 1970. Posteriormente Leonel Brizola perderia para Alzira Vargas, em uma disputa judicial, o direito de usar a sigla PTB, passando a utilizar o nome PDT (Partido Democrático Trabalhista).
Em 1982 ocorreram de forma simultânea eleições diretas para legislativo e executivo dos estados e municípios – excetuando o executivo das capitais e mais algumas cidades consideradas estratégicas do ponto de vista dos militares –, a renovação da Câmara Federal e de um terço do Senado. A oposição alcançou o governo dos principais estados. Em São Paulo com Franco Montoro, no Rio de Janeiro com Leonel Brizola e em Minas Gerais com Tancredo Neves – que desde o inicio do ano havia fundido o seu PP ao PMDB devido à proibição de coligações entre os partidos.
O governo militar se enfraquecia de vez. A ditadura vivia seu outono com o prenuncio do inverno. No ano de 1984 uma das maiores – se não a maior – mobilizações populares que o Brasil já viveu, reclamava o direito de eleger de forma direta o presidente da República. Direito negado desde 1960. Essa formidável mobilização popular conhecida como “Diretas Já” foi reprovada no Congresso Nacional, não conseguindo atingir os 2/3 necessários para emenda constitucional. Na realidade a campanha das “Diretas Já” e a Emenda Dante de Oliveira – que acabava com o Colégio Eleitoral – foram alvo de ataque dos setores mais retrógrados e reacionários da sociedade brasileira. Um verdadeiro balde de água fria no povo. Essa campanha havia conseguido colocar no mesmo palanque figuras políticas tão distantes e distintas quanto Ulisses Guimarães e Luis Ignácio Lula da Silva.
Com a derrota da Emenda Dante de Oliveira a oposição decide partir para a eleição indireta dentro do Colégio Eleitoral. PMDB, PTB e depois PDT decidem se unir e bancar uma candidatura contra o candidato governista.
Começam então as negociações para se encontrar um nome de consenso dentro da oposição e que não fosse do contra-gosto dos militares. O nome mais palatável encontrado foi o do governador de Minas Gerias, Tancredo Neves. Tancredo, um político tradicional e conservador, já havia sido ministro de Getulio Vargas e primeiro-ministro durante o golpe do parlamentarismo de 1961. Ocupara vários cargos públicos e vários mandatos. Embora nunca tivesse apoiado o golpe de 1964 era visto pelos militares como um moderado e mediador entre a oposição consentida e os defensores da ditadura. Sempre pronto a “condenar” a postura daqueles que se recusavam a negociar com o governo – não deixemos de salientar um governo ilegal. Para fundar o Partido Popular em 1979, teve o aval do ex-presidente Geisel, que embora não ocupasse mais o cargo de ditador de plantão, ainda era figura de peso na cena política nacional.
Pelo PDS e com o apoio do ditador Figueiredo a candidatura do ex-governador de São Paulo, Paulo Maluf, conseguiu se impor. Entretanto sua candidatura não agradava vários setores dentro do PDS que viam nela em caso de vitória, um perigo de a real oposição, então contida, e os movimentos sociais-populares tomarem as ruas negando reconhecimento ao novo governo. A sociedade brasileira já estava esgotada de tantos anos sob o jugo dos militares e clamava por mudanças. Além disso a situação econômica do país se deteriorava e Maluf não gozava de simpatia popular, pois havia sido um dos artífices da derrota da Emenda Dante de Oliveira no Congresso Nacional.
Então antes que manifestações populares começassem a dar ojeriza à ACM, Bornhausen, Aureliano Chaves e Marco Maciel e como Tancredo era “homem de confiança”, esses cavalheiros formaram uma dissidência dentro do PDS. A chamada Frente Liberal garantiria a eleição de Tancredo e lhe daria o nome do vice, o senador maranhense José Sarney. Sarney era até pouco tempo presidente da Arena e na sua extinção do PDS. Fez carreira política ao lado dos militares e aos 45 minutos do segundo tempo abandonou o barco e tornou-se um democrata convicto. Tínhamos aí uma chapa com a “Raposa das Alterozas” e o “Rei do Maranhão”.
Por trás de toda essa construção estava do lado da Frente Liberal os políticos já citados e do lado do PMDB Tancredo Neves, Franco Montoro e Ulisses Guimarães – este último sempre se opôs de forma consentida ao Regime Militar e ficara conhecido como “senhor Diretas”.
Tancredo venceu fácil a disputa com Paulo Maluf. Obteve 480 votos – 69% do Colégio Eleitoral – contra apenas 180 de seu opositor – 26%.
O PT coerentemente com seu projeto à época e fazendo a leitura correta do momento que o país atravessava, baseando se nas teses de alguns dos maiores pensadores brasileiros – pensadores do quilate de Florestan Fernandes e Marilena Chauí –, decidiu por não participar do teatro montado e encenado no plenário do Congresso em 15 de janeiro de 1985 – pena ver a metamorfose a qual o Partido dos Trabalhadores passou nessas décadas. Durante a campanha das “Diretas Já” o PT compreendia que a sociedade brasileira se organizava através de fortes manifestações populares e assim dava início a um processo de construção da consciência do trabalhador. Processo de construção assassinado pelo golpe militar, mas que 20 anos depois ressurgia. A ida ao Colégio Eleitoral significava então sabotar esse processo, legitimar uma instituição criada pela ditadura afim de manter seus interesses e dar sobrevida ao regime, pois fosse qual fosse o resultado da eleição indireta teríamos um governo tutelado – e o que mais foi o governo Sarney? –, além disso, politicamente, os militares não seriam derrotados apenas sairiam de cena.
Compreendiam também pensadores tanto dentro do PT quanto da esquerda mais avançada, que por traz do discurso de Ulisses Guimarães e da Frente Liberal se escondia justamente aquilo que Plínio de Arruda Sampaio já havia desvendado: “As elites brasileiras ao vivenciarem uma crise se dividem com uma parte buscando apoio no povo para conquistar o poder, com o poder conquistado volta a se somar com a outra parte e novamente exclui o povo.” Em suma a candidatura de Tancredo não tinha nenhum compromisso com o povo brasileiro ou com causas democráticas. Era sim uma forma de nossas elites se manterem onde sempre estiveram, no poder.
Foi o que as elites políticas, PMDB e Frente Liberal como expoentes planejaram. Com a candidatura de Tancredo tendo enorme apoio popular. Grudaram e formaram a "Nova República", com sua característica "transação" democrática, tingida até a alma com a mesma perversidade de toda a história brasileira. Isto é, com a eterna concepção de que é o Estado que concede direitos e liberdades individuais, e que compete exclusivamente a ele garantir o que eventualmente puder ser conquistado pela sociedade civil. No caso dos antigos oposicionistas do regime militar, une-se o útil ao agradável, pois, a pretexto de garantir direitos, eles ocuparam postos, assessorias, ministérios, secretarias e aparelharam o Estado.
23 anos passados e nos perguntamos:
A desigualdade social diminuiu? O fosso que separa ricos e pobres é hoje menor? Ou o Brasil ainda é aquilo que Eric Hobsbawm descreveu em “A Era dos Extremos” um monumento à desigualdade?
A liberdade (verdadeira e real) de imprensa é vista em nossa mídia? Ou será que vivemos a censura dos meios de comunicação por parte dos interesses do mercado e do lucro?
A política brasileira tornou-se mais transparente ou continuamos delegando poderes sem nunca termos resposta sobre eles?
Vivemos em uma democracia que busca conscientizar os cidadãos? Ou vivemos num mundo onde somos apenas consumidores?
A justiça, educação e saúde são acessíveis à população ou como aprendemos na filosofia marxista, “o capitalismo não pode existir sem transformar tudo em mercadoria”?
E o papel do Estado a quantas anda? O Estado brasileiro age de forma a defender os direitos da sociedade ou se transforma cada vez mais em mediador comercial e financeiro para grupos burgueses – entreguistas e internacionais?
O que conquistamos de fato com a vitória de Tancredo / Sarney naquele longínquo 15 de janeiro de 1985?
Como na frase mais famosa do filme o Leopardo (Il Gattopardo, 1963), de Luchino Visconti: "tudo tem que mudar para permanecer igual".

enviada por hudson



15/01/2008 20:19

FEBRE DO PIG (PIG FEVER) OU FEBRE SUÍNA(SWINISH FEVER)

Por Chico Hugo

A Lei de Imprensa jamais é bem lembrada. Leva o No 5.250, a data 9 de fevereiro de 1967 e a assinatura do marechal Humberto de Alencar Castelo Branco e a de Carlos Medeiros Silva, à época respectivamente presidente da República e ministro da Justiça.

Tempos de ditadura militar.

Veio para intimidar a imprensa livre uma vez que os grandes empresários ainda não se tinham dado conta das intenções da direita da Direita.

Quando as cassações começaram a atingir expoentes do pensamento conservador, políticos "amigos" e figuras como Carlos Lacerda, foi um deus-nos-acuda.

Veio o golpe dentro do golpe, o Ato Institucional nº5.

Então, não mais era preciso Lei de Imprensa.

Os patrões fecharam com a ditadura e o trabalho dos censores era mera figuração. Para fazer de conta que lutava pela liberdade de imprensa, visto que os Mesquitas se destacavam na AII - Associação Interamericana de Imprensa, o Estadão colocava versos de Camões nos espaços das notícias que não interessavam à ditadura; o vespertino Jornal da Tarde colocava receitas de bolo. E ambos se esmeravam na transcrição de versões mocinho versus terroristas elaboradas pelo DOI-CODI e pela Operação Bandeirantes - Oban; e na divulgação da Doutrina de Segurança Nacional.

Relatórios em papel com timbre de órgãos envolvidos na repressão informavam que 1.200 pessoas foram submetidas a interrogatórios, com choques elétricos, espancamentos e afogamentos pela Oban. Os mortos sob tortura eram largados em lugares ermos e a imprensa divulgava que haviam morrido resistindo à prisão, após troca de tiros.

Mas, por que, passados 40 anos, não se mexe na Lei de Imprensa? Não deveria estar na berlinda?

É dever de ofício do jornalista se reportar à verdade factual e criticar. E isso é tudo o que o Partido da Imprensa Golpista, o PIG, NÃO tem feito.

Os mesmos grupos empresariais que patrocinaram a Marcha da Família com Deus pela Liberdade e o golpe que derrubou João Goulart; que conviveram carnalmente com a ditadura e ajudaram a justificar ou acobertar suas perversões; e que não pouparam esforços para derrotar Lula em todas as suas tentativas de, na melhor democracia, chegar à presidência pelo voto do povo; os mesmos agora tentam derrubá-lo insidiosamente da Presidência.

Continuemos com a Lei de Imprensa. Ela diz:
Art. 1º É livre a manifestação do pensamento e a procura, o recebimento e a difusão de informações ou idéias, por qualquer meio, e sem dependência de censura, respondendo cada um, nos termos da lei, pelos abusos que cometer.

§ 1º Não será tolerada a propaganda de guerra, de processos de subversão da ordem política e social ou de preconceitos de raça ou classe.

Art. 12. Aqueles que, através dos meios de informação e divulgação, praticarem abusos no exercício da liberdade de manifestação do pensamento e informação ficarão sujeitos às penas desta Lei e responderão pelos prejuízos que causarem.

Art. 16. Publicar ou divulgar notícias falsas ou fatos verdadeiros truncados ou deturpados que provoquem:

I - perturbação da ordem pública ou alarma social;

II - desconfiança no sistema bancário ou abalo de crédito de instituição financeira ou de qualquer empresa, pessoa física ou jurídica;

III - prejuízo ao crédito da União, do Estado, do Distrito Federal ou do Município;

IV - sensível perturbação na cotação das mercadorias e dos títulos imobiliários no mercado financeiro.

Os textos destacados falam por si: as notícias falsas, "plantadas", creditadas a "fontes confiáveis"; os fatos truncados e deturpados; a pauta única têm procurado provocar perturbação da ordem pública e alarma social.

O alarmismo explícito adotou em suas manchetes a palavra "caos", escolhida a dedo para passar a idéia de desgoverno.

Os "caos" foram se sucedendo nas manchetes mas ninguém – graças a Deus! – os levou a sério. Quer dizer, a classe média que não votou no Lula correu aos aeroportos para ter piti diante das câmeras-plantão-24-horas esperançosa de gozar da glória de aparecer no jornal das oito.

Quando até o jornalista do New York Times que já tentou passar ao mundo a imagem de um Lula pinguço e irresponsável o trata agora como o líder que está ajudando "as Américas a se tornarem uma", nossa mídia totalmente tresloucada desde o fracassado golpe da pilha de dinheiro insiste no terrorismo editorial.

Quando se espera de um jornalismo responsável e esclarecido uma atitude de acalmar e orientar a população, eis mais um "caos":

EPIDEMIA DE FEBRE AMARELA

Epidemia, segundo o Aurélio, quer dizer: doença que surge rapidamente num lugar e acomete, a um tempo, grande número de pessoas; surto de agravação duma endemia.

Como até o momento os números estão longe de caracterizar uma ou outra acepção do verbete epidemia, fica claro o que as manchetes pretendem: ALARMAR A POPULAÇÃO!

Como vida não é brincadeira, milhões de pessoas correram aos postos para vacinação sem a mínima necessidade.

Se esclarecidos fossem pela mídia de que não ocorreu um único caso de febre amarela urbana, a corrida aos postos seria evitada e não faltariam vacinas para imunizar as populações das áreas onde a febre amarela é endêmica e os macacos hospedeiros têm aparecido mortos.

Imprensa responsável, nesses casos, sai na frente do Governo em campanha de esclarecimento:

•NÃO É NECESSÁRIO CORRER AOS POSTOS DE VACINAÇÃO.

•SÓ QUEM VAI TRANSITAR EM REGIÕES ONDE A FEBRE AMARELA É ENDÊMICA PRECISA SER VACINADO.

•A VACINA LEVA 10 DIAS PARA IMUNIZAR O ORGANISMO.

As manchetes da febre amarela escancararam o que todos os homens de boa vontade já sabem: a mídia não é digna de confiança e seus servis profissionais são de baixo coturno e maus-caracteres.

Se em boa hora o congresso resolver mexer na Lei de Imprensa, os mesmos que em 1967 fingiram insurgir-se contra ela vão acusar Lula de querer calar a boca da mídia.

Na Venezuela, Chávez esperou terminar a concessão do canal de tevê que articulou o golpe que o tirou do governo por um dia e não a renovou.

Se bem que estivesse apenas exercendo um direito constitucional, porque lá como aqui as empresas de rádio e de televisão operam por concessão do governo eleito pelo povo; e embora NÃO houvesse agido contra os demais canais de tevê aberta e a cabo que batem nele 24 horas por dia, foi acusado de "atentar contra a liberdade de imprensa".

E a nossa mídia repercutiu esta versão.

Retornemos à Lei de Imprensa!

A notícia truncada ou deturpada pode causar desconfiança ou abalo de crédito de instituição financeira ou de qualquer empresa, pessoa física ou jurídica; prejuízo ao crédito da União, do Estado, do Distrito Federal ou do Município; e perturbação no mercado financeiro.
Não é tudo que tucanos-demos e PIG desejam?

Quando a lei, na sua melhor interpretação, fala em crédito, estará se atendo à cessão de mercadoria, serviço ou dinheiro para futuro ressarcimento? À importância cedida? À facilidade de obtenção de empréstimos? À compra a prazo? À autorização de despesa nas finanças públicas?

Com certeza, a lei vai além.

Crédito quer dizer confiança, boa reputação, boa fama, consideração,
autoridade, influência, importância. E "segurança de que alguma coisa é verdadeira".

Para desespero do PIG e dos que por ele se fazem representar, o governo vem se saindo bem.

Com o barril de petróleo oscilando na faixa dos 20 dólares, a qualquer reunião da OPEP o governo FHC aumentava o preço dos combustíveis até duas vezes na semana. No governo Lula, o barril chegou a 100 dólares e não tivemos aumento em 2007.

Isso traz confiança no governo e o PIG não gosta dessa notícia.

O salário mínimo de 51 dólares ao fim do governo FHC (R$200, dólar a 3,86), no governo Lula vai a 230 dólares (R$408, dólar a 1,77). O PIG perdeu a calculadora.

As exportações aumentam e lá vem o PIG: "Isso não vai durar, o dólar tem de subir!"

O PIG já decretou a falência do agronegócio, da indústria de calçados, da construção civil... Todos vão bem, obrigado!

Ao repercutir nacional e internacionalmente notícias truncadas ou deturpadas, o PIG está cometendo crime.

Não apenas crime tipificado na Lei de Imprensa.

Crime de lesa-pátria!

Quantos turistas deixarão de vir ao Brasil amedrontados pelas manchetes da febre amarela?

Na cidade de Pirenópolis, Goiás, vazia de turistas, placas enormes avisam que a cidade não registrou um único caso de febre amarela. Os hoteleiros estão dispensando garçons e arrumadeiras. Isso é bom para o noticiário do PIG porque a criação de novos empregos é mais um dos recordes positivos do governo Lula.

Por conta dessa mídia golpista e irresponsável, quantos aviões a Embraer deixou de vender?

Quantas toneladas de carne não foram exportadas malgrado o esforço do governo de convencer países compradores de que a aftosa estava sob controle? De quanto sofrimento teria sido poupado o povo carioca se a tempestiva intervenção federal nos hospitais do Rio de Janeiro tivesse sido levada em frente?

O PIG defende a invasão da Bolívia por tropas brasileiras. Que a Venezuela – seu povo e seu petróleo – fique fora do Mercosul.

Isso é um paradoxo: televisões e rádios recebem do povo concessão para desinformar o povo. Deseducar o povo. Televisões abertas e rádios FM se multiplicaram no governo FHC e têm em comum uma coisa: o desserviço ao povo brasileiro. Apresentam programação de péssima qualidade e noticiosos tendenciosos produzidos por jornalistas mal preparados ufanos do perfil do radiouvinte ou do telespectador que traçaram: para eles, somos todos homer simpsons!

Se há alguém ardendo em febre é o pessoal do PIG -- políticos tucanos, os do PPS que renegaram sua antiga sigla, os neoliberais ex-pefelistas que preferem ser tratados por "demos" e seus porta-vozes jornalistas.

São numerosos o bastante para, conforme o Aurélio, caracterizar uma epidemia.
Se este fato ganhar repercussão internacional, o translator oferece duas opções para manchetes em língua inglesa: PIG fever ou swinish fever. Lá fora, o leitor desavisado vai traduzir por febre dos porcos!

Chico Hugo, colaborador do Blog do Hudson. É educador em Santos – SP

chicohugo@superig.com.br

enviada por hudson



09/01/2008 18:10

DIVAGAÇÕES SOBRE ELEIÇÕES

Por Chico Hugo

Certa ocasião, uma professora que costumava pegar carona no retorno da escola, me pediu que lhe explicasse por que, nas eleições dos Estados Unidos, o Gore ganhou e não levou: nossa mídia, mais realista que o rei, não esclareceu ninguém sobre a fraude na Flórida do Bush-irmão; e nem que os juízes da Suprema Corte que decidiram pelo Bush-filho foram indicados pelo Bush-pai. Ou sequer que o Bush-pai foi presidente depois de comandar a CIA com direto a invasão à Baia dos Porcos e tudo, indicado que foi ao cargo pelo Bush-avô, que por sua vez fechava na 2ª Guerra com os nazistas... mas isso já é outra história. Os Bush, uma dinastia republicana! Rarrarrarrá!!!

Nossa viagem era de uns 40 minutos, e tive tempo de explicar como funcionava o "colegiado" norte-americano. Fiquei surpreso ao saber que uma professora tão competente no trato com os alunos nada soubesse da Revolução Americana. Que escolas ela, afinal, freqüentou?

Confesso que me empolguei um pouco ao falar dos ideais de Voltaire, Locke ("a soberania não reside no estado, mas no povo"), Rousseau e Montesquieu. De Thomas Jefferson, John Adams, Benjamin Franklin... Da Declaração dos Direitos (Bill of Rights). Do empenho de cada uma das 13 ex-colônias de garantir autonomia aos novos estados federados sem prejuízo à federação. Da inserção de emendas com a primeira, sempre evocada, que garante a liberdade de expressão.

Mas (sempre a conjunção adversativa) tive de chegar aos finalmentes: toda aquela belezura não dizia respeito aos negros, índios e etcéteras. Assim, grassou a escravidão e o genocídio dos povos indígenas. Começava a política imperialista, as intervenções em todas as nações da América Central, a indústria da guerra... que culmina com Hiroshima e Nagasaki e, já em declínio, passa por Vietnam e Iraque.

Expliquei à professora que, quem chega ao poder, tudo faz para dele não mais se apartar. No que ela concordou enfaticamente: estava deveras interessada na conversa.

Ficou fácil, então, para ela, entender o princípio do "colegiado": se o povão escolher um metalúrgico, por exemplo, para presidente, sempre resta a alternativa de o atrevido ser barrado no "colegiado". Allende foi barrado muitas vezes. E nem era metalúrgico, apenas socialista. Eleito pelo povo e pelo "colegiado" chileno, foi "suicidado". Com ajuda norte-americana, é bom lembrar.
Assim caminha a Humanidade: homens sonhando com a Liberdade e outros vivendo às custas desse sonho. A constatação não é nova e já mereceu um ensaio de Erich Fromm, sobre "profetas e padres".(Da Desobediência e outros ensaios, EF, Zahar)

Os donos do Poder e seus nauseabundos acólitos vão cedendo anéis...
Quando as massas, miseráveis ou não, eclodem na sua condição de seres livres levadas pelos "profetas", eis a hora da intervenção dos "padres".
A historia das eleições é curiosa e emblemática. Eleições são condição para democracia, dizem. Então, cumpre ao Sistema promovê-las (e controlá-las, claro!).

Quando o povo não mais cabia na praça (ampla acepção do verbo caber) passou a caber (ser contido) nas urnas. Primeiro, o voto foi dado aos esclarecidos. Quem seriam os esclarecidos? Os bem sucedidos financeiramente. Alguma escolaridade ajudava. Nesses o Sistema podia confiar.

Quando se pôde confiar no controle da escola, ela foi universalizada e virou instituição. Os amansados egressos das escolas eram em sua maioria confiáveis e puderam também votar.

Quando o Sistema entendeu que os maridos confiáveis mandariam no voto da esposa, veio o voto feminino.

Quando o Sistema convenceu-se de que a mídia controlava a opinião pública, o voto estendeu-se ao analfabeto.

Quando, lamentavelmente, a juventude rendeu-se aos apelos do capitalismo e deixou de lado sua fascinante característica, a rebeldia, ganhou em troca o direito de votar.

Mas (olha aí de novo a conjunção adversativa!) o Lula ganhou. Duas vezes!
"Foi com o voto dos pobres e graças ao Bolsa Família!" – protesta a Direitona.
É agüentar agora a Direitona defendendo o voto retrocesso: pobre não vota; mulher só entra na cabina junto com o marido; jovem só vota mediante apresentação de carteira de estudante de colégio particular (ou da PUC, se precoce)... e a gente só pode votar se for pra eleger candidatos da Direitona.

Deus nos livre e guarde! Amém!

Chico Hugo, colaborador do Blog do Hudson. É educador em Santos – SP

chicohugo@superig.com.br


enviada por hudson



08/01/2008 17:32

ECOS ORIUNDOS DOS POROES DA DITADURA

Mais uma vez ecos oriundos dos porões da Ditadura, ao qual o país foi condenado por longos 21 anos, voltam a soar em nossos ouvidos. Tristemente após terem surrupiado o poder e mutilado os movimentos sociais. Terem cassado, perseguido, torturado e trucidado milhares de brasileiros, para que então enfim, já sem condições política ou moral de continuarem no poder entregá-lo aos civis – não sem antes tutelaram o governo, Sarney, que por si só já representava o atraso, as oligarquias e os interesses do capital nacional subserviente ao grande capital internacional –. Isso tudo ainda não bastou para alguns setores das FF.AA.

Alguns militares e políticos que durante o nefasto período de 1964-1989, tiverem papel de destaque ainda esbravejam quando se toca em assuntos para eles delicados como a guerrilha do Araguaia – onde estão os documentos sobre o massacre comandado pelos açougueiros enlouquecidos e famintos por sangue? – a bomba do Riocentro – 27 anos passados e não se sabe quem são os responsáveis!!! Ou a participação dos ditadores de plantão e o seu governo com a ajuda da CIA na Operação Condor. Para esses setores da sociedade não basta a impunidade da qual gozam. Muito mais que isso, seu desejo é ocultar e se possível inverter a História para que sejam tratados como heróis da pátria. Esses abutres na falta da censura imposta pelas baionetas e botinas buscam subverter a opinião pública através de mentiras deslavadas publicadas em nossos jornalões.

Ano passado enquanto a comissão dos desaparecidos e outras vítimas da ditadura militar do Ministério da Justiça concedia à família do capitão Carlos Lamarca, “assassinado” pelo regime que se instalou no país em 1964, uma pensão equivalente ao soldo de general e outras indenizações, além de promover postumamente o capitão a coronel, não foram poucas as declarações de setores das FF.AA. a protestar. Ressoando esse protesto até mesmo entre deputados e senadores. Entre os senadores, Gerson Camata do Espírito Santo, numa mescla entre ataque de histeria e saudosismo dos bons tempos – para ele – de mando e desmando dos militares, pronunciou um virulento ataque à figura do capitão Lamarca. Lamarca já entrou para a história do Brasil como um dos vultos da luta contra a Ditadura Militar. Já o senador Gerson Camata, que desde o início da década de 1980 é filiado ao PMDB, durante as décadas de 60 e 70 foi vereador, deputado estadual e federal pela Arena, o partido do sim senhor general.

Outro fato que no último ano causou alarde nos ciclos militares foi o lançamento do livro-relatório "Direito à Memória e à Verdade", com o resultado oficial de pesquisas sobre a repressão a adversários políticos da ditadura militar entre 1961 e 1988, que relata os casos de 479 mortos e desaparecidos no período. O Clube Militar do Rio de Janeiro levou a público uma nota na qual, além de não concordar coma versão contida no livro, ainda nos presenteia com a seguinte pérola: o general Enzo Martins Peri, diz que “fatos históricos têm diferentes interpretações, dependendo da ótica de seus protagonistas”. E mais “... Segundo o militar, pôr o assunto em debate agora revela retrocesso à paz e à harmonia nacionais, já alcançadas”. Além disso, Peri defende a lei da Anistia concedida aos militares. “A Lei da Anistia, por ser parâmetro de conciliação, produziu a indispensável concórdia de toda a sociedade”.

Sendo assim com a Lei da Anistia de final da década de 1970, os beneplácitos senhores da nação enfim deixaram que indivíduos, “subversivos e perigosos”, oriundos de movimentos sociais e muitos com mandato popular, retornassem ao Brasil após um breve exílio de quase década e meia, enquanto eles também passavam a gozar da mesma anistia. Pois os crimes cometidos por eles durante o período era igualmente anistiado e os corpos dos desaparecidos eram entregues ao esquecimento. A dor e a busca pela verdade por parte dos familiares dos perseguidos e assassinados passavam a não ter valor algum, pois a lógica da anistia impedia tal sentimento e condenava a verdade à nunca ser revelada.

Agora esse comecinho de 2008 nos traz a Justiça italiana decretando a prisão de 13 brasileiros acusados de participação no desaparecimento e morte de Horácio Domingos Campiglia e Lorenzo Ismael Viñas. Ambos ítalo-argentinos presos no Brasil em março de 1980 e logo após entregues aos militares argentinos. O caso faz parte da famosa Operação Condor que envolveu as ditaduras militares do Cone Sul – além de Brasil e Argentina, Paraguai, Uruguai, Chile e Bolívia.

Quando a Justiça italiana decretou a prisão eis que novamente surgem os ecos dos porões da Ditadura. O general-de-divisão da reserva Agnaldo Del Nero Augusto foi o primeiro a dar declarações pró-ditadura. Em entrevista concedida ao Estadão argumentou que: “A gente não matava. Prendia e entregava. Não há crime nisso.” Santa cara-de pau. É necessário muito cinismo subestimação da inteligência humana.

Depois aparece o ex-ministro e general da reserva Jarbas Passarinho na Folha de S. Paulo para repetir a cantilena: "Quando a pessoa queria entrar no Brasil, se não fosse clandestinamente, se o nome dela estivesse nessa lista*, era impedida e voltava para o país de origem. Nós prendíamos e mandávamos de volta, onde ela ia ser julgada. Isso não é crime".

Pois é, companheiros, parece que os militares (alguns) depois de terem outorgado para si o titulo de heróis da pátria e distorcido durante anos a História – nos livros de História impressos durante o estado de exceção, inclusive nos quais estudei quando criança, o GOLPE MILITAR de “1° de abril de 1964” aparece como Revolução Democrática de Março – agora que não possuem mais Dops e nem Dói-Codi tentam desesperadamente através do cinismo e da negação maquiar os crimes que cometeram.

* Lista de procurados por crimes políticos pelos governos dos países envolvidos na Operação Condor.

enviada por hudson






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